domingo, 4 de outubro de 2009

Em defesa da pátria

Se, como escreveu Pessoa, “a minha pátria é a língua portuguesa”, preservar a língua é lutar pela pátria


Ao contrário do que disse o PÚBLICO, o jornalista não “assaltou” Bush com os
sapatos


Mais do que um território, um conjunto de tradições ou um traço genético, a língua pode ser factor de identidade de uma comunidade nacional. Tome-se como se quiser, é isso que diz o aforismo de Pessoa: “A minha pátria é a língua portuguesa”. E o futuro da língua está hoje nas mãos dos media: é a imprensa e os meios electrónicos de comunicação quem define a forma como se fala e falará. Daí a responsabilidade dos jornalistas, que pode ser encarada de muitas maneiras mas que, para um jornal com o estatuto editorial do PÚBLICO, deveria ser no sentido de defender de modo coerente a correcção do português – o que implica apurados cuidados da parte de quem escreve.

O provedor já noutras crónicas tem sublinhado este aspecto, com o levantamento de inúmeros erros, muitos deles sistemáticos, que poderiam ser corrigidos com melhor formação ou até com um pouco mais de atenção ao que se verte para o teclado. A extinção progressiva - ditada pela contenção de custos – dos revisores de texto, a quem incumbia a tarefa de zelar pelo respeito das regras, só tem ajudado a tornar as coisas piores. Os alertas lançados nesta coluna destinam-se apenas a fazer ver como muitos erros podiam ser evitados se os jornalistas tivessem um pouco mais de sensibilidade para o problema.

Veja-se o caso dos estrangeirismos, cada vez mais frequentes, porque cada vez mais, abdicando da investigação própria (também devido à poupança), se traduz notícias e informações já publicadas noutras línguas (sobretudo em inglês e na internet). Entre muitos outros, eis dois exemplos detectados pelo leitor Rodrigo Valle Teixeira na edição de 5 de Setembro: na pág. 5, no artigo "Cientistas portugueses usam teoria dos jogos para redefinir o combate do cancro", “no segundo parágrafo, a frase ‘Se tudo corre bem, há um balanço entre esta dinâmica...’ deveria ser "Se tudo corre bem, há um equilíbrio entre esta dinâmica...’; na pág. 14, no artigo "Cinco pessoas morreram em protestos em Xianjiang", “onde se lê ‘com o tráfico cortado’ deveria ser ‘com o tráfego cortado’”. Comenta o leitor que no primeiro caso “parece uma tradução literal errada do inglês ‘balance’”, e quanto ao segundo: “Imagino que as autoridades chinesas tenham cortado o trânsito automóvel, e não o tráfico de substâncias ilegais”.

Ainda a propósito do Oriente, a legenda de uma foto da reportagem “Bebés roubados na China alimentam negócio das adopções”, na pág. 4 do P2 de 28 de Setembro, fala em “oficiais do planeamento familiar”, quando o texto, correctamente, menciona “funcionários do planeamento familiar”. Não consta, na verdade, que o planeamento familiar naquele país seja efectuado pelo exército, mas sim por funcionários (“officers” em inglês) governamentais.

Mais para ocidente, noticiou o PÚBLICO de 13 de Setembro, na pág. 15, sobre o jornalista iraquiano que atirara os sapatos a George Bush durante uma conferência de imprensa em Bagdade, que fora “condenado a três anos de cadeia por assalto a um chefe de Estado estrangeiro”. Tradução errada do inglês “assault”, que não significa “assalto” (a uma pessoa) mas sim “agressão”.

E a 10 do mesmo mês escrevia-se na pág. 14 sobre um “candidato incumbente”, expressão inexistente nos dicionários de português, em que não há equivalente para “incumbent” (do inglês, um eleito recandidato). Em contrapartida, existe uma palavra portuguesa para significar a expressão inglesa “statute of limitations”, que é “prescrição” (legal), mas o jornalista-tradutor que fez uma notícia para a pág. 13 dessa edição não deu por ela, escrevendo: “Não existe qualquer estatuto de limitação da responsabilidade pelos crimes de guerra”.

Ainda no domínio jurídico, escreveu Nuno Curado: “Não percebo como é que num ‘jornal de referência’ não há o cuidado para evitar a tradução directa de certos termos em inglês quando estes não correspondem na língua portuguesa. Utiliza-se no texto o termo ‘evidências’ como se se tratasse da palavra ‘provas’. Isso funciona em inglês em que ‘evidence’ realmente tem esse significado”. (O leitor, que escrevia em 24 de Setembro, não disse onde é que detectou a “evidência”, e o provedor também não a localizou, mas o erro é tão frequente nos media portugueses que, mesmo assim, vale a pena o alerta).

Quanto a Rui Miguel Neiva, reparou no seguinte: “Na edição de 15 de Setembro, no artigo da pág. 20 sobre a 'guerra dos pneus' entre os EUA e a China, diz-se no final da primeira coluna: ‘(...) e vêm responder às reivindicações das uniões de trabalhadores norte-americanos’. Esse 'união dos trabalhadores' não estará a referir-se a um (ou vários) sindicatos? É que a palavra 'union' em inglês significa não só 'união' mas também 'sindicato', o que, pelo contexto do texto, parece ser o caso". Tem o leitor razão.

Se bem que o inglês seja a influência dominante, não é a única. “Pasta”, palavra italiana para “massa”, ainda não entrou no léxico português, mas está permanentemente a ser usada. Exemplo: “Para Jamie Olivier, se o azeite for bom, a pasta for fresca....” (1 de Abril, pág. 4).

E depois há o recurso abusivo a palavras estrangeiras, outro tema também já abordado nesta coluna. É o caso que levou a leitora Isabel Barros Ferreira a reclamar: “No PÚBLICO de 14 de Setembro, pág. 20, sob o antetítulo ‘Consumo - Legislação traz mais garantias aos utilizadores dos centros de atendimento’, seguia-se um artigo cujo título era: ‘Nova lei dos call centers obriga as empresas a gravarem as chamadas por 90 dias’. Se há em português o termo ‘centro(s) de atendimento’, que me parece perfeitamente adequado para traduzir o inglês ‘call center(s)’, como aliás é utilizado no antetítulo, porquê insistir três vezes, no corpo do artigo, na expressão inglesa? Não haverá tradução adequada de termos como ‘backoffice’ e ‘contact center’, para não falar de ‘time-sharing’? É que estes termos aparecem também no mesmo artigo que, presumo, seja feito para ser lido maioritariamente por portugueses. E, não sendo o inglês língua oficial de Portugal, não entendo como obrigatório que todos tenham de saber traduzir aquelas palavras”.

Mudando de tema, o leitor Paulo Rato propôs-se intitular "Vamos salvar as preposições!" a sua carta ao provedor. Eis a razão: “Tenho notado que a temível quinta coluna que, infiltrada em tudo o que é meio de comunicação de massas, actua impunemente com o intuito de descaracterizar a língua portuguesa (...), se voltou agora para as preposições. (...). Num artigo publicado no P2 de 4 de Setembro, ‘Assassinaram o perfeito Brian?’, lê-se: ‘empreiteiro encarregue pela remodelação da mansão do guitarrista’. Que significa isto em português bem ‘preposicionado’: que uma entidade, de nome ‘remodelação’, encarregara o empreiteiro da mansão. De quê? Talvez de cuidar dela, de verificar que nada lhe acontecia, coisas assim… No PÚBLICO, semanas antes, escreveu-se: ‘Salvaguardando não conhecer ao detalhe a directiva’. Dou de barato o ‘detalhe’, galicismo de há muito acolhido pelos dicionários (...), mas refiro a sua origem porque, neste caso, é admissível que a preposição também tenha vindo de França, a acompanhar o ‘detalhe’, em embalagem de alumínio, com conteúdo ‘au meunier’. (...) Acrescento outra pérola, de 5 de Setembro. (...) É nos destaques de TV que está este anúncio de uma verdadeira revolução (ou será revulsão?) da História: Roubos de Arte Nazi (...) narra a história épica do roubo sistemático, da destruição deliberada e da sobrevivência milagrosa dos tesouros artísticos europeus do Terceiro Reich e da Segunda Guerra Mundial’. Será também da doença das preposições?”

Muito há a acrescentar, mas propõe-se apenas uma reflexão aos jornalistas. Num título na pág. 10 de 17 de Julho, “Social-democratas em silêncio sobre propostas de revisão constitucional para a Madeira”, o PÚBLICO aderiu à tendência tão em voga no meios audiovisuais de fazer o plural de “social-democrata” apenas no termo final, e não, como indicam a maior parte dos filólogos, nos dois (“sociais-democratas”). Como fará quem assim procede para o plural de “democrata-cristão”?

CAIXA:

A sexta coluna

Reclamou a leitora Graça Horta: ”Foi com espanto que no PÚBLICO de 28 de Outubro reparei que os resultados [das eleições legislativas] por distrito eram dados para as forças políticas com assento parlamentar e ainda para... o MEP! Ou se dava o resultado de todos os partidos concorrentes, ou, a escolher um pequeno partido, seria da lógica mais elementar publicar o do mais votado entre os pequenos, no caso o PCTP/MRPP. (...) O PÚBLICO está interessado em promover o MEP?”

Perante facto na verdade tão insólito, reconheceu o director adjunto Paulo Ferreira: “A crítica da leitora é certeira. Tratou-se de um erro, que não devia ter acontecido mas que tem explicação simples. Cerca de duas semanas antes, o PÚBLICO começou a preparar as bases informáticas e infográficas para a edição em causa. Tratava-se de criar automatismos para que, na noite eleitoral, a elaboração dos mapas, gráficos e tabelas de resultados pudesse ser feita com rapidez e adaptada aos espaços reservados em cada página. No caso das tabelas distritais, a indicação por mim dada ao departamento informático foi no sentido de prevenir a possibilidade de se acrescentar uma sexta coluna para além dos cinco partidos habitualmente mais votados. Porquê? Porque nas eleições europeias o MEP tinha sido o sexto partido mais votado em Lisboa e, se repetisse a mesma percentagem, teria eleito um deputado nesse distrito. Essa possibilidade tinha que ficar garantida previamente, sob pena de se verificarem atrasos no fecho da edição (...). Tal não se verificou (...). O erro foi, na noite das eleições e já de posse dos resultados, não se ter apagado de todas as tabelas a coluna referente ao MEP, que pareceu estranha, e com razões para isso, a muitos leitores”.

O provedor alvitraria solução diferente: como jornal de referência que aspira a ser, e porque nem todos os seus leitores são eleitores dos “cinco grandes”, o PÚBLICO deveria divulgar os resultados distritais de todos os partidos concorrentes (além dos votos brancos e nulos) e não segregar, na base da adivinhação, quem julga que não elege deputados.

Publicada em 4 de Outubro de 2009

domingo, 27 de setembro de 2009

Assuntos internos

Derivações das duas crónicas anteriores, quanto ao e-mail do provedor e à quantidade de fontes jornalísticas



O grande problema foi o facto de o jornal ter ficado refém da fonte de Belém




Na sexta-feira 18 de Setembro, José Manuel Fernandes reenviou ao provedor uma troca de correspondência electrónica interna com a seguinte indicação: “Uma vez que há registo de forwards [reencaminhamentos] de mails com o mesmo título deste mail enviados para ti nos minutos seguintes ao último mail que recebi do Tolentino [da Nóbrega, correspondente do PÚBLICO no Funchal], e nenhum depois da minha resposta, entendi que era melhor tomares conhecimento de tudo”. Por detrás desta abertura, havia a muito desagradável revelação de que se fizera levantamento de comunicações entre um jornalista do PÚBLICO e o provedor. A circunstância levou o provedor, na crónica anterior (“A questão principal”), a considerar “que a sua correspondência electrónica, assim como a de jornalistas deste diário, fora vasculhada sem aviso prévio pelos responsáveis do PÚBLICO”, explicando o que entendia como tal: “Detecção de envios e reenvios de e-mails entre membros da equipa do jornal (e presume-se que também de e para o exterior)”.

José Manuel Fernandes desmentiria o provedor num post scriptum ao editorial da passada terça-feira: “Ao contrário do que afirmou o provedor do leitor, ninguém nesta empresa lhe ‘vasculhou’ a correspondência”. Porém, no dia seguinte, numa reunião do Conselho de Redacção do PÚBLICO, e segundo a respectiva acta, o director, interpelado sobre a questão, explicaria que "se olhou para o registo das entradas e saídas de mails". O provedor não encontrou diferença entre estas palavras e o que afirmou ter acontecido (“detecção de envios e reenvios de e-mails”), pelo que não alcançou então o sentido do desmentido.

A pesquisa, destinada a averiguar se houve fuga interna de informação que permitiu ao Diário de Notícias fazer manchete, naquela mesma sexta-feira, com um e-mail trocado em Maio de 2008 entre dois jornalistas do PÚBLICO, terá incidido no correio electrónico de todos aqueles que, nessa semana, no âmbito de uma discussão a propósito da crónica do provedor publicada há 15 dias (“Subitamente neste Verão”), receberam na redacção o reencaminhamento da mensagem em causa. Foi monitorada a correspondência electrónica dos seis membros da direcção editorial, assim como de dois outros jornalistas envolvidos no caso. José Manuel Fernandes explicou ao Conselho de Redacção, segundo a acta já citada, que “pediu aos informáticos (...) para averiguarem se, entre as oito pessoas incluídas no destinatário da mensagem em causa, alguma tinha feito forward de qualquer mensagem com o mesmo título da primeira mensagem em que surge o mail de Maio de 2008”. Tendo-se apurado que o provedor também recebera uma mensagem contendo presumivelmente o explosivo e-mail, ele passou, da mesma forma, à condição automática de suspeito. Mas, ao Conselho de Redacção, José Manuel Fernandes afirmou não saber se o provedor iria ser ouvido, esclarecendo que a decisão cabia à comissão de inquérito (o provedor está ao dispor).

A administração da empresa proprietária do PÚBLICO defende a legalidade da operação, e o provedor nunca disse o contrário. Mas esse procedimento ignora a especificidade de uma empresa jornalística, onde se trabalha na base do sigilo profissional. Por isso, se não é ilegal, será pelo menos ilegítimo, pois ao verificar-se o registo de entradas e saídas de mails de jornalistas pode-se a violar a confidencialidade de fontes de informação suas.

Entretanto, já ontem, sábado, José Manuel Fernandes garantiu ao provedor que tal pesquisa se limitou a incidir apenas em e-mails com o mesmo título da mensagem inicial. Não sendo perito em informática e não tendo meios para verificar o método seguido, o provedor considera que, se foi esse o caso, terão ficado bastante diminuídos os efeitos negativos que a acção pudesse vir a ter. Reafirma porém ser uma surpresa no mínimo desconfortável perceber de súbito que alguém registou movimentações no seu correio electrónico (mesmo que, ao que lhe foi assegurado, apenas recebimento de mensagens).

Ainda sobre o tema das duas crónicas mencionadas – que analisavam as manchetes de 18 e 19 de Agosto dando conta de que a Presidência da República se considerava espiolhada por outro órgão de soberania –, a jornalista que assinava a primeira notícia, São José Almeida, escreveu ao provedor logo após a publicação da crónica inicial exprimindo “perplexidade” por aí se concluir que existira uma só única fonte para os dois artigos. “Como chega à conclusão de que a notícia que escrevi tem apenas uma fonte de informação?”, inquiriu. “Que dados tem sobre o assunto que eu, autora da notícia, não tenho? Desde quando o facto de apenas ser citada uma fonte oficiosa, identificada através do seu estatuto oficial de membro da Casa Civil do Presidente da República e por isso com todo o peso inerente a essa condição, o leva a concluir que há só uma fonte? Onde foi buscar tal ideia? Como é que consegue saber mais da minha vida do que eu, uma vez que sabe que apenas falei com uma pessoa – o que é mentira?”

Julga o provedor que os acontecimentos subsequentes viriam reforçar a sua conclusão de que só existiu uma fonte. Aliás, o texto invoca apenas um solitário “membro da Casa Civil da Presidência da República”, e a própria São José Almeida, numa das respostas dadas ao provedor, escreveu que "a notícia é feita precisamente com as declarações de um membro da Casa Civil do Presidente da República". Ora, está hoje razoavelmente estabelecido que uma única fonte forneceu ao PÚBLICO a matéria da primeira notícia – e também da segunda (onde não se citam fontes, mas se recorre à ambígua fórmula "ao que o PÚBLICO sabe"). Se o jornal possuía outras fontes, não se percebe por que não as mencionou. E se o PÚBLICO falou, por hipótese, com a empregada da limpeza do Palácio de Belém, só para poder dizer que consultou mais do que uma fonte, o facto não é relevante de acordo com as regras jornalísticas, pois a confirmação de informações por duas ou mais fontes implica que estas sejam independentes entre si.

De resto, nunca pareceu ao provedor que, neste caso, o valor da manchete se reforçasse com o recurso a mais fontes. A notícia deve ser tomada pelo seu valor facial: não revela o que há, mas sim o que alguém diz que há (na circunstância, uma suspeita de Belém quanto a estar sob vigilância). Ora, se esse alguém já declarara tal convicção ao PÚBLICO, com toda a carga política implícita, seriam despiciendas outras fontes da PR, a dizer precisamente o mesmo. Aliás, quem o podia desmentir nunca o fez – pelo contrário, tanto do presidente Cavaco Silva como dos seus homens continuam a ser emitidos sinais de que se mantém essa mesma supeita.

O grande problema, conforme o provedor apontou, foi o facto de o PÚBLICO ter ficado refém dessa fonte (ou fontes, a crer em São José Almeida), tolhido na sua amplitude de movimentos para investigar uma matéria de elevado interesse político e enormes implicações nacionais. O resto é (será) História.

CAIXA:

Uma diferença de milhão

”O artigo ‘Mais de 9,4 milhões de eleitores podem votar este domingo’ [PUBLICO.PT de ontem] debita candidamente, e de forma que só posso imaginar que esteja largamente descontextualizada, números publicados no Diário da República [DR], para informar que haveria cerca de 9,4 milhões de eleitores prontos a votar no dia 27”, constata o leitor Sérgio Carvalho, para depois fazer contas elementares: “Se descontarmos os 72 mil eleitores registados na Europa e os 94 mil registados no resto do mundo, isso dá mais de 9,25 milhões de eleitores dentro das fronteiras nacionais. Por outras palavras, os 10 milhões de habitantes do país contariam com menos de 750 mil jovens (apenas 7,5% da população) abaixo dos 18 anos” (o provedor calcula que essa percentagem actual seja o dobro, ou até um pouco mais). Continua o queixoso: “Bem sei que esta geração tem dificuldade com números, mas, que diabo, não lhe passará pela cabeça a mais pequena dúvida sobre o absurdo destas pseudo-estatísticas? Não lhe ocorreria que deverá haver aqui alguma condição adicional, como por exemplo tratar-se de totais de recenseamento (i.e., incluindo os falecidos) ou algo do género?”

É um facto que a informação consta do DR, tido como fonte indesmentível, mas também o é a incongruência apontada pelo leitor, pelo que o texto careceria de investigação mais apurada. Nem seria preciso ir muito longe: há escassos dias foi divulgado um estudo de dois politólogos, José Bourdain e Luís Humberto Teixeira, que aponta para a existência, nas legislativas que hoje decorrem, de quase um milhão de “eleitores fantasmas” registados nos cadernos eleitorais, devido ao não-abatimento dos mortos e a duplas inscrições.

É apenas mais um caso na difícil relação entre jornalistas e números, já aqui amplamente mencionada. Eis outro, comunicado pelo leitor João Brandão: “Em 27 de Junho, na secção de Economia (e estes deveriam saber um pouco mais) não se fica a saber as cotações das moedas. Na pág. 16, está a tabela ‘Divisas’ e na pág. 17 outra intitulada ‘Mercado Monetário Cambial’: na primeira, Euro/dólar 1.407; na segunda, um euro vale 1,3007 dólares dos EUA; na primeira, Euro/libra 0.8519; na segunda, um euro vale 0,6676 Libras esterlina; na primeira, Euro/iene 133,78; na segunda: um euro vale 158,0600 ienes. Não bate a bota com a perdigota. São números, e quem os publica fica obnubilado e não pensa no que escreve. Simplesmente ignora-os.

E outro ainda, do leitor Rui Farinas: “Na pág. 21 do PÚBLICO de 6 [de Agosto] (edição do Porto, secção Local) pode ler-se um título de notícia dizendo que em determinado local ‘se produzirão X megawatts de energia por dia’. Não haverá ninguém no PÚBLICO que explique que watts (e seus múltiplos) são unidade de potência, e que a unidade de energia é o watt.hora e seus múltiplos? E que no corpo da notícia continuam as asneiras quando se fala em produções de megawatts por hora?”

Publicada em 27 de Setembro de 2009

DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR:

Explicações da jornalista São José Almeida sobre as manchetes de 18 e 19 de Agosto

O PÚBLICO confrontou a Presidência da República com as informações que tinha. Tanto que a noticia é feita precisamente com as declarações de um membro da Casa Civil do Presidente da República.

O Livro de Estilo do PÚBLICO permite que, na posse de uma informação relevante, o jornalista a use assumindo o anonimato das fontes. Mas neste caso concreto, havia um membro da Casa Civil que falava nessa condição, embora sem nome, pelo que era uma informação no mínimo oficiosa.

Por sua vez, o Presidente e os serviços da Presidência da República não desmentiram a notícia.

A noticia foi confirmada por outros orgãos de informação, como a SIC, o Diário de Notícias e o i.

O Presidente da República quando falou sobre o assunto, pela primeira vez, na sexta dia 29 de Agosto, não desmentiu a noticia. Antes falou em "matérias com conotações político-partidárias", "factos e acontecimentos".

São José Almeida

Carta de São José Almeida, após a crónica do provedor "Subitamente neste Verão" (13 de Setembro)

Venho manifestar a minha perplexidade com o que li no domingo sobre notícias por mim escrita a 18 e 19 de Agosto e peço-lhe a publicação deste mail na edição em papel do PÚBLICO para defesa do meu bom nome. E se me permitir fazer-lhe algumas perguntas, uma vez que nada do que eu lhe respondi ao pouco que me perguntou permite tirar tais conclusões, nem sequer as respostas que o director lhe deu e que praticamente não usou.

Como chega à conclusão de que a notícia que escrevi tem apenas uma fonte de informação? Que dados tem sobre o assunto que eu, autora da notícia, não tenho? Desde quando o facto de apenas ser citada uma fonte oficiosa, identificada através do seu estatuto oficial de membro da Casa Civil do Presidente da República e por isso com todo o peso inerente a essa condição, o leva a concluir que há só uma fonte? Onde foi buscar tal ideia? Como é que consegue saber mais da minha vida do que eu, uma vez que sabe que apenas falei com uma pessoa – o que é mentira? Foi por acaso o Francisco Louçã que lhe revelou as fontes das notícias do PÚBLICO?

Causam-me alguma perplexidade as conclusões a que o Provedor vai chegando, sobretudo quando sou a pessoa – creio que a única além dos próprios - que melhor sabe exactamente quem são todas as fontes da notícia. É obvio que não as revelarei, por mais que sejam disparadas atoardas sobre a notícia em causa.

Causa-me também perplexidade que perante a gravidade do assunto noticiado – que, repito, não foi desmentido – haja a tendência sistemática para desvalorizar o assunto e crucificar o jornal que o publicou. É extraordinário que tendo sido a notícia confirmada por outros órgãos de informação, sendo este um assunto que, como o director lhe explicou, estava a ser investigado há meses e só foi escrito no momento em que obtive uma confirmação oficial com declarações de um membro da Casa Civil do Presidente da República, não tendo a notícia sido desmentida por ninguém, o senhor escreva o que escreveu e no tom em que o fez.

Reafirmo a veracidade e a gravidade dos factos relatados. Recuso-me, por mais que seja pressionada, a revelar as minhas fontes. Estranho que, perante uma notícia sobre um assunto de gravidade absoluta para a saúde do regime democrático, haja tanta persistência em desvalorizar a notícia e em criticar o jornal.

Peço-lhe que publique este mail na íntegra na edição em papel, pois considero que tenho direito à defesa do meu bom nome. Envio este mail com conhecimento do director do jornal.

São José Almeida

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

O compromisso do provedor

Devido aos desenvolvimentos jornalísticos e políticos decorrentes da investigação que levou às suas duas últimas crónicas, Subitamente neste Verão e A questão principal, o provedor tem sido solicitado por inúmeros órgãos de informação a pronunciar-se sobre o curso dos acontecimentos. Entende, porém, não dever produzir quaisquer comentários sobre os casos relativos ao PÚBLICO fora da sua área de intervenção pública, que é a crónica semanal na edição em papel e este blogue. O compromisso do provedor é para com os leitores do PÚBLICO, e só a eles transmitirá o que tem a dizer acerca do exercício das suas funções.

domingo, 20 de setembro de 2009

Sobre a questão principal

[Actualizado em 22/09/09]

Como leitor assí­duo do jornal, apenas tenho a lamentar o seu [do provedor] comportamento nos últimos tempos.

Dá a ideia de que, querendo fazer o papel de defensor da isenção do jornal, premeia quem claramente tem tido uma política de silenciamento da opinião livre na nossa democracia.

Bem sabemos da polémica dos ultimos dias, e eu sou o primeiro a criticar a ligeireza do director José Manuel Fernandes em incluir o SIS como responsavel do sucedido.

Ainda assim, concordará que não é muito normal a reacção do senhor primeiro-ministro, criticando acintosamente o director do jornal e por via disso o próprio jornal.

E lamento que não tenha referido e criticado esse tom no seu artigo de hoje.

Será que se vai prestar a ser mais uma "voz do dono"?

Não queira... o PÚBLICO não merece.

Só mais uma nota: porquê escandalizar-se com o vasculhar dos seus mails? Tem alguma coisa a esconder? Se não, não se preocupe... Acho que é normal, depois do caso passado, toda a gente ter os mails vasculhados, até para se saber quem foi o "bufo"...

Preocupe-se, isso sim, com o estado da nossa democracia e com o clima de suspeição que se vive neste país e contra o qual o jornal PÚBLICO tem sido, graças a Deus, um resistente.

Jorge Ramos
P.S. Espero que este mail não chegue às mãos do Governo...

Parabéns pela isenção, frontalidade e independência demonstradas ao longo de todo este processo conturbado das escutas da Presidência. Sou leitor do PÚBLICO há alguns anos, mas ultimamente tenho notado alguma inclinação ideológica por parte da linha editorial. Quero agradecer por tentar manter o PÚBLICO um jornal de confiança. Obrigado

Moreira Couto

Sendo leitor do PÚBLICO desde o nº1, apraz-me verificar que nesta fase negra do jornal e da sua linha editorial se mantém activo e publicado um Provedor, a meu ver lúcido e imparcial, defendendo princípios éticos, de verdade e deontológicos. Em suma, defendendo os direitos dos leitores e, como tal, do próprio jornal, que até há pouco era tido como exemplo de credibilidade.

Agradecendo a sua coragem e isenção, espero que a Administração da SONAE tenha a coragem de reconhecer que o tempo de José Manuel Fernandes já se esgotou, sob pena de matar o próprio projecto do jornal.

Da minha parte, terei grande dificuldade em voltar a comprar o "meu" PÚBLICO enquanto se mantiver esta direcção.

M.C.P.

Desejo felicitá-lo pela coragem que mais uma vez demonstrou no tratamento do estranho caso das "escutas" em Belém. Ainda me recordo da sua independência e honestidade intelectual no Expresso, que o levou, inclusivé, a ser "corrido". É isso, meu caro: neste país paga-se caro ter ética e ser vertical.

Sobre o caso das "escutas", e se me permite, gostaria de aqui deixar algumas considerações.

Primeiro (e considerando que tudo o que veio nos jornais intervenientes nesta história é verdade), lamentar profundamente o comportamento do Presidente da República. Desde o contacto do seu assessor com o PÚBLICO, até às suas últimas palavras - "eu também não sou ingénuo" -, transparece uma atitude pouco esperada, e muito censurável, do Presidente.

Esta atitude, ao alimentar uma novela pouco transparente e de objectivos muito duvidosos, é sumamente reprovável no mais alto magistrado da Nação. Com este seu comportamento, Cavaco Silva não presta um bom serviço ao país e vê a sua credebilidade perigosamente posta em causa. Se não existir uma boa explicação da sua parte para este caso, perderei o meu respeito pela sua pessoa.

Em relação ao PÚBLICO, e depois do que escreveu este domingo na sua coluna, pouco mais haverá a dizer. Apenas que, também aqui, é lamentável que um orgão de comunicação respeitável se digne entrar nestes jogos sujos da forma como o jornal o fez. Que crédito lhe daremos daqui para a frente? A atitude do director do jornal para consigo é reveladora dos objectivos que o norteiam (a ele, director) e dos métodos baixos que está disposto a utilizar para os obter. Felizmente, os leitores têm um provedor com a sua integridade.

Em relação ao DN, reprovando, naturalmente e a frio, a sua conduta ao revelar da forma que o fez o conteúdo do e-mail, não deixo de pensar que alguém teria de o fazer para se perceber em toda a sua extensão a cabala que Belém urdiu para "queimar" um governo que não será do seu inteiro agrado e abrir as portas a outro cenário com as próximas eleições. Assim, e perante comportamentos tão anómalos doutros que deviam dar o exemplo de lisura e seriedade, a decisão do DN até será a menos censurável.

E como vai terminar isto, meu caro? José Manuel Fernandes vai pedir a demissão e Cavaco tem a humildade de pedir desculpa aos portugueses? Tudo muito triste, não é verdade?

Obrigado pelo que tem feito pela independência e credibilidade da comunicação social em Portugal.

António Marquês

Quando há muito pouco tempo me referi ao seu trabalho, como Provedor do Público, “como um comentador dos comentadores”, parece que acertei. Ou seja, no momento, como espantosamente no PÚBLICO – que considero o meu jornal diário desde o primeiro dia - “agarrou” um tema um pouco escaldante - escutas PR –, que poderia – como aconteceu – ferir susceptibilidades internas, já foi apelidado de mentiroso e não só pelo Director do PÚBLICO. Penso que algo está a correr menos bem, e, tendo sido JMF um bom director do PÚBLICO, já o PÚBLICO teve mais directores e por certo outros ainda terá...

Augusto Küttner de Magalhãaes

Isto não vale de muito, mas, às vezes, conforta saber-se que o nosso trabalho é apreciado. Gostava então de lhe manifestar um enorme apreço pela sua inteligência, integridade e, nos tempos que vão correndo, coragem! Com os jornais todos em mãos de quem não gosta que se lhes mexa nos interesses, aqui sim se sente uma grande asfixia democrática. Se a J.M.F. lhe sobrasse alguma vergonha, restar-lhe-ia demitir-se.

Pedro Guedes de Oliveira

No seguimento dos seus últimos dois artigos de domingo, venho inquiri-lo sobre o seguinte: para além das regras deontológicas da profissão, não caberá também ao director de um órgão de contra-poder de referência que se pretende isento assumir as suas responsabilidades políticas (já que as tem) e apresentar a sua demissão, tal como qualquer outro detentor de cargo 'Público'? É confrangedor ver como José Manuel Fernandes tem tentado salvar a face e inaceitável a suspeição que lançou sobre as escutas ao seu jornal, arrastando atrás de si a credibilidade do projecto que dirige.

Na qualidade de assinante do jornal, i.e., "de quem lá põe dinheiro", venho pedir a demissão desta direcção. Ao provedor peço-lhe que prossiga com o seu trabalho.

Carlos Almeida

Há alguns anos que não escrevia para o provedor do PÚBLICO. Este acto, assíduo no passado, foi esmorecendo num paralelo a uma diminuição de uma rotina pessoal de dar primazia à compra do PÚBLICO, em detrimento de outros jornais. Quando, por ocasião da última remodelação do PÚBLICO, verifiquei que o seu director permanecia, perdi vontade de continuar a comprar o PÚBLICO. Entendo que as mudanças de líder são fundamentais para transformações. Na ausência de uma mudança de lider, senti que os "belicões" à desejada imparcialidade do "meu" jornal iriam continuar. Com efeito, a fim de evitar irritações (que são mais intensas quando se gosta do objecto), decidi afastar-me do PÚBLICO.

Hoje, em face da crise que o jornal atravessa, vislumbro possibilidades de mudança que me animam. As crises são, a par dos males que provocam, oportunidades. O seu artigo de opinião de hoje (domingo) reconcilia-me com o PÚBLICO. Permite-me acreditar que o PÚBLICO tem condições para ser aquilo que começou por ser, quando nasceu - um jornal que, na sua diversidade interna, rege-se acima de tudo pelos valores da imparcialidade, do bom jornalismo, da ética e deontologia jornalísticas. O Joaquim Vieira, através do seu artigo de hoje, personifica o que é o bom jornalismo e revela coragem. O seu artigo dá-me esperanças de me reconciliar com aquilo que, durante anos, achei que era o meu jornal.

Espero que esta crise abra portas para uma mudança e que se retome traços interessantes que antes existiam no jornal. Um jornal com equilíbrio entre notícias/textos em torno da actualidade nacional e em torno da actualidade internacional (permitindo-nos perceber o que se passa no mundo); um jornal não apenas circunscrito a Lisboa, mas com notícias sobre as várias regiões do país (vejo os Açores muito longe do jornal e mesmo da Madeira, que apesar de ter o Tolentino, não é tão coberta); um jornal que denuncia, mas com base em jornalismo de investigação e não em suspeitas (é muito comum no jornalismo português actual as suspeitas serem a notícia e não o "fio de um novelo" para a investigação). Um jornal abangente que não se resume ao tratamento do "mundo político", mas que abrange outras áreas de interesse para o leitor, desde a saúde à ciência, passando pelo ambiente e por temas de sociedade.

Não me queria prolongar muito e sobretudo perder-me no que me moveu a escrever-lhe: felicitar-lhe pelo profissionalismo, pela coragem e pelo excelente contributo que deu ao jornalismo português e à luta pela preservação do PÚBLICO como o jornal de referência do país.

Delta Sousa e Silva

Agradeço-lhe o texto deste domingo, 2009/09/20. "A questão principal" esclarece o comportamento editorial de José Manuel Fernandes (JMF) nesta questão do PR/PM.

Não quero tirar nenhuma centralidade ao tema político PR/PM: desde a veracidade da existência de escutas, até à existência de "plantação" de uma notícia/acusação pelo presidente.

No entanto, como expôs no seu artigo, a direcção do jornal deu seguimento a tal "notícia" sem bases. Não parece ser apenas mau jornalismo, mas também actuação política premeditada.

Para mais, lê-se no seu texto: "Na sexta-feira, o provedor tomou conhecimento de que a sua correspondência electrónica, assim como a de jornalistas deste diário fora vasculhada sem aviso prévio pelos responsáveis do PÚBLICO".

Faço notar que na página de entrada no site do PÚBLICO vem destacada "A FRASE": “Nunca pensei que um jornal em Portugal publicasse e-mails internos de outro. (...) Estamos perante um comportamento pidesco.” Vicente Jorge Silva, Correio da Manhã, 19-09-2009.

Até que ponto JMF pode ir na hipocrisia de defender valores de "verdade jornalística", ou qualquer outro "valor democrático", depois de vasculhar emails alheios! Creio que mesmo sendo um e-mail de trabalho isto é uma ilegalidade(confirmei com o informático do meu trabalho).

Também me parece que anda um clima pidesco no ar -- todas estas notícias são escritas em torno de possíveis escutas e de correspondência vasculhada.

Isto, por si só, fez-me decidir deixar de comprar de vez o PÚBLICO enquanto JMF for da direcção. Assim agradecia que expressasse o meu pedido para a demissão da actual direcção do PÚBLICO.

Pedro Jorge

Há anos que não se assistia em Portugal a um escândalo político/financeiro/jornalístico desta garvidade e dimensão. Um PR militante de um partido que, sem provas, ataca um Governo do partido rival e sugere a um jornal de referência que publique sobre isso falsidades. O jornal publica, o dono do jornal aplaude e o director do jornal enreda-se numa imensidão de contradições e de falta de ética. Que espera José Manuel Fernandes para abandonar o cargo salvando o que resta da sua dignidade?

J.R.S.

Sou leitor assíduo do PÚBLICO e fiquei indignado com a vossa página no jornal de hoje, domingo 20, não só porque o registo expressivo é pouco claro e elucidativo mas, sobretudo, pelo conteúdo: dá a entender que o PÚBLICO, pelo facto de escrever sobre uma suspeita, como foram as notícia de Agosto, estava a fazer um golpe baixo a Sócrates e a proteger Cavaco. Se o senhor prestasse atenção ao que os socialistas mais chegados a Sócrates afirmaram do chefe de Estado, após a apreciação da inconstitucionalidade do Estatuto dos Açores, o senhor provedor deixaria de ser tão ingénuo e pensaria duas vezes antes de pôr a mão no fogo. Sócrates e os seus sequazes, pela manutenção no poder, são capazes disso e muito mais. O povo está farto de tanta diletância, tanta vaidade, pose e incompetência e de tantos jornalistas/assessores sem coluna vertebral que acreditam na cock and bull story de Sócrates.

Lídia Lispor

É censurável sob todos os pontos de vista o comportamento dessa figura inqualificável que dirige o jornal. Dizer na SIC o que disse, para além de outras declarações a outros orgãos de comunicação, terminando por dizer que o mail, o tal mail, foi reencaminhado no dia em que foi contactado por outros orgãos de comunicação, só pode ser dito daquela maneira por um jornalista na esteira da Manuel Moura Guedes. De facto, se o mail foi reencaminhado, só tem que ser averiguado por quem e por quem dentro do jornal... Talvez os serviços secretos se tenham aí introduzido através da... banda larga! É preciso desfaçatez para que esse jornalista, que não dignificou o cargo que ocupa, colabore em fantochadas destas e que tenha consentido, anuído mesmo, a um mail cujo texto é um hino à estupidez e à intriguice como arma de arremesso político. Depois dizer que a revelação servia os interesses do governo e do primeiro-ministro é confessar que ele estava interessado em esconder para o prejudicar... Pobre criatura essa. Pelo menos, eu como cidadão reformado, não inscrito nem militante de nenhum partido, no limiar dos 65 anos, quero viver num País livre de Manuelas M. Guedes, quer usem saias ou calças!

Parabens pelos seus textos críticos e recomendações num jornal que só leio aos fins-de-semana, mas que, se não arredar caminho, não irá longe. Ainda bem que consta que esse Director vai fazer companhia à sua admiradora e só espero que o jornal seja mesmo isento, democrático, pluralista, fonte de bons jornalistas, mas nunca de sabujices como tudo o que sai retratado no mail!

José Ventura

Não posso deixar de lhe agradecer a sua crónica 'A questão principal', por mostrar que afinal não estamos todos loucos. Confesso que tendo já alguma dificuldade em acompanhar a pouco séria campanha da asfixia democrática (no continente mas não na Madeira!) vejo surgir uma nova campanha, menos fundamentada ainda, mas agora pela mão dum jornal prestigiado, mais precisamente pela mão do seu director (menos prestigiado é certo!), atirando irresponsavelmente e, vá-se lá saber com que intenções, o PR contra o primeiro-ministro. Não pode o PR deixar de, e com urgência, esclarecer publicamente estas notícias e demitir o seu incompetente assessor.

Por outro lado, parece-me que também era oportuno lembrar ao senhor engenheiro Belmiro de Azevedo (são cada vez mais os envolvidos nisto) que se a liberdade de imprensa é um bem inestimável a honestidade e a lisura de procedimento ainda é bem maior.

João Oliveira

Foi com bastante mágoa que tive notícia, através da sua crónica de hoje, do "clima de nervosismo" que se instalou na redacção do PÚBLICO. Estamos tão habituados a ver os políticos amiudadas vezes acusados de se excitarem em tempos de campanha eleitoral, e eis que constatamos que os media podem ser atacados da mesma paranóia viral - e isto para não mencionar outros orgãos de soberania!

Recapitulemos: o insucesso da OPA; a viragem do PÚBLICO; a recente entrevista do Sr. Belmiro de Azevedo. Esta última explicitou, para fraco entendedor, aquilo que qualquer entendedor mediano já tinha intuído: que há, como nunca houve, na ainda curta vida do jornal, uma sintonia total entre a propriedade e a direcção do jornal. É como se o produto tivesse acertado o passo com a estratégia de forma tão feliz que mesmo o bom do Schumpeter já deve estar convencido de que, enfim, há prejuízos que vêm por bem.

Mais espinhosas se afiguram as perspectivas para os leitores e para o Provedor. Os primeiros porque aceitaram o paradigma do jornal de referência, mas já ninguém sabe dizer com rigor (ou sem ele) que espécie de referência é que a actual direcção do jornal ambiciona; o segundo parece tão apegado a valores caducos que ainda agora, neste ano da graça de 2009, se dá ao luxo de exibir citações do Livro de Estilo, o mesmo que a OPA meteu na gaveta!

O PÚBLICO, enquanto produto, tem dois problemas: os leitores e o Provedor. E não se pode exterminá-los?

Vasco Almeida

O Provedor no seu melhor, e a actuar devidamente, sinto-o e felicito-o. E sinto que algo está por esclarecer. Não entendo o qu~e, mas este não está a ser o J.M.F. de há 10 anos, não só por isto, como até pelo conteúdo de alguns editoriais, de há um ano a esta parte – poucos e ainda bem -, e não só. Porquê?

Augusto Küttner de Magalhães

Sou uma cidadã idosa, reformada e pobre, mas atenta à comunicação social. Fui leitora do PÚBLICO, mas o comportamento do Director, do crítico de televisão Cintra e muitos comentadores levou-me a reparar no primeiro-ministro, o que me levou a simpatizar com ele e a admirar a sua persistência e força de vontade, semelhantes às minhas, quando era útil à sociedade, e a que os fracos chamavam arrogância. Não sou do PS nem de qualquer outro partido, a maior parte das vezes sou abstencionista, mas, desta vez, vou votar no Sócrates, e jamais votarei em Cavaco, que acho ser pessoa indigna e vingativa. Desejo para si as maiores felicidades, pois a tarefa que está a desempenhar não é nada fácil, como não é a de Bettencourt Resendes. Depois do desaparecimento de Cáceres Monteiro, restam os dois para exemplo dos mais novos, pois são autênticos "moicanos".

Lídia Sousa

A questão principal

O caso das escutas de Belém suscita a mais preocupante das perguntas: terá este jornal uma agenda política oculta?

Na primeira ocasião (em Que-
rença) Ca-
vaco não foi confrontado com a per-
gunta que devia ser feita, sobre a sua res-
ponsabilida-
de política no caso


Na sequência da última crónica do provedor, instalou-se no PÚBLICO um clima de nervosismo. Na segunda-feira, o director, José Manuel Fernandes, acusou o provedor de mentiroso e disse-lhe que não voltaria a responder a qualquer outra questão sua. No mesmo dia, José Manuel Fernandes admoestou por escrito o jornalista Tolentino de Nóbrega, correspondente do PÚBLICO no Funchal, pela resposta escrita dada ao provedor sobre a matéria da crónica e considerou uma “anormalidade” ter falado com ele ao telefone. Na sexta-feira, o provedor tomou conhecimento de que a sua correspondência electrónica, assim como a de jornalistas deste diário, fora vasculhada sem aviso prévio pelos responsáveis do PÚBLICO (certamente com a ajuda de técnicos informáticos), tendo estes procedido à detecção de envios e reenvios de e-mails entre membros da equipa do jornal (e presume-se que também de e para o exterior). Num momento em que tanto se fala, justa ou injustamente, de asfixia democrática no país, conviria que essa asfixia não se traduzisse numa caça às bruxas no PÚBLICO, que sempre foi conhecido como um espaço de liberdade.

A onda de nervosismo, na verdade, acabou por extravasar para o próprio mundo político, depois de o Diário de Notícias ter publicado anteontem um e-mail de um jornalista do PÚBLICO para outro onde se revelava a identidade da presumível fonte de informação que teria dado origem às manchetes de 18 e 19 de Agosto, objecto de análise do provedor. A fuga de informação envolvia correspondência trocada entre membros da equipa do jornal a propósito da crónica do provedor. O provedor, porém, não denuncia fontes de informação confidenciais dos jornalistas – sendo aliás suposto ignorar quem elas são –, e acha muito estranho, inexplicável mesmo, que outros jornalistas o façam. Mas, como quem subscreve estas linhas não é provedor do DN, sim do PÚBLICO, nada mais se adianta aqui sobre a matéria, retomando-se a análise suspensa há oito dias.

Em causa estavam as notícias dando conta de que a Presidência da República estaria a ser alvo de vigilância e escutas por parte do Governo ou do PS. O único dado minimamente objectivo que a fonte de Belém, que transmitiu a informação ao PÚBLICO, adiantara para substanciar acusação tão grave no plano do funcionamento do nosso sistema democrático fora o comportamento “suspeito” de um adjunto do primeiro-ministro que fizera parte da comitiva oficial da visita de Cavaco Silva à Madeira, há ano e meio. As explicações eram grotescas – o adjunto sentara-se onde não devia e falara com jornalistas –, mas aceites como válidas pelos jornalistas do PÚBLICO, que não citavam qualquer fonte nessa passagem da notícia (embora tivessem usado o condicional).

A investigação do provedor iniciou-se na sequência de uma participação do próprio adjunto de José Sócrates, Rui Paulo Figueiredo, queixando-se de não ter sido ouvido para a elaboração da notícia, apesar de Tolentino de Nóbrega ter recolhido cerca de seis meses antes a sua versão dos factos. O provedor apurou que na realidade Tolentino de Nóbrega, por solicitação de um dos autores da notícia, o editor Luciano Alvarez, já compulsara no Funchal, logo após a visita de Cavaco Silva, e enviara para a redacção informações que convergiriam com aquilo que Rui Paulo Figueiredo lhe viria a afirmar um ano depois (e que o correspondente entendeu não ter necessidade de comunicar a Lisboa, convencido de que o assunto morrera). Esses dados, contudo, não haviam sido utilizados na notícia (foi por tê-lo dito na crónica que o provedor recebeu de José Manuel Fernandes o epíteto de mentiroso, não tendo recebido entretanto as explicações que logo lhe pediu). O provedor inquirira José Manuel Fernandes e Luciano Alvarez sobre as razões dessa omissão mas não obtivera resposta.

Quanto ao facto de não se ter contactado o visado para a produção da notícia, como preconiza o Livro de Estilo do PÚBLICO (“qualquer informação desfavorável a uma pessoa ou entidade obriga a que se oiça sempre ‘o outro lado’ em pé de igualdade e com franqueza e lealdade”), respondeu Luciano Alvarez ao provedor: “Ao fim do dia da elaboração da notícia, eu próprio liguei para Presidência do Conselho de Ministros, para tentar uma reacção de Rui Paulo Figueiredo, mas ninguém atendeu. Cometi um erro, pois deveria ter, de facto, ligado para São Bento, pois sabia bem que era aí que Rui Paulo Figueiredo habitualmente trabalhava, já que uma vez lhe tinha telefonado para São Bento para elaboração de outra notícia”.

Numa matéria desta consequência, em que se tornaria crucial ouvir o principal protagonista, o provedor regista a aparente escassa vontade de encontrar Rui Paulo Figueiredo, telefonando-se ao fim do dia (em que presumivelmente já não estaria a trabalhar) e para o local que o jornalista sabia ser errado. A atitude faz lembrar os métodos seguidos num antigo semanário dirigido por um dos actuais líderes políticos (que por ironia tinha por objectivo destruir politicamente Cavaco Silva, então primeiro-ministro), mas não se coaduna com a seriedade e o rigor de que deve revestir-se uma boa investigação jornalística. Se o jornal já possuía a informação há ano e meio, porquê telefonar à figura central pouco antes do envio da edição para a tipografia? É um facto que Rui Paulo Figueiredo, segundo afirmou ao provedor, estava então de férias, mas isso não desculpa a insignificância do esforço feito para o localizar.

Também José Manuel Fernandes reconheceu ao provedor “o erro de tentar encontrar Rui Paulo Figueiredo na Presidência do Conselho de Ministros e não directamente na residência oficial do primeiro-ministro”, acrescentando porém: “Tudo o mais seguiu todas as regras, e só lamentamos que os recados deixados a Rui Paulo Figueiredo não se tenham traduzido numa resposta aos nossos jornalistas, que teria sido noticiada de imediato, antes no envio de uma queixa ao Provedor – a resposta não impediria que se queixasse na mesma, mas impediu-nos de noticiar a sua posição e de lhe fazer mais perguntas”.

O provedor considera porém que nem “tudo o mais seguiu todas as regras”. As notícias do PÚBLICO abalaram os meios políticos nacionais, e o próprio primeiro-ministro as comentou considerando o seu conteúdo “disparates de Verão”. O assunto era pois suficientemente grave para o PÚBLICO, como o jornal que lançou a história, confrontar a sua fonte em Belém com uma alternativa: ou produzia meios de prova mais concretos acerca da suposta vigilância de que a Presidência da República era vítima (que nunca surgiram) ou teria de se concluir que tudo não passava de um golpe de baixa política destinado a pôr São Bento em xeque. Não tendo havido qualquer remodelação entre os assessores do Presidente da República nem um desmentido de Belém, era aliás legítimo deduzir que o próprio Cavaco Silva dava cobertura ao que um dos seus colaboradores dissera ao PÚBLICO. Mais significativo ainda, o PÚBLICO teria indícios de que essa fonte não actuava por iniciativa própria, mas sim a mando do próprio Presidente – e essa era uma hipótese que, pelo menos jornalisticamente, não poderia ser descartada. Afinal de contas, o jornal até podia ter um Watergate debaixo do nariz, mas não no sentido que os seus responsáveis calculavam.

No prosseguimento da cobertura do caso, o passo seguinte do PÚBLICO deveria, logicamente, consistir em confrontar o próprio Presidente da República com as suas responsabilidades políticas na matéria. Tendo o provedor inquirido das razões dessa inacção, respondeu José Manuel Fernandes: “O PÚBLICO tratou de obter um comentário do próprio Presidente, mas isso só foi possível quando este, no dia 28 [de Agosto], compareceu num evento em Querença previamente agendado, ao qual enviámos o nosso correspondente no Algarve. Refira-se que, quando percebemos que não conseguiríamos falar directamente com o Presidente para a sua residência de férias, verificámos a sua agenda para perceber quando ia aparecer em público, tendo notado que a notícia saíra da Casa Civil exactamente antes de um período relativamente longo em que o Presidente não tinha agenda pública”.

Em Querença, Cacaco Silva limitou-se porém a invocar “os problemas do país” e a apelar para “não tentarem desviar as atenções desses problemas”, tendo faltado a pergunta essencial: como pode o Presidente fazer declarações altruístas sobre a situação nacional e ao mesmo tempo caucionar (se não mesmo instigar) ataques abaixo da cintura lançados de Belém sobre São Bento? E, como qualquer jornalista político sabe, havia muitas maneiras de confrontar a Presidência da República com a questão e comunicar ao público a resposta (ou falta dela), não apenas andando atrás do inquilino de Belém.

Do comportamento do PÚBLICO, o provedor conclui que resultou uma atitude objectiva de protecção da Presidência da República, fonte das notícias, quanto aos efeitos políticos que as manchetes de 18 e 19 de Agosto acabaram por vir a ter. E isto, independentemente da acumulação de graves erros jornalísticos praticados em todo este processo (entre eles, além dos já antes referidos, permitir que o guião da investigação do PÚBLICO fosse ditado pela fonte de Belém), leva à questão mais preocupante, que não pode deixar de se colocar: haverá uma agenda política oculta na actuação deste jornal?

Noutras crónicas, o provedor suscitou já diversas observações sobre procedimentos de que resulta sempre o benefício de determinada área política em detrimento de outra – não importando quais são elas, pois o contrário seria igualmente preocupante. Julga o provedor que não é essa a matriz do PÚBLICO, não corresponde ao seu estatuto editorial e não faz parte do contrato existente com os leitores. É pois sobre isso que a direcção deveria dar sinais claros e inequívocos. Não por palavras (pois a coisa mais fácil é pronunciar eloquentes declarações de isenção), mas sim por actos.

Publicada em 20 de Setembro de 2009

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Não se passa nada

O PÚBLICO é hoje capa no Sol e no Diário de Notícias, mas pelo site do jornal não se passa nada. Para saber o que se passa no jornal que compro desde o primeiro número, tenho que comprar a concorrência!

Carlos Reis

ACTUALIZAÇÂO:

Efectivamente é no minimo estranho que notícias que envolvem o PÚBLICO sejam veiculadas por outros jornais, tais como o Sol e o DN, e não pelo próprio. No caso ainda para mais dois jornais que nem leio. Mas de repente tudo o que seja noticiário aborda estes temas.

Qual o motivo, para não ser o nosso PÚBLICO a referir alguns comentários sobre as hipotéticas escutas efectuadas por alguém do staff do primeiro-ministro ao Presidente da República, o que foi divulgado pelo PÚBLICO em Agosto e que está a ser, e muito bem, motivo de crónicas do Provedor?

Qual o motivo de não ser o PÚBLICO a informar os seus leitores que vai mudar de Director? Ou a desmenti-lo de imediato caso não seja verdade?

O PÚBLICO tem de ocupar o seu lugar de qualidade e referência diariamente, em tudo.

Augusto Küttner de Magalhães

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Sobre a crónica "Notícia e interpretação"

O editor de Desporto deu as suas explicações, que o provedor considera convincentes, mas eu gostaria que ana-
lisasse o seguinte:

Não é natural e óbvio que o clubismo de quem apresenta as suas reclamações seja mais evidente do que os "isentos" jornalistas que trabalham nessa casa? Eles até se assumem, reclamam frontalmente! Quantos jornalistas de desporto assumem frontalmente o seu clubismo? Será que na sua formação recebem uma vacina anti-clubismo, com duração e eficácia ad eternum? Será que Jorge Miguel Matias foi ou é capaz de seleccionar uma equipa de colaboradores 100% isenta, objectiva, que só relata factos? Será que, num estilo yankee, tão querido do director José Manuel Fernandes, forem submetidos ao detector de mentiras a propósito do seu
clubismo, estarão todos virgens ou inocentes? Será que um jornalista adepto ou simpatizante do FC PORTO é capaz de ver, relatar ou opinar de forma isenta sobre um jogo do que é conhecido por "glorioso"? Quantas vezes?

Se Jorge Miguel Matias está tão seguro - até pode dar garantias sobre a isenção dos seus colaboradores -, por que não convida ou faculta a esses seus colaboradores a possibilidade de assinarem todos os artigos e simultaneamente mencionarem as suas posições em relacção ao "maldito" clubismo - ISENTO; ANTI-CLUBISMO; SIMPATIZANTE de ... ; ADEPTO de ...; ADEPTO/ACCIONISTA de ...; ANTI ...?

Com esta iniciativa ficariamos todos melhor: os isentos jornalistas ficariam mais tranquilos na sua consciência porque facultariam factos importantes para percebermos as suas opiniôes/interpretações (gostei muito das suas considerações sobre o Livro de Estilo - mas vá acompanhando a prática ). Os infelizes reclamantes, vitímas dessa doença terrível que é o clubismo, ficariam melhor posicionados para perceberem essas opiniões/interpretações, até porque "não é possível separar a informação sem opinião".

O PÚBLICO, sobre a direcção desse autêntico farol do jornalismo português, teria uma iniciativa inédita, que contribuiria de forma significativa para um jornalismo desportivo mais credível e verdadeiro.

Vamos ser sérios a assumir de uma vez para sempre quem somos e ao que andamos.

O provedor já sabe que eu sou adepto do FC PORTO. Atingido pela grave doença, que só não atinge jornalistas, aos 3 anos, ainda vivo e já lá vão 60. Ao que ando? Neste momento a caminho da reforma, se lá chegar, tento sobreviver e acima de tudo continuar a lutar pelas minhas convicções.

O clubismo que temos é em grande parte construído pelo falso, corrupto e pouco qualificado jornalismo desportivo que se continua a publicar. Associar o clubismo apenas a uma doença que afecta a psique nacional e aos comentadores da TV que perdem as estribeiras não é rigoroso, nem correcto. Basta observar o enorme contributo que, a nível mundial, os clubes desportivos, os seus adeptos/associados pagadores e
consequentemente o clubismo têm facultado à humanidade nos mais diversos domínios (incluindo o jornalismo).

Jorge Moreira