“A diferença entre as sondagens e o resultado do referendo na Suíça provam que ‘há uma discussão oficial sobre o islão e uma discussão subterrânea’” (26 Dez. 2009, pág. 25);
“o número de assinantes de televisão paga (...) atingiram um novo máximo superior a dois milhões e meio de assinantes” (passe a redundância da palavra assinantes) (P2, 6Dez., pág. 18);
“A atmosfera que imprimiu ao seu programa redefiniram os talk-shows americanos” (P2, 21 Nov., pág. 15);
“a cobertura dos temas do PSD estão muito aquém do esperado” (11 Nov., pág. 13);
“As filmagens, a iniciar em Setembro desse ano, não estava dependente da contratação de alojamento hoteleiro para o pessoal técnico e artístico” (10 Nov., pág. 10);
“O discurso solto e simpático denunciam-lhe a juventude” (10 Nov., pág. 35);
“a música – todas as artes – transformam-se em esqueletos esvaziados e inúteis” (P2, 28 Out., pág. 3);
“As exumações requeridas por outros, que a família García Lorca não quer prejudicar, alterou os dados do problema” (P2, 25/10, pág. 10);
“...e o preço das casas caem inesperadamente” (subtítulo, 20 Out., pág. 21).
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
Os constantes erros de concordância
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Cuidado: "avalanche"!
Tal como Bernardo Soares (heterónimo de Fernando Pessoa, que escreveu "A minha pátria é a língua portuguesa"), defensor intransigente do idioma luso, ouso questionar qual o motivo de a jornalista Isabel Gorjão Santos ter utilizado, na página 14 do PÚBLICO de 06.08.08 nada menos de 7 (sete!) vezes o galicismo/anglicismo "avalanche" em vez do português "avalancha".
João Chambers
RESPOSTA DO PROVEDOR: O Grande Dicionário da Língua Portuguesa, de João Pedro Machado (Amigos do Livro, 1981), aceita as duas grafias, embora admitindo que a palavra original ("avalanche") é francesa.
RÉPLICA DO LEITOR:
Não tendo concordado com as explicações dadas em relação ao galicismo "avalanche", abusivamente utilizado nas páginas do PÚBLICO, consulto o HOUAISS, Edição de 2002, do Círculo de Leitores, e verifico, então, o seguinte:
- "avalanche" (escrito em itálico)- substantivo feminino (confira Francisco Solano Constâncio - "Novo diccionario critico e etymologico da lingua portugueza (sic), Paris 1836") ver AVALANCHA.
- avalancha - substantivo feminino (confira Cândido de Figueiredo "Novo Diccionário da Língua Portuguesa (sic), Lisboa 1939, 5.ª edição") - (entre outras hipóteses) Geologia - queda rápida e violenta de grandes massas de neve ou gelo pela encosta de
montanhas altas. Forma histórica 1836 avalanche, 1899 avalancha.
Como defensor intransigente da língua portuguesa ouso, então, questionar porquê, num jornal que se pretende de referência, a utilização insistente e repetitiva de um estrangeirismo quando, para a mesma palavra, existe um termo bem português? É que no artigo a que aludi o termo foi utilizado nada menos de sete vezes!
A bem da língua portuguesa.
João Chambers
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17:31
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Que é uma "porção de fruta"?
Escrevo porque gostaria que um jornal como o PÚBLICO continue a ser uma referência em termos de qualidade da informação mas também de cuidado na linguagem e na escrita. Ora, no que concerne às traduções a partir da língua inglesa, dois artigos consecutivos da revista "Pública" de 24.08.2008 merecem alguns reparos. No artigo "A Venezuela volta à ribalta da beleza", para além de algumas gralhas ("Sozsa" em vez de "Sousa") e falta de pontuação ("andarem, falarem dançarem"), parece-me que em português se diz "exprimirem" em vez de "expressarem". No penúltimo parágrafo a palavra "even", nem sequer foi traduzida.
Já no artigo "A longevidade em números", opta-se por se escrever "pacientes", quando em linguagem médica corrente se diz "doentes". A palavra "ibuprofen" mostra falta de esforço em investigar que existe uma tradução portuguesa, "ibuprofeno", que aliás é um medicamento bem conhecido dos portugueses. Para além disso, faz-se no artigo referência a "porções de fruta". Ora este conceito foi desenvolvido nos Estados Unidos e a maioria dos portugueses não sabe que "fruit or vegetable serving" corresponde a meia chávena de fruta ou legumes ou a uma chávena de verduras como o espinafre ou a alface, segundo definição do Departamento de Agricultura dos EUA. Este esclarecimento teria sido útil no artigo. De um modo geral, parece-me que este último artigo careceu de revisão por alguém com conhecimentos na área da saúde. É que traduzir é também ter em atenção a população a que o texto se destina.
Isabel Santos Cruz (médica)
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16:53
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As duas fórmulas são aceitáveis
Sou uma criança de dez anos que ficou um tanto confusa pelo facto de, na edição de 10-09-08, no artigo do P2 que falava sobre uma princesa japonesa que não seria imperatriz, o PÚBLICO ter optado por "imperadora" em vez de "imperatriz".
Renato Pedro da Costa Marques
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O autêntico dióxido de carbono
Mais uma vez o PÚBLICO, um dos poucos jornais portugueses com conteúdos científicos, insiste em escrever erradamen-
te a fórmula química do composto dióxido de carbono. Escrever CO2 sem que o algarismo 2 seja posto em índice (“subscript”) em relação às duas letras que o antecedem é erro grave. Ao abrigo das convenções científicas, este algarismo é um índice que indica a existência de dois átomos de oxigénio e é assim que se escreve, e não de outra forma qualquer. Como o PÚBLICO escreve, titula e até põe na primeira página, pode mais justamente ser lido como duas moléculas de monóxido de carbono (embora escrito de forma não canónica, pois um algarismo escrito à mesma altura das fórmulas químicas indica o número de moléculas e não o número de átomos de cada elemento que a constituem).
Percebo [que tecnicamente seja difícil escrevê-lo], mas imagino também que noutros jornais terão o mesmo problema. Tem de se ter atenção redobrada. No El País vejo sempre o dióxido de carbono bem notado. Cabe aos editores chamar a atenção dos gráficos de cada vez que se tem de escrever índices ou expoentes. Não vejo como é que isso possa não fazer parte das suas competências.
Embora o PÚBLICO não seja particularmente preocupado com a revisão do português - isso é notório -, imagino que ninguém no jornal ficará satisfeito por ver publicado um erro ortográfico. Para quê insistir em cometer um erro científico por falta de atenção à necessidade de seguir a finalização das páginas durante mais um bocado. Mais grave quando muitas vezes vem em chamada de primeira página ou em título.
Nuno Magalhães
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Um leitor atento
Li no passado fim-de-semana, e lamento não poder situar melhor o que li porque me "subtraíram" o exemplar do PÚBLICO que eu gostaria de citar, que "o" vacatio legis demasiado curto (ao contrário do que acontecia no passado ) é obstáculo à correcta aplicação das leis de recente elaboração ou alteração.
Não desejando entrar na polémica jurídica (para a qual não me sinto preparado), gostaria de me fixar no uso do masculino "o" para reger a expressão latina "vacatio legis". Curto e directo, acho que devia ser "a" e não "o", porque "vacatio" é um substantivo feminino. E não me venham com as desculpas à Rodrigues Lapa (inveterado poético desculpador...) de que o artigo masculino não rege a "vacatio" que lá está mas sim um qualquer conceito expresso num masculino que teremos de adivinhar...
É uma pena que o Houaiss não acompanhe o registo da expressão latina "vacatio legis" (vol. XVI, p. 8059) das iniciais s.f. que dedica a todos os substantivos femininos. Uma simples incursão no clássico dicionário de latim do Torrinha (grande mestre...) tiraria todas as dúvidas. E bons tempos eram esses, quando os candidatos a juristas aprendiam uns rudimentozitos de latim no 6º e no 7º anos do liceu. Ao menos, quando chegavam a Coimbra, já não ficavam de cara à banda perante o "cum grano salis" com que os mestres os mimoseavam...
José Maria M. P. Rocha (24 de Março de 2009)
Gostaria de referir o excelente artigo de Desidério Murcho, intitulado "Pensar outra vez", dedicado ao "nacionalismo" de Fernando Pessoa, expresso na afirmação tão citada "Minha Pátria é a lingua portuguesa". E gostaria de assinalar a seguinte construção usada pelo jornalista: "...com o mesmo horror ao português mal escrito que um patriota à invasão..." (PÚBLICO, 24 de Março de 2009, P2, p. 3).
Como se fica com a impressão de aquele "que" estar um pouco "desapoiado", eu gostaria de perguntar ao senhor jornalista se concorda que teria sido melhor português escrever "de" em vez de "que", assim: "o mesmo horror... de um patriota... ". Assim se dispensava a redundância de uma construção "correcta" que seria "com o mesmo horror... com que um patriota reagiria à invasão do...". Horrível, claro, mas correctíssimo...
É verdade que o português, às vezes, é muito difícil. E então, quando o queremos tornar mais simples...
José Maria M. P. Rocha (25 de Março)
Ando há "um ror de tempo" para escrever sobre este assunto, e hoje deparou-se-me a oportunidade que reputei de ideal, embora pudesse haver melhor, claro... Afinal, qual será melhor português? "...nos últimos três anos" (PÚBLICO, 30 de Março de 2009, p. 32, col. 4) ou "...nos dois primeiros lugares" (id., id., p. 23, col. 1). Há sociedades europeias que exigem que os seus alunos aprendam a diferença entre "os dois primeiros" e "os primeiros dois", ou "os últimos três" e "os três últimos".
José Maria M. P. Rocha (30 de Março)
1. Terça-feira, 31 de Março, PÚBLICO, P2, p. 2, col. 4 - Por que motivo é que o "i" de "judaizaram" recebeu acento agudo? aquele "i" não é a sílaba tónica...
2. Quarta-feira, 1 de Abril, PÚBLICO, p. 1, col. 4 - O Eurojust está "sedeado" em Haia (há quem prefira "na Haia")? Não seria melhor "sediado"? Vd. "Houaiss", tomo XVI, p. 7241 "sedear" (limpar com escova de seda...) e p. 7243 "sediado" (com sede, (em algum lugar)).
3. Quinta-feira, 2 de Abril, PÚBLICO, p. 4, col. 1 - "Um iPod, sua Majestade" - que está ali aquele "sua" a fazer? É para traduzir o mais que provável "Your Majesty!" ( com "!") que o presidente Obama terá usado ao falar com a rainha Isabel II? Em português devia estar "Majestade!", com "!" e sem "sua", que é grossa asneira.
José Maria M. P. Rocha (2 de Abril)
1. Verifiquei, com agrado, que a minha observação sobre a diferença entre "os dois primeiros" e "os primeiros dois" estava, aparentemente, a produzir efeito, não fosse o deslize do redactor Escobar de Lima (PÚBLICO, 30 de Março, p. 23, col. 1): "...uma equipa conseguiu colocar dois pilotos nos dois primeiros lugares." Milagres acontecem...
2. Gostaria de insistir no anómalo "o mesmo do que", com que a redactora Ana Dias Cordeiro (PÚBLICO, 4 de Abril, P2, p. 11, col. 1), talvez por andar lá nas maravilhosas lonjuras das Comores, nos mimoseou. Citando: "Agora, os habitantes querem ter os mesmos benefícios do que qualquer outro cidadão francês,..." Então eles não querem ter "os mesmos benefícios que (tem) qualquer outro ..."
3. Se ainda estiverem com disposição para me aturarem, gostaria de perguntar por que motivo o PÚBLICO aderiu à nova fórmula de indicar os resultados no futebol. Então, quando uma equipa ganha em casa é por 1-0 e quando ganha fora é por 0-1? Repito que esta anómala forma de indicar os resultados "ganhadores" (ganhar por 0-1...) não é exclusiva do PÚBLICO, mas gostaria de saber se em A Bola de há 40 anos se falava assim de qualquer clube. Quando se ganhava era sempre por 1-0 e nunca por 0-1. Por 0-1 perde-se, ou não será assim? (Atenção, este resultado de 0-1/1-0 é irrelevante. Pode ser 1-2/2-1 ou qualquer outro diferente de empate.)
4. A terminar: ainda acerca do "Majestade/Sua Majestade", etc., gostaria de chamar a atenção dos senhores redactores do PÚBLICO para o programa "Diga lá, Excelência" (e nunca, que nunca foi, "Sua Excelência"), umas vezes com a vírgula no sítio certo, outras vezes nem por isso... E, claro, (e que pena...) sem o "!" que deve acompanhar os vocativos. Os redactores do PÚBLICO deviam ler o PÚBLICO... e escrever "Diga lá, Excelência!"
José Maria M. P. Rocha (8 de Abril)
Não, não lhe venho falar do recente qui pro quo de as más notas em exames de matemática terem sido atribuídas à influência negativa dos jornais, televisões, professores, etc.
Queria só perguntar o que é que está a fazer a palavra "mil" na expressão "...até ao valor de 44.800 mil euros...", na notícia referente à legalização do Oceanário do Porto (PÚBLICO, 16 de Julho, p. 28 , Local).
Assim, os estudantes aprendem asneira...
José Maria M. P. Rocha (16 de Julho)
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terça-feira, 29 de dezembro de 2009
Alá é grande e Maomé é o seu profeta?
Sou, desde início, leitora assídua do PÚBLICO, e já por diversas vezes hesitei em escrever algum feedback em resposta a situações que me levantam perplexidade, mas desta feita, talvez pelo acumular de alguma tensão relacionada com situações limítrofes à que motiva este contacto, fá-lo-ei.
Referem-se estas palavras a uma notícia assinada pela jornalista Maria João Guimarães [24 de Dezembro, pág. 12]. Nela, intitulada "Relatos de confrontos entre polícia e manifestantes em duas cidades iranianas", surge a expressão, e cito-a, "profeta Maomé". A pergunta que faço, desdobrada em algumas interrogações derivadas, é extremamente simples: "profeta"? Como? Para quem?
Por outras palavras: posso estar enganada, mas apelidar alguém de "profeta" é: a) reconhecer a validade da sua pretensão em se afirmar como tal; b) reconhecer a autenticidade da sua mensagem, neste caso de origem divina, pois é-se, neste caso, profeta de uma divindade; c) reconhecer tal tratamento como adequado tal como o fazem os seus seguidores; d) etc.
Não me parece que tal, por mais que o possa parecer, seja uma realidade com implicações anódinas e inócuas. Não se vê a escrever-se "o Deus Jesus", tal como foi indirectamente reivindicado por Jesus, nem como é directamente afirmado pelo cristianismo histórico. Claro que, à primeira vista, esta última denominação parece implicar uma "afirmação de fé", mas a verdade é que, e sem desejar estar a condicionar a resposta que gostaria de poder acreditar que receberei às questões que mais acima coloco, chamar a Maomé "profeta" também o é.
Maria Manuela d’Orey Sant’ana
Escrevi "o profeta Maomé" no contexto da explicação de uma celebração religiosa xiita, portanto a sua descrição – personagens e acontecimentos – foram todos feitos do ponto de vista da narrativa do islão.
Se a leitora quiser, pode reparar que é como faz toda a imprensa internacional de referência, desde o israelita Jerusalem Post até ao americano New York Times, passando pela BBC, três exemplos entre muitos mais.
Alguns links, para verificar:
http://www.jpost.com/servlet/Satellite?cid=1261364519891&pagename=JPost%2FJPArticle%2FShowFull
http://news.bbc.co.uk/2/hi/middle_east/8432114.stm
http://thelede.blogs.nytimes.com/2009/12/27/iranian-militia-halts-speech-by-former-president-in-tehran-mosque/
Maria João Guimarães
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05:45
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