segunda-feira, 16 de junho de 2008

Aqui não se vendem imóveis

Venho apreciando o seu trabalho, embora não tenha esteranças quanto a resultados. Refiro-me em especial ao tema central da sua intervenção de hoje, 15 de Junho. E, neste sentido, permita-me que chame a sua atenção para um erro em que o sr. tem insistido: "havia-se baralhado as datas", não - haviam-se baralhado as datas; em Angola não "se promete eleições" - em Angola até se prometem eleições. Ou será que estão certos os cartazes por este país espalhados dizendo "vende-se imóveis"?

José Monteiro

RESPOSTA DO PROVEDOR. Agradeço a sua mensagem, mas permita-me responder dizendo que considero correctas as minhas formulações verbais, nos casos que indica. Embora não haja total unanimidade entre filólogos quando a essa matéria, julgo que a maioria se inclinará para a conjugação usada, uma vez que, recorrendo a um dos exemplos que cita, alguém vende os imóveis, eles não se vendem a si próprios. A este propósito, solicito-lhe que verifique aqui.

Réplica do leitor:

Há 50 anos que aprendo (e ensino, embora não seja professor) que prédios são vendidos e eleições são prometidas. Donde, e só, vendem-se imóveis e prometem-se eleições. Culpa, naturalmente, dos muitos professores (12 ou mais) que nunca me deixaram exprimir de outra forma. Culpa, também, creio, dos muitos autores que li (leio), de Camões a Saramago, onde (livros deles) não recordo, não admito recordar, ter lido algo como vende-se imóveis. Não me ensinaram, também, os meus professores, que, em gramática, havia formas mais correctas e formas menos correctas de escrever (ou dizer) a mesma coisa. Entre parêntesis, diria eu, neste caso, a existirem aquelas opções, sempre se deveria adoptar a forma mais correcta. E que, ainda por aquele caminho, sempre se poderia vir a considerar aceitavelmente correcto dizer que Joaquim Vieira foi um dos provedores do PÚBLICO que mais se preocupou com ...(mais lá para diante poderia acabar a frase). Os jornalistas do jornal estariam de acordo com o singular...

Pela minha parte repudio o "preocupou" tanto quanto repudio o "vende-se imóveis". Mas parece-me "lógico" que o actual Ministério da Educação aceite aquelas alternativas (fomas gramaticais mais correctas e menos correctas) e muitas outras, para que os chumbos nos exames melhorem estatisticamente. Se não podes ou não queres vencê-los, aos problemas, faz equipa com eles.

De resto, e saindo do tema gramatical, assim parece estar a fazer o PÚBLICO. Agora o jornal nunca mais comete o erro, que vinha repetindo, de não acertar com os dias da previsão meteorológica. Não criando uma forma de garantir a certeza dos dias... acaba-se com a nomeação deles... Ainda bem que o Provedor alertou... Se as previsões estiverem erradas, a culpa é do Instituto Meteorológico ou do São Pedro: nunca erro do PÚBLICO.

José Monteiro

1 comentário:

Rui Pinheiro disse...

O sr Monteiro não tem razão. Melhor teria andado se tivesse gasto alguns minutos a consultar uma Gramática da Língua Portuguesa em vez de vangloriar-se dos 12 professores que teve ou das leituras apressadas de Camões a Saramago.
Sobre o mesmo assunto: http://ciberduvidas.sapo.pt/search.php?keyword=vende-se&image.x=4&image.y=9