domingo, 13 de setembro de 2009

Subitamente neste Verão

Apesar de recolhido pelo jornal, faltou o contraditório a uma notícia que agitou o mundo político

Omitiu-se a versão enviada pelo correspon-
dente no Funchal sobre a visita de Cavaco à Madeira


O curso habitual da política nacional foi perturbado no transacto 18 de Agosto com a manchete do PÚBLICO: “Presidência suspeita estar a ser vigiada pelo Governo”. A notícia, assinada por São José Almeida, citava um membro não identificado da Casa Civil do Presidente da República para informar que “o clima psicológico que se vive no Palácio de Belém é de consternação [,] e a dúvida que se instalou foi a de saber se os serviços da Presidência da República estão sob escuta e se os assessores de Cavaco Silva estão a ser vigiados”. Tudo isto para reagir a declarações de dirigentes socialistas criticando a participação de assessores presidenciais na elaboração do programa eleitoral do PSD (participação que aliás a fonte de Belém não desmentia).

No dia seguinte, em nova manchete, o PÚBLICO reincidia, alegando que “a origem das suspeitas [da Presidência da República] remonta a uma viagem [presidencial] à Madeira, há um ano e meio, na qual um adjunto [do primeiro-ministro] teve comportamentos que levaram colaboradores de Cavaco Silva a apertar o circuito da informação para evitar fugas”. Segundo a nova notícia, elaborada por São José Almeida e pelo editor Luciano Alvarez, esse adjunto de José Sócrates, Rui Paulo Figueiredo, teria sido incluído na comitiva presidencial “sem nenhuma explicação natural”, e os autores descreviam o seu comportamento no arquipélago como de um penetra, que abusivamente “ter-se-á sentado, sem ser convidado, na mesa de outros membros da comitiva, violando as regras protocolares”, e até “multiplicado os contactos e as trocas de informação com alguns jornalistas do continente que se deslocaram à Madeira”. Rui Paulo Figueiredo não foi ouvido para a redacção do texto: o PÚBLICO, dizia a notícia, tentara “sem êxito” contactá-lo de véspera na Presidência do Conselho de Ministros.

A segunda manchete motivou o envio ao provedor de uma reclamação de Rui Paulo Figueiredo com os seguintes tópicos (recomenda-se a leitura da documentação integral do caso no blogue do provedor): “Foi com enorme surpresa e consternação que li esta ‘notícia’. (...) Não só pelo seu conteúdo, que reputo de fantasioso e totalmente falso, mas também pelo facto de não ter sido citado o meu desmentido (...), em obediência às mais elementares regras deontológicas de audição e publicação do contraditório. De facto, em tempo, fui abordado pelo jornalista do PÚBLICO Tolentino de Nóbrega [correspondente no Funchal] sobre este tema (...). Tive oportunidade de negar completamente tudo aquilo com que fui confrontado. E de lhe referir que ele, como testemunha de toda a visita (...), poderia comprovar facilmente o que eu lhe estava a afirmar. Esclareci-o que estive oficialmente na visita e que o meu nome constava no livro oficial da visita elaborado pela Presidência da República. E que o motivo da minha presença justificava-se (...) pelo facto de, entre outras funções, acompanhar temas relacionados com as Regiões Autónomas. Aliás, já não era a primeira vez que, nesse âmbito, me deslocava à Região Autónoma da Madeira assessorando membros do Governo da República (...). Estive presente somente nos actos para os quais a minha presença estava prevista no referido programa. (...) Referi-lhe que, ao longo dos seis dias que durou a visita do Presidente da República (...), me desloquei nas viaturas que me foram indicadas, me sentei nas mesas que me foram destinadas e com as companhias, das mais diversificadas, que estavam previstas pela organização de cada evento. (...) Não perceb[o] a que se referem quando invocam contactos com jornalistas do Continente. Tive apenas conversas de circunstância com alguns, do Continente e da ilha, enquanto esperávamos que alguns eventos terminassem. Como aconteceu com o próprio Tolentino de Nóbrega (...). Fiquei igualmente estupefacto com a afirmação de ‘que o PÚBLICO tentou, sem êxito, contacta[r-me] na Presidência do Conselho de Ministros’. Não só porque não tenho indicação nenhuma dessa nova tentativa de contacto como pelo facto de ter sido ignorado o contacto efectuado por Tolentino de Nóbrega. Já não falando no facto de o meu local de trabalho ser S. Bento e não a Presidência do Conselho de Ministros”.

Este caso não só se reveste de enormes implicações, por estar em causa a relação entre dois órgãos de soberania, como suscita diversas questões relacionadas com a prática jornalística, o que levou o provedor a aprofundar a sua investigação muito para lá da queixa do adjunto governamental, abrangendo todo o procedimento do PÚBLICO no processo.

O provedor pôde concluir que o contacto inicial de um membro da Presidência da República com o jornal para se queixar da “espionagem” de S. Bento sobre Belém, e até da possibilidade de escutas telefónicas, se deu há cerca de 17 meses, pouco após a visita de Cavaco Silva à Madeira. Mas ao longo deste quase ano e meio a mesma fonte não apresentou qualquer indício palpável da existência dessas escutas, pelo que a possibilidade de termos aqui um Watergate luso, como chegou a ser aventado entre as inúmeras reacções que a notícia desencadeou, é no mínimo um insulto a Bob Woodward e Carl Bernstein, os jornalistas que denunciaram o caso original.

Salvo melhor prova, tudo não passa de um indício, sim, mas de paranóia, oriunda do Palácio de Belém. Só que tal manifestação é em si já notícia, porque revela a intenção deliberada de alguém próximo do Presidente da República minar a relação institucional (ou a “cooperação estratégica”) com o governo.

O que dá toda a razão de ser à manchete inicial publicada pelo jornal. O provedor apenas estranhou a demora: se o elemento da Casa Civil falou ao PÚBLICO há quase ano e meio, porquê só agora, quando nada mais foi entretanto adiantado? Respondeu o director, José Manuel Fernandes: “Há ano e meio que o PÚBLICO, através de vários jornalistas e de contactos estabelecidos por mim próprio, procurava recolher elementos para sustentar as informações dispersas que chegavam ao jornal relativas à existência de uma tensão entre Belém e São Bento que tinha ultrapassado o patamar da divergência política normal para se situar no da desconfiança sobre os métodos seguidos pelo gabinete do primeiro-ministro. (...) Nunca estivemos em condições de o noticiar, pois consideramos que não devemos utilizar fontes anónimas quando os visados desmentem em on as informações e não possuímos provas materiais. (...) Na véspera da saída da primeira notícia, um membro da Casa Civil do Presidente da República confirmou formalmente ao PÚBLICO uma das várias informações de que há muito tínhamos conhecimento. (...) Como jornalistas a nossa opção só podia ser uma: no dia em que uma fonte autorizada da Casa Civil do Presidente da República assume que no Palácio de Belém se suspeita de que o Governo montou um sistema para vigiar os movimentos do Presidente, essa informação tem uma tal importância e gravidade que só podia ter o destaque que teve. Pessoalmente acompanhei este processo e, como o Livro de Estilo prevê, (...) inteirei-me da fiabilidade das fontes e dei luz verde à publicação da notícia”.

Pelo que o provedor percebeu, só há uma fonte, que é sempre o mesmo colaborador presidencial que tomou a iniciativa de falar ao PÚBLICO em 2008, mas este milagre da multiplicação das fontes é uma velha pecha do jornalismo político português, e não vale a pena perder agora mais tempo com ela. Vale sim a pena dizer que essa fonte falou não só das escutas como da história de adjunto de Sócrates na Madeira, na tentativa de corroborar a tal operação de espionagem.

Claro que uma acusação dessa natureza deveria ser comprovada, e foi o que acertadamente começou por fazer Luciano Alvarez, ao pedir na altura a Tolentino de Nóbrega que confirmasse in loco a atitude do abelhudo Rui Paulo Figueiredo retratado pela fonte da Casa Civil. Interpelado pelo provedor, relatou Tolentino de Nóbrega: “No final de Abril de 2008, alguns dias após a visita do Presidente da República à Madeira (...) fui contactado pelo editor Luciano Alvarez no sentido de apurar localmente dados para confirmar ou desmentir a suspeita de que o Presidente da República teria sido espiado pelo gabinete do primeiro-ministro. O suposto espião seria um adjunto do primeiro-ministro que na visita se teria introduzido indevidamente na comitiva, nomeadamente em actos e em almoços e jantares oficiais, em mesas de assessores de Belém, para as quais não estaria convidado. Após difíceis diligências (...), concluí que: os preparativos da visita, rodeada de exageradas medidas de segurança, foram controladissimos pela Casa Civil da Presidência da República; (...) Rui Paulo Figueiredo integrava a comitiva oficial do Presidente da República, constando o seu nome na lista de convidados para os diferentes actos oficiais e da comitiva restrita presente às audiência do Presidente da República com representantes das associações empresariais locais (...); Rui Paulo Figueiredo integrava igualmente a lista de convidados para os almoços e jantares oficiais, distribuídos pelas mesas sob prévia indicação dos serviços da Presidência da República (...) Destas minhas conclusões dei conhecimento a Luciano Alvarez, que, face aos dados apurados, deixou cair o assunto das suspeitas”.

O contacto que Tolentino de Nóbrega teve com Rui Paulo Figueiredo ocorreu um ano depois: “Dada a sua presença no Funchal quando da visita do primeiro-ministro à Madeira (15 de Maio de 2009), confrontei-o pessoalmente com a situação, na tentativa de validar ou não as informações anteriormente por mim colhidas. As respostas dadas nada acrescentaram ao que eu próprio apurara um ano antes, e de que dera conhecimento a Luciano Alvarez no início de Maio de 2008. Desde então nunca mais abordámos este assunto nos contactos quase diários que mantemos”.

Em conversa telefónica, Tolentino de Nóbrega adiantou ao provedor não ter comunicado à redacção o resultado do seu contacto com Rui Paulo Figueiredo não só por reiterar as informações que já antes enviara mas também por pensar que, ao fim de 12 meses, o tema fora abandonado pelo PÚBLICO.

Solicitados pelo provedor a explicar por que razão os dados recolhidos há ano e meio por Tolentino de Nóbrega, e que de algum modo contrariavam a versão do assessor de Belém, não entraram na notícia sobre o “espião” de S. Bento, nem José Manuel Fernandes nem Luciano Alvarez responderam (São José Almeida disse que a parte sobre Rui Paulo Figueiredo não foi da sua responsabilidade, mas sim de Luciano Alvarez).

Como o leitor já terá intuído chegado a este ponto, estamos perante um caso que se reveste de grande complexidade e gravidade, pelo que ao provedor não é possível esgotar a sua análise numa única crónica. Voltaremos ao assunto no próximo domingo.

Publicada em 13 de Setembro de 2009

DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR:

Carta de Rui Paulo Figueiredo, adjunto jurídico do primeiro-ministro

No dia 19.08.2009, o jornal PÚBLICO publicou uma “notícia”, assinada por São José Almeida e Luciano Alvarez, intitulada “Casa Civil da Presidência da República suspeita que está a ser vigiada há ano e meio; Belém preferiu não comentar, Sócrates falou em "disparates", em que sou “visado”.

Notícia que teve ampla repercussão em todos os outros órgãos de comunicação social. Com todas as consequências, que me dispenso de caracterizar, daí inerentes.

Foi com enorme surpresa e consternação que li esta “notícia”. Enquanto “alvo” e também enquanto leitor do PÚBLICO.

Não só pelo seu conteúdo, que reputo de fantasioso e totalmente falso, mas também pelo facto de não ter sido citado o meu desmentido ao conteúdo deste texto, em obediência às mais elementares regras deontológicas de audição e publicação do contraditório.

De facto, em tempo, fui abordado pelo jornalista do PÚBLICO Tolentino de Nóbrega sobre este tema quando me contactou na tentativa de procurar confirmar uma eventual ida do Primeiro Ministro à Região Autónoma da Madeira.

As perguntas que me fez versaram os temas abordados neste texto:

a) “… Gabinete do primeiro-ministro ter incluído na comitiva presidencial um adjunto de José Sócrates, Rui Paulo Figueiredo, sem nenhuma explicação natural.”;

b) Ser “… militante do PS e autor de um livro crítico sobre os anos em que o actual Presidente foi primeiro-ministro - Aníbal Cavaco Silva e o PSD (1985-1995).”;

c) Ter-me “ … sentado, sem ser convidado, na mesa de outros membros da comitiva, violando as regras protocolares.”;

d) Ter “ … multiplicado os contactos e as trocas de informação com alguns jornalistas do continente que se deslocaram à Madeira.”; e,

e) Ter tido “ … presença inesperada nalguns locais …”.

Na conversa, embora breve, que tive com o jornalista Tolentino de Nóbrega tive oportunidade de negar completamente tudo aquilo com que fui confrontado. E de lhe referir que ele, como testemunha de toda a visita, uma vez que a acompanhou em representação do Público, poderia comprovar facilmente o que eu lhe estava a afirmar.
Esclareci-o que estive oficialmente na visita e que o meu nome constava no livro oficial da visita elaborado pela Presidência da República.

E que o motivo da minha presença justificava-se, como o próprio Tolentino de Nóbrega sabia, pelo facto de, entre outras funções, acompanhar temas relacionados com as Regiões Autónomas. Aliás, já não era a primeira vez que, nesse âmbito, me deslocava à Região Autónoma da Madeira assessorando membros do Governo da República, como o Ministro da Presidência e o Secretário de Estado Adjunto do Primeiro Ministro. Como na imprensa da Região foi público e notório.

Do mesmo modo, tive oportunidade de lhe afirmar que, em obediência a esse programa oficial da visita, estive presente somente nos actos para os quais a minha presença estava prevista no referido programa. Como seria facilmente comprovado pela consulta desse programa.

Analogamente, referi-lhe que, ao longo dos seis dias que durou a visita do Presidente da República à Região Autónoma da Madeira, me desloquei nas viaturas que me foram indicadas, me sentei nas mesas que me foram destinadas e com as companhias, das mais diversificadas, que estavam previstas pela organização de cada evento.

Aproveito, por último, para mencionar não perceber a que se referem quando invocam contactos com jornalistas do Continente. Tive apenas conversas de circunstância com alguns, do Continente e da ilha, enquanto esperávamos que alguns eventos terminassem. Como aconteceu com o próprio Tolentino de Nóbrega no Parque Temático da Madeira.

Face ao exposto, não entendo como o meu desmentido e as minhas explicações não foram publicados no dia 19.08.09, tendo em conta o contacto tido com o jornalista Tolentino de Nóbrega – que em tempo me contactou sobre o assunto e que acompanhou toda a visita.

Terá sido para se evitar a publicação das minhas declarações? Não posso crer que seja essa a prática do jornal PÚBLICO.

Apesar de no dia em causa estar de férias, fiquei igualmente estupefacto com a afirmação de ” … que o PÚBLICO tentou, sem êxito, contactar[-me] ontem na Presidência do Conselho de Ministros”. Não só porque não tenho indicação nenhuma dessa nova tentativa de contacto, como pelo facto de ter sido ignorado o contacto efectuado pelo jornalista Tolentino de Nóbrega. Já não falando no facto de o meu local de trabalho ser S. Bento e não a Presidência do Conselho de Ministros.

Assim sendo, gostaria que o Provedor dos Leitores do Público se pudesse pronunciar sobre esta situação, no prazo mais célere possível, face ao enorme impacto da “notícia”, que me parece atentatória dos mais elementares princípios deontológicos que julgo ser seu dever salvaguardar e tendo em conta o próprio estatuto editorial e Livro de Estilo do jornal PÚBLICO.

Não posso deixar de informar que dirigi uma missiva, sobre este tema, ao jornalista Tolentino de Nóbrega e pondero desencadear outro tipo de diligências, face à forma como o meu nome se viu envolvido numa notícia com base em fontes anónimas e pela omissão da minha defesa.

Rui Paulo Figueiredo

Explicações do jornalista Tolentino de Nóbrega

1- No final de Abril de 2008, alguns dias após a visita do Presidente da República à Madeira (entre 14 e 20 desse mês) fui contactado pelo editor Luciano Alvarez no sentido de apurar localmente dados para confirmar ou desmentir a suspeita de que o Presidente da República teria sido espiado pelo gabinete do Primeiro-Ministro. O suposto espião seria um adjunto do Primeiro-Ministro que na visita se teria introduzido indevidamente na comitiva, nomeadamente em actos e em almoços e jantares oficiais, em mesas de assessores de Belém, para as quais não estaria convidado.

2- Após difíceis diligências (dada a natureza da investigação sobre uma tema que exigia a máxima discrição), incluindo contactos com entidades regionais e gabinete do Representante da República na Madeira, responsável pela organização local da visita, concluí que:
2.1. os preparativos da visita, rodeada de exageradas medidas de segurança, foram controladíssimos pela Casa Civil da Presidência da República;
2.2. o referido adjunto jurídico (Rui Paulo Figueiredo) integrava a comitiva oficial do Presidente da República, constando o seu nome na lista de convidados para os diferentes actos oficiais e da comitiva restrita presente às audiência do Presidente da República com representantes das associações empresariais locais, conforme verifiquei pessoalmente em documentos da Assessoria dos Assuntos Políticos da Presidência da República a que tive acesso;
2.3. o adjunto jurídico Rui Paulo Figueiredo integrava igualmente a lista de convidados para os almoços e jantares oficiais, distribuídos pelas mesas sob previa indicação dos serviços da Presidência da República.

3- Nos poucos contactos que tive com Rui Paulo Figueiredo tentei confirmar as informações dadas por um assessor de Belém, segundo o qual com esta visita o Presidente da República pretendia abrir caminho a uma deslocação do Primeiro-Ministro à Madeira, para uma cimeira com o governo regional, assunto sobre a qual fiz notícia (PÚBLICO 17/04/08). Também escrevi uma pequena nota sobre a inclusão de membros do governo da República e de um assessor do Primeiro-Ministro na comitiva presidencial (idem, 18/04/08).

4- Destas minhas conclusões dei conhecimento ao editor Luciano Alvarez, que, face aos dados apurados, deixou cair o assunto das suspeitas.

5- Quanto à carta de Rui Paulo Figueiredo ao Provedor do Leitor, idêntica a uma que me enviou, devo acrescentar que, dada a sua presença no Funchal quando da visita do Primeiro-Ministro à Madeira (15/05/09), confrontei-o pessoalmente com a situação, na tentativa de validar ou não as informações anteriormente por mim colhidas. As respostas dadas nada acrescentaram ao que eu próprio apurara um ano antes e de que dera conhecimento ao editor Luciano Alvarez no início de Maio de 2008. Desde então nunca mais abordámos este assunto nos contactos quase diários que mantemos.

Tolentino de Nóbrega

Explicações da jornalista São José Almeida

O PÚBLICO confrontou a Presidência da República com as informações que tinha. Tanto que a noticia é feita precisamente com as declarações de um membro da Casa Civil do Presidente da República.

O Livro de Estilo do PÚBLICO permite que, na posse de uma informação relevante, o jornalista a use assumindo o anonimato das fontes. Mas, neste caso concreto, havia um membro da Casa Civil que falava nessa condição, embora sem nome, pelo que era uma informação no mínimo oficiosa.

Por sua vez, o Presidente e os serviços da Presidência da República não desmentiram a notícia.

A noticia foi confirmada por outros orgãos de informação, como a SIC, o Diário de Notícias e o i.

O Presidente da República quando falou sobre o assunto, pela primeira vez, na sexta dia 29 de Agosto, não desmentiu a noticia. Antes falou em "matérias com conotações político-partidárias", "factos e acontecimentos".

A noticia inicial, no primeiro dia (18 de Agosto), é de facto minha. No dia 19, trabalhei em conjunto com o Luciano Alvarez. As informações referentes ao autor da carta [Rui Paulo Figueiredo], foram tratadas e escritas pelo Luciano, que é co-autor da noticia comigo. Não detenho assim conhecimento de como se processou o tratamento dessa informação, pelo que não posso responder sobre o assunto.

São José Almeida

Explicações de Luciano Alvarez, editor da secção Portugal do PÚBLICO

Há cerca de ano e meio que o PÚBLICO tem informações de que a presença de Rui Paulo Figueiredo causou desconforto e levantou desconfianças junto de alguns elementos da comitiva do Presidente da República na sua visita à Madeira. O facto de não termos podido, na altura, comprovar essas informações cruzando várias fontes levou-nos a nada publicar. Contudo, nunca abandonámos a investigação sobre esta matéria. Investigação que estava a ser feita por vários jornalistas do PÚBLICO, a maioria em Lisboa, um na Madeira, o nosso correspondente Tolentino de Nóbrega.

Mais tarde, no âmbito da elaboração de outra notícia, o mesmo Tolentino de Nóbrega falou com Rui Paulo Figueiredo e questionou-o sobre a visita à Madeira. Como da conversa não resultaram novos dados que nos permitissem fazer a notícia sobre as referidas desconfianças, Tolentino de Nóbrega não me deu sequer conta da conversa que tinha tido com Rui Paulo Figueiredo.

Contudo, na sequência da notícia do PÚBLICO (18/08/09) em que um membro da Casa Civil da Presidência da República levantava suspeitas de que assessores do Presidente da República estariam a ser vigiados, o PÚBLICO conseguiu por fim fazer o cruzamento de fontes e confirmar a desconfiança que algumas atitudes de Rui Paulo Figueiredo tinham causado a várias pessoas, nomeadamente a membros da Casa Civil do Presidente da República, mas não só, como se comprovou nos dias seguintes.

De facto, no dia seguinte à nossa notícia que referia Rui Paulo Figueiredo, a 20/08/09, as informações que editámos foram confirmadas on, conforme foi noticiado em vários órgãos de comunicação social, por Alberto João Jardim, que disse ter considerado "estranho" o facto de, aquando da visita de uma semana do Presidente da República à Madeira, a comitiva do ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, que acompanhou Cavaco Silva, incluir um adjunto do primeiro-ministro, "uma pessoa que tem um nome que consta das listas da Maçonaria publicadas".

"Nunca desconfiei de nada", disse, adiantando ter considerado "estranho" que o referido adjunto tivesse permanecido na região mesmo quando o ministro da Presidência regressou a Lisboa.

"Ele ficou por aí e foi indo a tudo, não acuso o senhor, embora tenha prática de sociedades ditas secretas, não me passa pela cabeça que andasse a espiar o que eu dizia, porque o que digo é para todos ouvirem, não é segredo", afirmou ainda.

Recordo que a notícia do PÚBLICO referia o desconforto dos assessores do Presidente perante as deambulações de Rui Paulo Figueiredo.

Sobre contactos com Rui Paulo Figueiredo:

Ao fim do dia 18/08/08, dia da elaboração da notícia, eu próprio liguei para Presidência do Conselho de Ministros, na Rua Gomes Teixeira, para tentar uma reacção de Rui Paulo Figueiredo, mas ninguém atendeu. Cometi um erro, pois deveria ter, de facto, ligado para São Bento, pois sabia bem que era aí que Rui Paulo Figueiredo habitualmente trabalhava, já que uma vez lhe tinha telefonado para São Bento para elaboração de outra notícia. Admito esse erro.

Ainda assim, no dia seguinte, durante uma conversa com um assessor do PS, Ricardo Pires, a referida notícia do PÚBLICO veio à conversa e o assessor revelou conhecer bem Rui Paulo Figueiredo. Como continuava a tentar falar com ele, pedi ao referido assessor o favor de entrar em contacto com Rui Paulo Figueiredo para que soubesse que o PÚBLICO queria falar com ele. O referido assessor ficou de o fazer e eu disse-lhe que, devido às horas de fecho do jornal, me informasse entre as 20h30 e as 21h00. Por volta das 20h30, Ricardo Pires informou-me que não o tinha conseguido contactar e não abordámos mais o assunto. Rui Paulo Figueiredo também não tentou contactar-me.

Nos dias seguintes, vários jornais revelaram que também não tinham conseguido entrar em contacto com Rui Paulo Figueiredo.

Luciano Alvarez

Explicações do director do PÚBLICO

De forma o mais sintética possível, sem repetir o que está dito pelos três jornalistas do PÚBLICO que já responderam:

1. Há ano e meio que o PÚBLICO, através de vários jornalistas e de contactos estabelecidos por mim próprio, procurava recolher elementos para sustentar as informações dispersas que chegavam ao jornal relativas à existência de uma tensão entre Belém e São Bento que tinha ultrapassado o patamar da divergência política normal para se situar no da desconfiança sobre os métodos seguidos pelo gabinete do primeiro-ministro.

2. Apesar dos muitos elementos recolhidos pelo PÚBLICO - muito mais do que os noticiados até ao momento -, nunca estivemos em condições de os noticiar, pois consideramos que não devemos utilizar fontes anónimas quando os visados desmentem em on as informações e não possuímos provas materiais. Isso não significa que deixemos de confiar nas nossas fontes, mas que só podemos avançar com as notícias se estas também as assumirem. Mesmo estando convictos da falsidade de alguns "desmentidos".

3. Na véspera da saída da primeira notícia, um membro da Casa Civil do Presidente da República confirmou formalmente ao PÚBLICO uma das várias informações de que há muito tínhamos conhecimento. Pense-se o que se pensar sobre o que levou esse membro da Casa Civil a confirmar essa informação, como jornalistas a nossa opção só podia ser uma: no dia em que uma fonte autorizada da Casa Civil do Presidente da República assume que no Palácio de Belém se suspeita de que o Governo montou um sistema para vigiar os movimentos do Presidente, essa informação tem uma tal importância e gravidade que só podia ter o destaque que teve.

4. Pessoalmente acompanhei este processo e, como o Livro de Estilo prevê, na sequência de práticas introduzidas em jornais como The New York Times e The Washington Post após casos como o de Jason Blair, inteirei-me da fiabilidade das fontes e dei luz verde à publicação da notícia.

5. No dia seguinte outros órgãos de informação confirmaram a notícia do PÚBLICO (SIC, Diário de Notícias e i).

6. Também no dia seguinte o PÚBLICO contactou o gabinete do primeiro-ministro para obter uma reacção, algo que conseguiu quando ficou claro que a nossa notícia não seria desmentida por Belém.

7. O PÚBLICO tratou de obter um comentário do próprio Presidente, mas isso só foi possível quando este, no dia 28, compareceu num evento em Querença previamente agendado ao qual enviámos o nosso correspondente no Algarve. Refira-se que, quando percebemos que não conseguiríamos falar directamente com o Presidente para a sua residência de férias, verificámos a sua agenda para perceber quando ia aparecer em público, tendo notado que a notícia saíra da Casa Civil exactamente antes de um período relativamente longo em que o Presidente não tinha agenda pública. Durante esse intervalo de tempo apareceu, de surpresa, na praia Maria Luísa, aquando do desastre que aí ocorreu, mas antes de o nosso jornalista ter chegado ao local. Nessa altura não encontrei registo de que tivesse feito qualquer declaração pública sobre o caso.

8. No dia seguinte à primeira notícia, o PÚBLICO insistiu junto da Casa Civil para poder noticiar a história relativa a Rui Paulo Figueiredo, uma das várias que conhecíamos e que já nos levara a tentar reconstituí-la nos termos relatados pelo Luciano Alvarez e pelo Tolentino de Nóbrega. No processo foi cometido o erro de tentar encontrar Rui Paulo Figueiredo na Presidência do Conselho de Ministros e não directamente na residência oficial do primeiro-ministro. Tudo o mais seguiu todas as regras, e só lamentamos que os recados deixados a Rui Paulo Figueiredo não se tenham traduzido numa resposta aos nossos jornalistas, que teria sido noticiada de imediato, antes no envio de uma queixa ao Provedor - a resposta não impediria que se queixasse na mesma, mas impediu-nos de noticiar a sua posição e de lhe fazer mais perguntas.

9. No mesmo dia o PÚBLICO voltou a contactar diferentes fontes - as que conseguiu encontrar, pois estávamos a meio de Agosto -, de forma a obter autorização para noticiar outros elementos que considerámos relevantes para enquadrar a génese da desconfiança assumida pela Casa Civil do Presidente da República. Não conseguimos porém ir muito mais longe do que já sabíamos e era insuficiente para, sem que outras fontes assumissem a informação, nós noticiarmos com o grau de confiança e fiabilidade exigível.

10. Para o PÚBLICO este não é um episódio encerrado e muito menos um sillygate, razão pela qual os nossos jornalistas continuam a trabalhar para reunirem a documentação e/ou os testemunhos que nos faltam para sustentar as outras informações que possuímos mas que ainda não estão em condições de serem reveladas pois não passaram por todos os crivos da prova e contra-prova.

José Manuel Fernandes

21 comentários:

claia disse...

As explicações do Director e dos jornalistas do PUBLICO não colhem. São aliás de uma confrangedora falta de profissionalismo.
Mas, o pior desta noticia é que este jornal, há alguns tempos considerado "de referência" por muitos portugueses, tem vindo a desempenhar um papel activo mas não assumido, a favor de um partido politicio, no período de pré-campanha eleitoral. Porque não assumir?
Deixei já há algum tempo de comprar o jornal, passei depois a comprar esporadicamente, mas agora já nunca compro.
Carlos Laia

Anónimo disse...

Asfixia da Comunicação Social. Pois há! É ver o caso do Público - mas não é o Sócrates o mandante.
O JMF é um pau mandado. Ponto final.

Zé Miguel disse...

Sim, as trapalhadas são tantas que o jornal em si, e não só o director como até aqui, começa a ficar manchado.

Anónimo disse...

Também eu pertenço ao grupo de pessoas que saudou o aparecimento do jornal Público. Considerando que o referido jornal está com linhas editoriais pouco transparentes, só muito raramente é que o compro. Muito sinceramente, gostava de saber quem é que mantém José Manuel Fernandes enquanto director? Fui leitor / comprador muito assíduo do Público. Pedro Barros

rui disse...

Será que um assunto desta gravidade tem mesmo de esperar pelo próximo Domingo?
Tal como acabou esta crónica, o José Manuel Fernandes e os jornalistas envolvidos na notícia vão passar uma semana infernal de acusações eventualmente infundadas, num clima exacerbado pelo período que atravessamos. Nada que seja novidade em Portugal nos últimos tempos, mas seria desejável que este assunto fosse tratado de forma diferente.

Francisco disse...

Durante anos fui leitor assíduo do jornal O Público, desde o nº1 e da direcção de Vicente Jorge Silva.

Era na minha opinião o jornal diário mais isento e equilibrado do panorama de media em Portugal. Mas desde há uns anos este jornal, através das notícias publicadas ou dos artigos de opinião, decidiu por algum motivo assumir uma atitude com a qual discordo de apoio sistemático a um partido político.

Por isso deixei de ser comprador do Público e quando me perguntam a opinião sobre o este jornal, aconselho vivamente a não o comprar pois tem uma falta de isenção gritante! Bem pode o seu director acenar com a carta de Estilo que já ninguém acredita!

Eu não compro, e está explicado porquê, o delírio também já atingiu algumas cabeças que escrevem naquilo que foi um jornal.

Anónimo disse...

Pergunta o anónimo de 13-9 às 15:28, "quem mantém José Manuel Fernandes enquanto director"? Muito simples: Belmiro de Azevedo, que já inciou também a sua campanha pessoal contra Sócrates. Parece que o argumento psd de que sócrates só defende o grande capital não é muito sustentável.

Anónimo disse...

Apesar de se advogar a isenção como condição de legitimidade do jornalismo, a verdade é que as notícias são produzidas por meio da selecção e classificação dos factos a partir de categorias ideológicas. Por isso, nada tem de condenável que, uma vez fracassada a OPA, JMF tenha elegido Sócrates adversário a abater.

Vasco

Anónimo disse...

O que é vergonhoso é a insistência que este caso não está encerrado e que existem mais "factos que carecem de prova". Mas qual prova? Vão ligar para a "residência oficial do PM" a pedir o comentário da porteira??? Isso não existe, existe quando muito o local de trabalho do PM, que até eu, que não sou director de um jornal, sei que não reside em S. Bento...

Anónimo disse...

Convinha saber de que Rui Paulo Figueiredo estamos a falar. Será deste:
"Rui Paulo Figueiredo é Doutorando em Marketing e Direcção Estratégica de Empresas, Mestre em Ciência Política, Pós-Graduado em Comunicação e Marketing Político, Pós-Graduado em Ciência Política e Licenciado em Direito. É Adjunto Jurídico do Gabinete do Primeiro-Ministro e docente na Universidade Internacional. Pertence ao quadro do Ministério da Administração Interna e já exerceu funções profissionais como Adjunto e Assessor em diferentes gabinetes de membros do Governo, como consultor de empresas e como docente na Universidade Independente. Já desempenhou funções autárquicas em Lisboa como Vereador Substituto, membro da Assembleia Municipal de Lisboa, da Junta de Freguesia de S. João e como Presidente da Assembleia de Freguesia de S. João. Já publicou os livros “Aníbal Cavaco Silva e o PSD (1985-1995) ”, e “João Paulo II e a transição polaca para a democracia”. Lidera, actualmente, o Grupo de Trabalho encarregue de fundar o Think Tank ITD – Instituto Transatlântico Democrático. Foi participante, em Fevereiro de 2006, na iniciativa “A Project for Young European Leaders on Current Social, Political, and Economic Issues” integrado no International Visitor Leadership Program, promovido pelo Departamento de Estado dos EUA. É membro do Conselho Editorial da Revista Segurança e Defesa. É membro dos órgãos sociais da Associação Pró Infância de Santo António de Lisboa."
E ainda que mal pergunte o que estava um adjunto jurídico do Gabinete do Primeiro Ministro a fazer integrado na comitiva do Presidente da República.
O inverso também é verdadeiro? Há Adjuntos do PR integrados nas comitivas do PM?

Anónimo disse...

Sabemos que quanto melhores são as fontes de informação melhor é o produto jornalístico por isso é fácil concluir com este triste episódio para o jornalismo são fracas e não dignificam o cargo que acupam! Lamento que o Público tenha alimentado esta história.

NOCA disse...

Os comentadores anteriores já disseram bastante do que eu queria dizer. Direi apenas que também não compro esse "pasquim" em que se transformou um jornal de referência que era o PÚBLICO.
O que mais me impressionou foi a afirmação de que o "jornal" deu a notícia que no dia seguinte foi "confirmada" pela sic, tvi e diário de notícias, quando estes "media" se limitaram a dar uma notícia que dera o tal "jornal". Que grande confirmação!
E a entrevista "oportuna" do nosso milionário. Não podia ter escolhido melhor ocasião. Já não tem mais torres para impludir!...

Nicolae Santos disse...

Depois de largada a "bomba" do Diário de Notícias de hoje, muito mais há a dizer/escrever sobre esta história. Até agora, nem uma linha na edição online do jornal sobre o assunto. Até quando JMF continuará impunemente a destruir um jornal que já foi referência em Portugal ?

Anónimo disse...

É da responsabilidade do Presidente da República esclarecer SEM DEMORA o papel do assessor, que falou em nome dele. Se o assessor mentiu, que o diga. Se não mentiu, que o assuma.
Só pode haver uma explicação para o silêncio: é ele mesmo estar dentro da tramóia: o silêncio implica a responsabilidade.
O Presidente não pode adiar para depois das eleições o esclarecimento daquilo que pode ter consequências pesadas no dia 28. Com meia dúzia de palavras, o Presidente pode (e deve) esclarecer o assunto, visto de S. Bento.
Quanto ao Público, é desejável que sem demora se saiba quem é responsável e conivente com as mentiras e suspeições que noticiaram. Contamos com o Provedor. Os jornalistas não podem (ou não devem?!) abrigar-se atrás de fontes para caluniar o próximo. Deviam ser responsabilizados por tanta mentira e desonestidade. São os jornalistas que têm que fazer prova, pela prática profissional, da sua própria credibilidade. E apresentar PROVAS REAIS de tudo o que espalham pelo país.

Anónimo disse...

Tento na língua. Acusar pessoas que já deram muitas provas de serem sérias, independentes e fiéis à profissão que ocupam (o que não os iliba de erros - todos os profissionais os cometem) não só é ridículo como é parvo.
Existem histórias a mais de pessoas decentes demais (há vários anos, com provas dadas) para achar que José Sócrates é um animal feroz inocente. Há marosca. Existem interesses, informação oferecida ao DN (também o foi ao Expresso, que não seguiu o mesmo caminho dos colegas sensacionalistas) MUITO SUSPEITA.
Só não vê quem não quer.
É uma questão nacional saber como o DN obteve emails pessoais (partes deles, segundo diz Luciano Alvarez - e é de acreditar! - forjados). Porque quem consegue isso consegue muito mais, que não divulga. Isso demonstra que existe espionagem profissional e preocupante em jornais (e que pode facilmente existir também na Presidência da República).

Não sejam simplistas no pensamento. E acho que o Provedor, por mais linhas que escreva, foi simplista na análise feita e, ele próprio, tirou conclusões despropositadas.

Ser jornalista é ser honesto e fiel aos seus princípios. E eu acredito nos jornalistas do Público.
Ser polítiqueiro é ser mentiroso, manhoso, usurpador e fazer TUDO para manter o PODER. E isso é o mais perigoso que pode existir.

Existem manipuladores (fontes) políticos no horizonte. O do Público até já se sabem quem é. E quem é o do DN? (alguém do PS, é certo).

E porque é que o Provedor não tira conclusões sobre a forma como Rui Paulo Figueiredo demorou uma eternidade a reagir ao assunto e pior: esteve incontactável para o Público e OUTROS JORNAIS no período de lançamento da notícia.

O rigor funciona para os dois lados... ou deveria funcionar. Esta politiquice manhosa e manipuladora mete nojo. Há que saber interpretar os sinais.

Passa-se algo grave demais na democracia portuguesa, e o Governo não está fora dessa gravidade. Tem algum grau de envolvimento. É uma misturada e o Zé Povinho (que dá a ganhar eleições) vai decidir com base em informação misturada com desinformação e manipulações. Confusões que não ajudam a ter os factos, mas sim a despistá-lo.

No fundo, se o Zé Povinho tivesse tomates para arriscar na política, ainda punia a confusão dos tubarões e elegia um Louçã para primeiro-ministro ou mesmo um Ricardo Araújo Pereira.

Zé Povinho

lidiasantos almeida sousa disse...

Senhor Provedor, sobre este assunto já pouco posso dizer. Quando li a noticia no PUBLICO, confesso que através de outro jornal, porque com pena minha deixei de comprar o PUBLICO Escrevi um mail ao Presidente dando conta da minha tristeza e pedindo-lhe para urgentemente entregar o assunto ás entidades competentes ou despedindo o assessor que toda a gente sabia quem era, apesar de outras pessoas terem sido indicadas especialmente o Dr. Nunes Liberato por causa de uma crónica do Mário Crespo, no JN, ACUSANDO este Senhor de coisa semelhante. Fui enviando mais mails mas nunca recebi resposta. No dia da bomba do DN VOLTEI A ENVIAR OUTRO MAIL ao Sr, Presidente, lamentando a sua atitude de nada fazer e arrastar, segundo me parece, propositadamente o assunto, devido ás eleições, talvez pelas sondagens não estarem a ser favoráveis á candidata do seu Partido. Aliás este desfecho só se deve á denuncia publica do Louçã que revelou nos Gatos Fedorentos que a «toupeira» era o Lima. Em caso normal, não fossem as eleições o Presidente deveria demitir-se e por acaso o Garcia Pereira, ontem na televisão deu a mesma opinião. Deixar o caso em stand-by quer dizer que actuará conforme o resultado lhe seja favorável ou não. ACHO ISTO TUDO SINISTRO E NUNCA VISTO NEM MESMO DURANTE O INICIO DA NOSSA DEMOCRACIA. Haja o que houver, digo-lhe dos ultimos moicanos como jornalistas verdadeiros mas não actuantes. resta o SENHOR e o SENHOR REZENDES

fortix disse...

Vasco Ribeiro: "Mais de 60% das notícias [dos 4 principais jornais diários] são induzidas por fontes profissionais, como os assessores de imprensa."

Do mesmo Vasco Ribeiro: "O "Público" e o DN são os jornais que mais usam fontes anónimas".

Agora acrescento eu:

Fernando Lima terá dito a Luciano Alvarez que estava ali a pedido do PR. Ok! Não foi o primeiro nem será o último PR a passar informação aos jornais, como é dito no estudo de Vasco Ribeiro! Mas no caso Freeport, o nome de Sócrates também foi mencionado em emails e num DVD... e Sócrates disse que o seu nome foi usado abusivamente! Isso já resolveu o caso Freeport? Não!

Se eu suspeito de uma coisa, é porque não tenho provas. tenho "indícios"! Se tenho provas, não diria que suspeito, mas que tenho certezas! E recordo que até o PGR afirmou que nem ele próprio sabe se está a ser escutado!!! Esqueceram?

E agora, quem irá investigar as tais eventuais escutas ao PR? A PJ? O SIS? O MP? Mas se esses são potenciais suspeitos... como é que se sai daqui?

É o Provedor do Público que resolve o assunto? É a Fernanda Câncio? O João Marcelino, o jornalista elogiado por Sócrates numa entrevista na SIC e que revela fontes de outros jornais?!

Venham de lá os espanhóis investigar... os da PRISA... de TGV... ou seja, daqui a tantos anos como já dura o caso Freeport!!!

Filipe Paccetti disse...

Também quando surgiu o caso Freeport, há anos atrás, pela mão d'O Independente, foi tudo considerado uma maquinação desse jornal para assassinar politicamente o Sr. José Sócrates. Entretanto O Independente já não existe, mas foram constituidos creio que 6 arguidos, um dos quais acusou o dito Sr. Sócrates de envolvimento no caso. E vários dos "alegados" envolvidos são militantes ou parasitas do PS...

Um jornal aqui ao lado, chamado DN, em vez de investigar a substância factual dos casos, prefere dedicar-se a investigar a forma como os casos se tornam casos. O DN é a ERC transformada em jornal, o lápis azul em forma de papel. No fundo, o DN é o novo Provedor do Leitor d'O Público.

Anónimo disse...

Esta história está muito mal contada. O provedor afirma que apenas existe uma fonte quando os artigos dos intervenientes o desmente. Alguém mente.

Por outro lado um provedor escreve que a sua correspondência foi violada apontando culpados. Isto é gravíssimo e é um caso de polícia.

Toda esta história é muito estranha, ficando todos mal na figura -- desde o suposto espião até ao PR. Mas note-se que a resposta escrita de TN não confirma ou "desconfirma" que o "espião se sentou" no lugar errado....

Anónimo disse...

O Púbico acaba de perder uma leitora assídua
Anónimo

Geometriavariavel disse...

Caro Director do Público
Também eu fui um leitor do Público desde o seu primeiro número. Bem sei que a situação do Jornal não é a melhor e que as pressões devem ser fortes, mas desta vez a historia foi longe de mais. Os factos não têm qualquer aderência à vossa "história" e apenas servem alguns interesses conjunturais.
Na defesa dos jornalistas e do próprio Jornal, Caro Director retrate-se rapidamente ou lamentavelmente a história do jornalismo ficará marcada por esta mancha.
Com os melhores cumprimentos