segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Certo ou errado?

Será que é o próprio provedor do leitor que escreve (11 de Outubro, na pág. 35) "E depois há coisas que se lê neste jornal e não se acredita"?

Não se acredita mesmo!

Mercedes Olazabal

NOTA DO PROVEDOR: O provedor, antes de escrever, reflectiu muito sobre essa frase (que já não é a primeira vez que usa) e acredita que é admissível. Está porém aberto a interpretações contrárias.

Ei, anda alguém a ler isto?

A linguagem jornalística está dominada por uma série de vícios que nada nem ninguém consegue já eliminar


Estará o investigador Jorge Pacheco apostado em ajudar o cancro a derrotar a espécie humana?



O mais frustrante da actividade do provedor é perceber que as suas chamadas de atenção caem em saco roto. Não tanto no que respeita a recomendações sobre a prática jornalística, pois a redacção do PÚBLICO é livre de discordar do que aqui se diz, mas sim quanto ao respeito pela língua portuguesa e à salvaguarda dos seus normativos – o que devia passar por consensual e universalmente aceite.

A crónica anterior (“Em defesa da pátria”) foi já dedicada a questões linguísticas, entre elas o frequente problema da errada tradução literal de termos ingleses. Pois logo nesta semana dois leitores alertavam o provedor para uma calinada do género. Numa notícia sobre as exigências de última hora do presidente checo, Vaclav Klaus, para assinar o Tratado de Lisboa, saída no PÚBLICO.PT na quinta-feira e repetida anteontem na pág. 18 da edição em papel, dizia-se que o primeiro-ministro sueco, Frederik Reinfeldt, na qualidade de presidente em exercício da União Europeia, teria declarado: “Pelo que percebi, ele pediu [que fossem incluídas] numa nota de rodapé duas sentenças relacionadas com a carta dos direitos fundamentais”. Comentou Rui Miguel Neiva: “A não ser que o presidente checo esteja a pensar condenar alguém, suponho que o que ele quer incluir são duas frases (‘sentences’ em inglês) e não duas sentenças. Sinceramente já começam a cansar estes erros tão básicos. Quando estamos a falar de palavras mais desconhecidas ainda se pode compreender a transliteração do inglês, agora nestes casos penso que é de uma falta de profissionalismo inimaginável”. E acrescentou Nuno Curado: “Tendo em conta que o primeiro-ministro sueco se estava a referir a duas frases e não a duas sentenças judiciais, acho que se trata de um erro muito grave. Mesmo tendo em conta a contenção de custos que o PÚBLICO tem tido, há um mínimo aceitável nas revisões que se fazem num jornal de suposta referência”.

Na crónica anterior também se criticava uma liberalidade jornalística cada vez maior quanto ao uso de preposições, como se não houvesse o cuidado de recorrer à mais adequada, mas sim à que melhor soa aos ouvidos do redactor. O leitor Rodrigo Valle Teixeira criticou o título da pág. 5 de 5 de Setembro "Cientistas portugueses usam teoria dos jogos para redefinir o combate do cancro", sublinhando que “a batalha não é do cancro, é contra o cancro”. E não se tratou de mera distracção, já que o mesmo erro apareceu no texto (“A equipa descobriu que o sucesso do combate deste cancro...”) e na legenda da foto (“O estudo de Jorge Pacheco dá novas pistas para o combate do cancro”). Ou então teremos um bizarro grupo de cientistas apostados em ajudar o cancro a derrotar a espécie humana.

A sensação – um pouco impotente – que se tem é que a linguagem jornalística está dominada por uma série de vícios que nada nem ninguém consegue já eliminar. Um dos mais frequentes, e contra o qual o provedor desde cedo declarou guerra, é aquele que nesta coluna foi baptizado como “praga de Catual”: a passagem por artes mágicas da partícula “que” a sujeito singular quando faz as vezes de plural, o que obrigaria o predicado (verbo) correspondente a respeitar o plural. É o caso apontado por Francisco Luís: “Ouso perguntar se está correcta a frase que leio no editorial do esclarecidíssimo director [José Manuel Fernandes] do jornal (18 de Agosto, penúltimo parágrafo): ‘A Califórnia é um dos estados que está a mudar a sua legislação’. Porque está em moda esta – julgo! – errada forma gramatical, gostaria de saber se o correcto não seria, ou será: ‘A Califórnia é um dos estados que estão a mudar a sua legislação’.” Seria, com efeito. E não é que horas depois escrevia de novo o mesmo leitor? “Nem de propósito!”, comentava. “Leio o PÚBLICO e deparo na pág. 6 [de 20 de Agosto] com ‘um dos raros socialistas que esteve ao lado de Cavaco na polémica do Estatuto dos Açores’. Esteve ou estiveram?”

A praga alastrou de facto, e é cada cavadela sua minhoca. Eis exemplos colhidos pelo provedor da mais recente leitura do jornal: “uma das muitas caras que em frente à Casa Branca comentava a atribuição do Nobel da Paz” (ontem, pág. 6); “Severiano Teixeira é um dos ministros que tutela as contrapartidas” (legenda de foto, 3 de Outubro, pág. 3); “Sócrates é dos que mais tem feito pela pobreza” (provavelmente, tal como quanto ao cancro, será “contra a pobreza” – 26 Set., pág. 17); “um dos países que já asseguraram que sustentará esta ambição portuguesa” (o primeiro verbo ainda manteve a correcção, mas o segundo falhou-a – 22 Set., pág. 8); “era um dos poucos cubanos ainda vivos que ostentava o título de ‘comandante da revolução’” (13 Set., pág. 16); “um dos artistas que passa de um lado para o outro com um trabalho completamente ímpar” (6 Set., pág. 7); “um dos poucos políticos que se preocupava com os seus eleitores” (28 Ago., pág. 13); “um dos primeiros políticos de âmbito e gabarito internacional que, logo a seguir ao 25 de Abril, fez questão de vir a Lisboa e ver com os seus próprios olhos o que se estava a passar” (27 Ago., pág. 6); “um dos banhistas que saiu da água” (23 Ago., pág. 7); “uma das romarias que aposta forte na música” (16 Ago., pág. 5); “um dos portugueses que já faz do póquer profissão” (legenda, Pública, 9 Ago., pág. 19); “Salário mínimo português foi dos que mais cresceu na zona euro durante a crise” (título a toda largura da pág. 15, 5 Ago.); “um dos que mais sobe na zona euro” (5 Ago., pág. 15); “A memória das nossas pretensões anteriores é das que mais magoa” (29 Jul., pág. 31); “Uma das possibilidades que ontem era avançada” (27 Jun., pág. 14); “nem sequer era um tópico da actualidade mas antes um daqueles que é reciclado regularmente” (P2, 24 Jun., pág. 10); “Uma das situações que mais me tem intrigado” (P2, 20 Jun., pág. 18); “um dos homens que agora tentou fugir de Caxias” (18 Jun., pág. 37); “Um dos juízes de Braga que condenou o ucraniano” (12 Jun., pág. 11); “Uma das páginas do PÚBLICO que fez a comunidade gay delirar” (legenda, Inimigo Público, 11 Jun., pág. 3); “um dos nomes do contingente nórdico de autores de ‘policiais’ que está a ser descoberto” (Ípsilon, 5 Jun., pág. 43); “é um dos dispositivos que poderá mudar os dados” (3 Jun., pág. 16); “uma das autoras que contribuiu com artigos sobre o caso” (P2, 3 Jun., pág. 5): “é um dos magistrados ligados ao Freeport que terá manifestado suspeitas” (14 Fev., pág. 9).

Será fútil esta reiterada colheita do provedor? A expectativa era que, com a denúncia repetida do erro, os jornalistas se corrigissem, mas na verdade não há melhoras, e a praga campeia por aí. O provedor duvida até que os membros da equipa do PÚBLICO leiam esta página, já para não falar em reflectirem sobre o que nela se diz.

Situação idêntica surge com a aqui já designada “síndrome da bica”, como se o jornalista deixasse uma frase a meio para ir tomar um café e a terminasse no regresso sem ligar ao que antes escrevera. Resultado: discordância entre sujeito e predicado, no género ou na quantidade. Deve dizer-se que estas ocorrências fazem a delícia de alguns leitores, como A.F. Neiva Correia: “Li no PÚBLICO de 4 de Março o artigo que fazia manchete [‘Deficiente perde benefícios fiscais por falsa dívida de 1,97 euros’] e fiquei elucidado sobre o nível, ou a falta dele, dos que escrevem nesse jornal. Vamos aos factos: ‘Todo esta situação foi confirmado ao PÚBLICO por fonte oficial’. Desculpe? ‘Todo a situação confirmado’? Mas há mais: ‘dois despachos da DGCI determinam que fossem anuladas os benefícios fiscais’. ‘Anuladas os benefícios’? Em que planeta vive este jornalista? Ainda na mesma edição, pág. 31: ‘a fiabilidade global das demonstrações financeiras (...) poderão ser questionadas’. A ‘fiabilidade poderão’?”

Últimas ocorrências (entre certamente muitas outras, já que a leitura que o provedor faz do jornal está longe de ser exaustiva): “A nossa incapacidade de debatermos o regicídio, a noite sangrenta ou, no pós 25 de Abril de 1974, a descolonização resultam em grande parte dessa atávica associação” (8 Out., pág. 37); “O secretário-geral do PS, assim como outros dirigentes do partido, já disseram quarta-feira que consideravam o caso encerrado” (3 Out., pág. 7); “Tentámos contactar Manuela Moura Guedes, mas não obteve resposta até ao fecho desta edição” (idem, ibidem); “os mal-entendidos entre a essência do projecto europeu e os seus destinatários não parou de crescer” (entrada de artigo, P2, 1 Out., pág. 5); “Louçã manteve o mesmo tom acusador e inquiridor que o caracterizam nestes debates” (9 Set., pág. 9); “o fim dos benefícios fiscais fazem parte de um modelo diferente de organização económico-social” (idem, ibidem); "O regresso das acções terroristas da ETA trouxeram ontem à rua" (21 Jun., pág. 40); “Os refrescos e as sanduíches são exclusivos e deliciosos, mas, crucialmente, também são baratas” (29 Abr., pág. 35); “Se a viabilização deste projecto parece ser certo” (16 Abr., pág. 4).

E depois há coisas que se lê neste jornal e não se acredita: “o caso social mais urgente da persecução de obras públicas” (trata-se não de perseguir as obras públicas mas da sua prossecução – entrada de artigo, 3 Set., pág. 4); “levou a que um fogo provocado por uma avaria eléctrica se espalha-se por todo o aparelho” (P2, 2 Set., pág. 2); “A mãe, bailarina, prevera nos astros” (P2, 2 Set., pág. 4); “as comemorações do centenário da República, que serão comemorados no próximo ano” (11 Ago., pág. 6); “Há 1h00 da manhã de ontem” (20 Jul., pág. 8); “Embora o avô de Lobo Antunes lê-se pouco” (P2 6 Jul., pág. 4); “duvido que LFV aceita-se um debate” (P2, 20 Jun., pág. 2).

Por último, o desabafo enviado ao provedor há uma semana pelo leitor José A. Ribeiro da Cunha: “No dia em que escreve ‘em defesa da pátria’, encontro esta pérola na pág. 4 do PÚBLICO: «’Obrigada Irlanda’, afirmou Durão Barroso».”

A luta continua.

Publicada em 11 de Outubro de 2009

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

A "toupeira"

Depois de ter visto um porco a andar de bicicleta, só mesmo um e-mail com pernas me espantaria!

Como é que um e-mail, uma, duas ou três páginas A4, se desloca do arquivo do PÚBLICO para a redacção de dois ou três órgãos de informação concorrentes? Como? Só mesmo se as ditas páginas tiverem pernas, presumo!

Mais de 30 anos depois de Abril, custa-me aceitar que ainda andem por aí uns quantos coitados, que antes designávamos de bufos do Regime. Tendo em conta os elementos conhecidos, estou em crer que andamos todos enganados, pois não existe outro nome para classificar alguém que subtrai correspondência da sua empresa em beneficio de outra, seja qual for o teor da mesma.

Gostaria de saber se o PÚBLICO vai deixar cair este detalhe de carácter pidesco, parte essencial de toda uma história à volta de um e-mail, pois, que se saiba, nunca os bufos fizeram nada sem disso terem tirado benefícios pessoais, e nesse caso teremos de admitir que alguém encomendou esta história!

Estranho não deixa de ser o facto de muitos dos meus correligionários de esquerda não terem sequer valorizado esta parte da história. Será que por si só a conquista do poder justifica tudo e mais alguma coisa?

E, se sobre o teor do referido e-mail já muito foi dito, e muito se pretende ainda dizer, pois enquanto andarem a lamber esta e outras histórias ninguém se lembrará de falar do presente e do futuro do país, das coisas que realmente interessam e que podem contribuir para ultrapassar as desigualdades sociais existentes e com tendência para se agravarem…

Sinceramente espero que o PÚBLICO se livre desta toupeira e doutras se as houver, pois elas debilitam as raízes duma informação idónea.

Francisco José Pinheiro Gonçalves

A "trapalhada"

Como sabe, achei que o tema das “escutas ao PR” era colateral, mas tomou as dimenões excessivas - isso já todos entendemos, mas não percebemos onde começou, para que começou, qual o motivo de o PÚBLICO se ter envolvido em toda esta trapalhada! Muitos saíram menos bem, na forma, mesmo que não no conteúdo, até o Presidente da República.

Mas também teve repercussões no próprio PÚBLICO, se bem que se José Manuel Fernandes já estava a querer sair em Julho talvez (talvez, penso) até nem devesse dar cobertura a que toda esta trapalhada tivesse inicio em meados de Agosto passado.

Hoje, já em Outubro, passadas as eleições legislativas, fiquei por entender para que serviu tudo isto, e tenho pena, unicamente no aspecto de que percebi que o PÚBLICO também “entra” por áreas que nunca deveriam ser as suas.

Gostaria que quisesse, como Provedor, tentar explicar-nos mais detalhes de tudo, o final de tudo, e qual será o papel de José Manuel Fernandes no dia 1 de Novembro no PÚBLICO.

Presumo que muitos leitores ainda não entederam/entendemos...

Augusto Küttner de Magalhães

domingo, 4 de outubro de 2009

Em defesa da pátria

Se, como escreveu Pessoa, “a minha pátria é a língua portuguesa”, preservar a língua é lutar pela pátria


Ao contrário do que disse o PÚBLICO, o jornalista não “assaltou” Bush com os
sapatos


Mais do que um território, um conjunto de tradições ou um traço genético, a língua pode ser factor de identidade de uma comunidade nacional. Tome-se como se quiser, é isso que diz o aforismo de Pessoa: “A minha pátria é a língua portuguesa”. E o futuro da língua está hoje nas mãos dos media: é a imprensa e os meios electrónicos de comunicação quem define a forma como se fala e falará. Daí a responsabilidade dos jornalistas, que pode ser encarada de muitas maneiras mas que, para um jornal com o estatuto editorial do PÚBLICO, deveria ser no sentido de defender de modo coerente a correcção do português – o que implica apurados cuidados da parte de quem escreve.

O provedor já noutras crónicas tem sublinhado este aspecto, com o levantamento de inúmeros erros, muitos deles sistemáticos, que poderiam ser corrigidos com melhor formação ou até com um pouco mais de atenção ao que se verte para o teclado. A extinção progressiva - ditada pela contenção de custos – dos revisores de texto, a quem incumbia a tarefa de zelar pelo respeito das regras, só tem ajudado a tornar as coisas piores. Os alertas lançados nesta coluna destinam-se apenas a fazer ver como muitos erros podiam ser evitados se os jornalistas tivessem um pouco mais de sensibilidade para o problema.

Veja-se o caso dos estrangeirismos, cada vez mais frequentes, porque cada vez mais, abdicando da investigação própria (também devido à poupança), se traduz notícias e informações já publicadas noutras línguas (sobretudo em inglês e na internet). Entre muitos outros, eis dois exemplos detectados pelo leitor Rodrigo Valle Teixeira na edição de 5 de Setembro: na pág. 5, no artigo "Cientistas portugueses usam teoria dos jogos para redefinir o combate do cancro", “no segundo parágrafo, a frase ‘Se tudo corre bem, há um balanço entre esta dinâmica...’ deveria ser "Se tudo corre bem, há um equilíbrio entre esta dinâmica...’; na pág. 14, no artigo "Cinco pessoas morreram em protestos em Xianjiang", “onde se lê ‘com o tráfico cortado’ deveria ser ‘com o tráfego cortado’”. Comenta o leitor que no primeiro caso “parece uma tradução literal errada do inglês ‘balance’”, e quanto ao segundo: “Imagino que as autoridades chinesas tenham cortado o trânsito automóvel, e não o tráfico de substâncias ilegais”.

Ainda a propósito do Oriente, a legenda de uma foto da reportagem “Bebés roubados na China alimentam negócio das adopções”, na pág. 4 do P2 de 28 de Setembro, fala em “oficiais do planeamento familiar”, quando o texto, correctamente, menciona “funcionários do planeamento familiar”. Não consta, na verdade, que o planeamento familiar naquele país seja efectuado pelo exército, mas sim por funcionários (“officers” em inglês) governamentais.

Mais para ocidente, noticiou o PÚBLICO de 13 de Setembro, na pág. 15, sobre o jornalista iraquiano que atirara os sapatos a George Bush durante uma conferência de imprensa em Bagdade, que fora “condenado a três anos de cadeia por assalto a um chefe de Estado estrangeiro”. Tradução errada do inglês “assault”, que não significa “assalto” (a uma pessoa) mas sim “agressão”.

E a 10 do mesmo mês escrevia-se na pág. 14 sobre um “candidato incumbente”, expressão inexistente nos dicionários de português, em que não há equivalente para “incumbent” (do inglês, um eleito recandidato). Em contrapartida, existe uma palavra portuguesa para significar a expressão inglesa “statute of limitations”, que é “prescrição” (legal), mas o jornalista-tradutor que fez uma notícia para a pág. 13 dessa edição não deu por ela, escrevendo: “Não existe qualquer estatuto de limitação da responsabilidade pelos crimes de guerra”.

Ainda no domínio jurídico, escreveu Nuno Curado: “Não percebo como é que num ‘jornal de referência’ não há o cuidado para evitar a tradução directa de certos termos em inglês quando estes não correspondem na língua portuguesa. Utiliza-se no texto o termo ‘evidências’ como se se tratasse da palavra ‘provas’. Isso funciona em inglês em que ‘evidence’ realmente tem esse significado”. (O leitor, que escrevia em 24 de Setembro, não disse onde é que detectou a “evidência”, e o provedor também não a localizou, mas o erro é tão frequente nos media portugueses que, mesmo assim, vale a pena o alerta).

Quanto a Rui Miguel Neiva, reparou no seguinte: “Na edição de 15 de Setembro, no artigo da pág. 20 sobre a 'guerra dos pneus' entre os EUA e a China, diz-se no final da primeira coluna: ‘(...) e vêm responder às reivindicações das uniões de trabalhadores norte-americanos’. Esse 'união dos trabalhadores' não estará a referir-se a um (ou vários) sindicatos? É que a palavra 'union' em inglês significa não só 'união' mas também 'sindicato', o que, pelo contexto do texto, parece ser o caso". Tem o leitor razão.

Se bem que o inglês seja a influência dominante, não é a única. “Pasta”, palavra italiana para “massa”, ainda não entrou no léxico português, mas está permanentemente a ser usada. Exemplo: “Para Jamie Olivier, se o azeite for bom, a pasta for fresca....” (1 de Abril, pág. 4).

E depois há o recurso abusivo a palavras estrangeiras, outro tema também já abordado nesta coluna. É o caso que levou a leitora Isabel Barros Ferreira a reclamar: “No PÚBLICO de 14 de Setembro, pág. 20, sob o antetítulo ‘Consumo - Legislação traz mais garantias aos utilizadores dos centros de atendimento’, seguia-se um artigo cujo título era: ‘Nova lei dos call centers obriga as empresas a gravarem as chamadas por 90 dias’. Se há em português o termo ‘centro(s) de atendimento’, que me parece perfeitamente adequado para traduzir o inglês ‘call center(s)’, como aliás é utilizado no antetítulo, porquê insistir três vezes, no corpo do artigo, na expressão inglesa? Não haverá tradução adequada de termos como ‘backoffice’ e ‘contact center’, para não falar de ‘time-sharing’? É que estes termos aparecem também no mesmo artigo que, presumo, seja feito para ser lido maioritariamente por portugueses. E, não sendo o inglês língua oficial de Portugal, não entendo como obrigatório que todos tenham de saber traduzir aquelas palavras”.

Mudando de tema, o leitor Paulo Rato propôs-se intitular "Vamos salvar as preposições!" a sua carta ao provedor. Eis a razão: “Tenho notado que a temível quinta coluna que, infiltrada em tudo o que é meio de comunicação de massas, actua impunemente com o intuito de descaracterizar a língua portuguesa (...), se voltou agora para as preposições. (...). Num artigo publicado no P2 de 4 de Setembro, ‘Assassinaram o perfeito Brian?’, lê-se: ‘empreiteiro encarregue pela remodelação da mansão do guitarrista’. Que significa isto em português bem ‘preposicionado’: que uma entidade, de nome ‘remodelação’, encarregara o empreiteiro da mansão. De quê? Talvez de cuidar dela, de verificar que nada lhe acontecia, coisas assim… No PÚBLICO, semanas antes, escreveu-se: ‘Salvaguardando não conhecer ao detalhe a directiva’. Dou de barato o ‘detalhe’, galicismo de há muito acolhido pelos dicionários (...), mas refiro a sua origem porque, neste caso, é admissível que a preposição também tenha vindo de França, a acompanhar o ‘detalhe’, em embalagem de alumínio, com conteúdo ‘au meunier’. (...) Acrescento outra pérola, de 5 de Setembro. (...) É nos destaques de TV que está este anúncio de uma verdadeira revolução (ou será revulsão?) da História: Roubos de Arte Nazi (...) narra a história épica do roubo sistemático, da destruição deliberada e da sobrevivência milagrosa dos tesouros artísticos europeus do Terceiro Reich e da Segunda Guerra Mundial’. Será também da doença das preposições?”

Muito há a acrescentar, mas propõe-se apenas uma reflexão aos jornalistas. Num título na pág. 10 de 17 de Julho, “Social-democratas em silêncio sobre propostas de revisão constitucional para a Madeira”, o PÚBLICO aderiu à tendência tão em voga no meios audiovisuais de fazer o plural de “social-democrata” apenas no termo final, e não, como indicam a maior parte dos filólogos, nos dois (“sociais-democratas”). Como fará quem assim procede para o plural de “democrata-cristão”?

CAIXA:

A sexta coluna

Reclamou a leitora Graça Horta: ”Foi com espanto que no PÚBLICO de 28 de Outubro reparei que os resultados [das eleições legislativas] por distrito eram dados para as forças políticas com assento parlamentar e ainda para... o MEP! Ou se dava o resultado de todos os partidos concorrentes, ou, a escolher um pequeno partido, seria da lógica mais elementar publicar o do mais votado entre os pequenos, no caso o PCTP/MRPP. (...) O PÚBLICO está interessado em promover o MEP?”

Perante facto na verdade tão insólito, reconheceu o director adjunto Paulo Ferreira: “A crítica da leitora é certeira. Tratou-se de um erro, que não devia ter acontecido mas que tem explicação simples. Cerca de duas semanas antes, o PÚBLICO começou a preparar as bases informáticas e infográficas para a edição em causa. Tratava-se de criar automatismos para que, na noite eleitoral, a elaboração dos mapas, gráficos e tabelas de resultados pudesse ser feita com rapidez e adaptada aos espaços reservados em cada página. No caso das tabelas distritais, a indicação por mim dada ao departamento informático foi no sentido de prevenir a possibilidade de se acrescentar uma sexta coluna para além dos cinco partidos habitualmente mais votados. Porquê? Porque nas eleições europeias o MEP tinha sido o sexto partido mais votado em Lisboa e, se repetisse a mesma percentagem, teria eleito um deputado nesse distrito. Essa possibilidade tinha que ficar garantida previamente, sob pena de se verificarem atrasos no fecho da edição (...). Tal não se verificou (...). O erro foi, na noite das eleições e já de posse dos resultados, não se ter apagado de todas as tabelas a coluna referente ao MEP, que pareceu estranha, e com razões para isso, a muitos leitores”.

O provedor alvitraria solução diferente: como jornal de referência que aspira a ser, e porque nem todos os seus leitores são eleitores dos “cinco grandes”, o PÚBLICO deveria divulgar os resultados distritais de todos os partidos concorrentes (além dos votos brancos e nulos) e não segregar, na base da adivinhação, quem julga que não elege deputados.

Publicada em 4 de Outubro de 2009

domingo, 27 de setembro de 2009

Assuntos internos

Derivações das duas crónicas anteriores, quanto ao e-mail do provedor e à quantidade de fontes jornalísticas



O grande problema foi o facto de o jornal ter ficado refém da fonte de Belém




Na sexta-feira 18 de Setembro, José Manuel Fernandes reenviou ao provedor uma troca de correspondência electrónica interna com a seguinte indicação: “Uma vez que há registo de forwards [reencaminhamentos] de mails com o mesmo título deste mail enviados para ti nos minutos seguintes ao último mail que recebi do Tolentino [da Nóbrega, correspondente do PÚBLICO no Funchal], e nenhum depois da minha resposta, entendi que era melhor tomares conhecimento de tudo”. Por detrás desta abertura, havia a muito desagradável revelação de que se fizera levantamento de comunicações entre um jornalista do PÚBLICO e o provedor. A circunstância levou o provedor, na crónica anterior (“A questão principal”), a considerar “que a sua correspondência electrónica, assim como a de jornalistas deste diário, fora vasculhada sem aviso prévio pelos responsáveis do PÚBLICO”, explicando o que entendia como tal: “Detecção de envios e reenvios de e-mails entre membros da equipa do jornal (e presume-se que também de e para o exterior)”.

José Manuel Fernandes desmentiria o provedor num post scriptum ao editorial da passada terça-feira: “Ao contrário do que afirmou o provedor do leitor, ninguém nesta empresa lhe ‘vasculhou’ a correspondência”. Porém, no dia seguinte, numa reunião do Conselho de Redacção do PÚBLICO, e segundo a respectiva acta, o director, interpelado sobre a questão, explicaria que "se olhou para o registo das entradas e saídas de mails". O provedor não encontrou diferença entre estas palavras e o que afirmou ter acontecido (“detecção de envios e reenvios de e-mails”), pelo que não alcançou então o sentido do desmentido.

A pesquisa, destinada a averiguar se houve fuga interna de informação que permitiu ao Diário de Notícias fazer manchete, naquela mesma sexta-feira, com um e-mail trocado em Maio de 2008 entre dois jornalistas do PÚBLICO, terá incidido no correio electrónico de todos aqueles que, nessa semana, no âmbito de uma discussão a propósito da crónica do provedor publicada há 15 dias (“Subitamente neste Verão”), receberam na redacção o reencaminhamento da mensagem em causa. Foi monitorada a correspondência electrónica dos seis membros da direcção editorial, assim como de dois outros jornalistas envolvidos no caso. José Manuel Fernandes explicou ao Conselho de Redacção, segundo a acta já citada, que “pediu aos informáticos (...) para averiguarem se, entre as oito pessoas incluídas no destinatário da mensagem em causa, alguma tinha feito forward de qualquer mensagem com o mesmo título da primeira mensagem em que surge o mail de Maio de 2008”. Tendo-se apurado que o provedor também recebera uma mensagem contendo presumivelmente o explosivo e-mail, ele passou, da mesma forma, à condição automática de suspeito. Mas, ao Conselho de Redacção, José Manuel Fernandes afirmou não saber se o provedor iria ser ouvido, esclarecendo que a decisão cabia à comissão de inquérito (o provedor está ao dispor).

A administração da empresa proprietária do PÚBLICO defende a legalidade da operação, e o provedor nunca disse o contrário. Mas esse procedimento ignora a especificidade de uma empresa jornalística, onde se trabalha na base do sigilo profissional. Por isso, se não é ilegal, será pelo menos ilegítimo, pois ao verificar-se o registo de entradas e saídas de mails de jornalistas pode-se a violar a confidencialidade de fontes de informação suas.

Entretanto, já ontem, sábado, José Manuel Fernandes garantiu ao provedor que tal pesquisa se limitou a incidir apenas em e-mails com o mesmo título da mensagem inicial. Não sendo perito em informática e não tendo meios para verificar o método seguido, o provedor considera que, se foi esse o caso, terão ficado bastante diminuídos os efeitos negativos que a acção pudesse vir a ter. Reafirma porém ser uma surpresa no mínimo desconfortável perceber de súbito que alguém registou movimentações no seu correio electrónico (mesmo que, ao que lhe foi assegurado, apenas recebimento de mensagens).

Ainda sobre o tema das duas crónicas mencionadas – que analisavam as manchetes de 18 e 19 de Agosto dando conta de que a Presidência da República se considerava espiolhada por outro órgão de soberania –, a jornalista que assinava a primeira notícia, São José Almeida, escreveu ao provedor logo após a publicação da crónica inicial exprimindo “perplexidade” por aí se concluir que existira uma só única fonte para os dois artigos. “Como chega à conclusão de que a notícia que escrevi tem apenas uma fonte de informação?”, inquiriu. “Que dados tem sobre o assunto que eu, autora da notícia, não tenho? Desde quando o facto de apenas ser citada uma fonte oficiosa, identificada através do seu estatuto oficial de membro da Casa Civil do Presidente da República e por isso com todo o peso inerente a essa condição, o leva a concluir que há só uma fonte? Onde foi buscar tal ideia? Como é que consegue saber mais da minha vida do que eu, uma vez que sabe que apenas falei com uma pessoa – o que é mentira?”

Julga o provedor que os acontecimentos subsequentes viriam reforçar a sua conclusão de que só existiu uma fonte. Aliás, o texto invoca apenas um solitário “membro da Casa Civil da Presidência da República”, e a própria São José Almeida, numa das respostas dadas ao provedor, escreveu que "a notícia é feita precisamente com as declarações de um membro da Casa Civil do Presidente da República". Ora, está hoje razoavelmente estabelecido que uma única fonte forneceu ao PÚBLICO a matéria da primeira notícia – e também da segunda (onde não se citam fontes, mas se recorre à ambígua fórmula "ao que o PÚBLICO sabe"). Se o jornal possuía outras fontes, não se percebe por que não as mencionou. E se o PÚBLICO falou, por hipótese, com a empregada da limpeza do Palácio de Belém, só para poder dizer que consultou mais do que uma fonte, o facto não é relevante de acordo com as regras jornalísticas, pois a confirmação de informações por duas ou mais fontes implica que estas sejam independentes entre si.

De resto, nunca pareceu ao provedor que, neste caso, o valor da manchete se reforçasse com o recurso a mais fontes. A notícia deve ser tomada pelo seu valor facial: não revela o que há, mas sim o que alguém diz que há (na circunstância, uma suspeita de Belém quanto a estar sob vigilância). Ora, se esse alguém já declarara tal convicção ao PÚBLICO, com toda a carga política implícita, seriam despiciendas outras fontes da PR, a dizer precisamente o mesmo. Aliás, quem o podia desmentir nunca o fez – pelo contrário, tanto do presidente Cavaco Silva como dos seus homens continuam a ser emitidos sinais de que se mantém essa mesma supeita.

O grande problema, conforme o provedor apontou, foi o facto de o PÚBLICO ter ficado refém dessa fonte (ou fontes, a crer em São José Almeida), tolhido na sua amplitude de movimentos para investigar uma matéria de elevado interesse político e enormes implicações nacionais. O resto é (será) História.

CAIXA:

Uma diferença de milhão

”O artigo ‘Mais de 9,4 milhões de eleitores podem votar este domingo’ [PUBLICO.PT de ontem] debita candidamente, e de forma que só posso imaginar que esteja largamente descontextualizada, números publicados no Diário da República [DR], para informar que haveria cerca de 9,4 milhões de eleitores prontos a votar no dia 27”, constata o leitor Sérgio Carvalho, para depois fazer contas elementares: “Se descontarmos os 72 mil eleitores registados na Europa e os 94 mil registados no resto do mundo, isso dá mais de 9,25 milhões de eleitores dentro das fronteiras nacionais. Por outras palavras, os 10 milhões de habitantes do país contariam com menos de 750 mil jovens (apenas 7,5% da população) abaixo dos 18 anos” (o provedor calcula que essa percentagem actual seja o dobro, ou até um pouco mais). Continua o queixoso: “Bem sei que esta geração tem dificuldade com números, mas, que diabo, não lhe passará pela cabeça a mais pequena dúvida sobre o absurdo destas pseudo-estatísticas? Não lhe ocorreria que deverá haver aqui alguma condição adicional, como por exemplo tratar-se de totais de recenseamento (i.e., incluindo os falecidos) ou algo do género?”

É um facto que a informação consta do DR, tido como fonte indesmentível, mas também o é a incongruência apontada pelo leitor, pelo que o texto careceria de investigação mais apurada. Nem seria preciso ir muito longe: há escassos dias foi divulgado um estudo de dois politólogos, José Bourdain e Luís Humberto Teixeira, que aponta para a existência, nas legislativas que hoje decorrem, de quase um milhão de “eleitores fantasmas” registados nos cadernos eleitorais, devido ao não-abatimento dos mortos e a duplas inscrições.

É apenas mais um caso na difícil relação entre jornalistas e números, já aqui amplamente mencionada. Eis outro, comunicado pelo leitor João Brandão: “Em 27 de Junho, na secção de Economia (e estes deveriam saber um pouco mais) não se fica a saber as cotações das moedas. Na pág. 16, está a tabela ‘Divisas’ e na pág. 17 outra intitulada ‘Mercado Monetário Cambial’: na primeira, Euro/dólar 1.407; na segunda, um euro vale 1,3007 dólares dos EUA; na primeira, Euro/libra 0.8519; na segunda, um euro vale 0,6676 Libras esterlina; na primeira, Euro/iene 133,78; na segunda: um euro vale 158,0600 ienes. Não bate a bota com a perdigota. São números, e quem os publica fica obnubilado e não pensa no que escreve. Simplesmente ignora-os.

E outro ainda, do leitor Rui Farinas: “Na pág. 21 do PÚBLICO de 6 [de Agosto] (edição do Porto, secção Local) pode ler-se um título de notícia dizendo que em determinado local ‘se produzirão X megawatts de energia por dia’. Não haverá ninguém no PÚBLICO que explique que watts (e seus múltiplos) são unidade de potência, e que a unidade de energia é o watt.hora e seus múltiplos? E que no corpo da notícia continuam as asneiras quando se fala em produções de megawatts por hora?”

Publicada em 27 de Setembro de 2009

DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR:

Explicações da jornalista São José Almeida sobre as manchetes de 18 e 19 de Agosto

O PÚBLICO confrontou a Presidência da República com as informações que tinha. Tanto que a noticia é feita precisamente com as declarações de um membro da Casa Civil do Presidente da República.

O Livro de Estilo do PÚBLICO permite que, na posse de uma informação relevante, o jornalista a use assumindo o anonimato das fontes. Mas neste caso concreto, havia um membro da Casa Civil que falava nessa condição, embora sem nome, pelo que era uma informação no mínimo oficiosa.

Por sua vez, o Presidente e os serviços da Presidência da República não desmentiram a notícia.

A noticia foi confirmada por outros orgãos de informação, como a SIC, o Diário de Notícias e o i.

O Presidente da República quando falou sobre o assunto, pela primeira vez, na sexta dia 29 de Agosto, não desmentiu a noticia. Antes falou em "matérias com conotações político-partidárias", "factos e acontecimentos".

São José Almeida

Carta de São José Almeida, após a crónica do provedor "Subitamente neste Verão" (13 de Setembro)

Venho manifestar a minha perplexidade com o que li no domingo sobre notícias por mim escrita a 18 e 19 de Agosto e peço-lhe a publicação deste mail na edição em papel do PÚBLICO para defesa do meu bom nome. E se me permitir fazer-lhe algumas perguntas, uma vez que nada do que eu lhe respondi ao pouco que me perguntou permite tirar tais conclusões, nem sequer as respostas que o director lhe deu e que praticamente não usou.

Como chega à conclusão de que a notícia que escrevi tem apenas uma fonte de informação? Que dados tem sobre o assunto que eu, autora da notícia, não tenho? Desde quando o facto de apenas ser citada uma fonte oficiosa, identificada através do seu estatuto oficial de membro da Casa Civil do Presidente da República e por isso com todo o peso inerente a essa condição, o leva a concluir que há só uma fonte? Onde foi buscar tal ideia? Como é que consegue saber mais da minha vida do que eu, uma vez que sabe que apenas falei com uma pessoa – o que é mentira? Foi por acaso o Francisco Louçã que lhe revelou as fontes das notícias do PÚBLICO?

Causam-me alguma perplexidade as conclusões a que o Provedor vai chegando, sobretudo quando sou a pessoa – creio que a única além dos próprios - que melhor sabe exactamente quem são todas as fontes da notícia. É obvio que não as revelarei, por mais que sejam disparadas atoardas sobre a notícia em causa.

Causa-me também perplexidade que perante a gravidade do assunto noticiado – que, repito, não foi desmentido – haja a tendência sistemática para desvalorizar o assunto e crucificar o jornal que o publicou. É extraordinário que tendo sido a notícia confirmada por outros órgãos de informação, sendo este um assunto que, como o director lhe explicou, estava a ser investigado há meses e só foi escrito no momento em que obtive uma confirmação oficial com declarações de um membro da Casa Civil do Presidente da República, não tendo a notícia sido desmentida por ninguém, o senhor escreva o que escreveu e no tom em que o fez.

Reafirmo a veracidade e a gravidade dos factos relatados. Recuso-me, por mais que seja pressionada, a revelar as minhas fontes. Estranho que, perante uma notícia sobre um assunto de gravidade absoluta para a saúde do regime democrático, haja tanta persistência em desvalorizar a notícia e em criticar o jornal.

Peço-lhe que publique este mail na íntegra na edição em papel, pois considero que tenho direito à defesa do meu bom nome. Envio este mail com conhecimento do director do jornal.

São José Almeida

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

O compromisso do provedor

Devido aos desenvolvimentos jornalísticos e políticos decorrentes da investigação que levou às suas duas últimas crónicas, Subitamente neste Verão e A questão principal, o provedor tem sido solicitado por inúmeros órgãos de informação a pronunciar-se sobre o curso dos acontecimentos. Entende, porém, não dever produzir quaisquer comentários sobre os casos relativos ao PÚBLICO fora da sua área de intervenção pública, que é a crónica semanal na edição em papel e este blogue. O compromisso do provedor é para com os leitores do PÚBLICO, e só a eles transmitirá o que tem a dizer acerca do exercício das suas funções.