segunda-feira, 30 de junho de 2008

Vantagens do .pdf

Li no jornal de ontem [29 de Junho], na crónica do provedor, Paulo Fonseca dizer: "Como assinante do jornal por via electrónica, penso ter direito aos mesmos conteúdos de quem compra um jornal na rua ou o assina em papel. A questão é esta: o PÚBLICO entende disponibilizar os conteúdos do caderno principal e do P2 de uma forma diferente do que faz com os suplementos Fugas, Ípsilon e Pública. Ou seja, para os dois primeiros temos uma versão igual ao jornal e para os suplementos uma versão apenas em texto, mal apresentada e sem ter nada a ver com o jornal."

Eu sou assinante do PUBLICO em .pdf. Ora, quando ponderei qual das assinaturas deveria subscrever, uma coisa que reparei, e pesou na minha decisão, foi a menção que os suplementos não teriam o look and feel da edição em papel. Logo, não concordo com Paulo Fonseca se ele pretende dizer que foi (ou está a ser) enganado, pois tem os mesmos conteúdos, não tem é o mesmo aspecto, mas foi avisado sobre isso. Se Paulo Fonseca dá importância ao aspecto, pois assine em formato .pdf.

Porém, concordo com ele quando diz: "Além disso, o que no meu entender é mais grave, nem todas as semanas os suplementos, pelo menos o Ípsilon, têm todos os conteúdos." Eu também me queixo do mesmo: hoje, 30.JUN.08, a capa do PÚBLICO faz menção, no canto inferior direito, a um suplemento não periódico, "Inovação e Ensino Superior". Onde está essa publicação na minha assinatura? Tenho que a ir buscar à banca? A publicidade não menciona qualquer valor a pagar por esse suplemento, o que me leva a uma dificuldade acrescida: não sendo eu um cliente regular (e supondo que sobra um suplemento ao final do dia), por que motivo o vendedor (qualquer um) irá fornecê-lo à minha pessoa? Se for a pagar, talvez algum comprador do jornal não queira esse gasto extra, e aí já terei alguma facilidade em obter a publicação. Mas se eu assino em .pdf por que razão sou obrigado a deslocar-me à banca? Isto vale também para a coleção do Sinatra, do Blueberry e outras: em teoria, tenho de comprar o jornal para ter acesso àquelas publicações.

Fora isso, são só elogios: o formato .pdf permite guardar o jornal no computador, copiar alguns textos para o word, partilhá-lo, tal e qual como faria com o jornal em papel. Ainda hoje tenho a edição em papel de O Inimigo Público onde Pinto da Costa é satirizado na altura em que foi presente a tribunal e pagou uma caução de 125000,00 euros para se manter em liberdade; a ideia de fazer uma edição Lisboa e outra edição Porto, lado a lado, foi genial. Guardei-a, como faço com o .pdf, posso copiar algumas das piadas, posso emprestá-lo para exibir essa genialidade, tudo possivel em .pdf e em papel.

Se por acaso estão a pensar em mudar para outro formato de leitura, não o façam: eu não assino o Expresso porque só posso ler no ecrã, não posso guardar nem copiar. A mesma coisa vale para a Exame Informática, preciso de um leitor próprio para a ler e eu não gosto disso. Penso que o .pdf é uma mais valia. Eu até arranjei um Splitter Merger em http://www.getpdf.com/split-merge-pdf.html de maneira a poder ter recortes tal e qual como teria em papel. É com este programa que eu separo o P2 de alguns suplementos que vêm agarrados como, por exemplo, "Museu do Oriente", "Exponor News" e "Natal 2007".

Nelson Vladimiro, Lisboa

Estoi ou Estói?

"Palácio de Estói passa a pousada" é o título de uma curta notícia inserta no topo da pág. 43 do PÚBLICO de 29 de Junho. Moro em Faro e desde que me conheço que leio e escrevo a palavra "Estoi" sem acentuação da segunda sílaba, isto é, como na pronúncia das palavras "boi", "loi-ça" e muitas outras.

Consultando o Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa, de José Pedro Machado (Editorial Confluência, 2º volume E - M, p. 597), diz-nos: "Estoi, top. Faro; em Penafiel há Vila Estoi. Desconheço a origem deste nome, mas creio tratar-se de palavra com origem pré-romana."

José Luz Santos

O inferno está cheio de boas intenções

Face ao conteúdo de uma observação de um tal Howard Kurz no P2 de ontem, 29 de Junho, págs. 8/9, em que de forma ligeira e leviana classifica Theodore Kaczynski como um serial killer, não mencionando nunca tudo o que envolveu a publicação do Manifesto do Unabomber, editado em Portugal, nem o seu conteúdo, quero expressar o meu pasmo e exigir, no futuro, um pouco de mais rigor e verdade.

Pinto Ribeiro

NOTA DO PROVEDOR. Um serial killer é sempre um serial killer, independentemente das motivações.

domingo, 29 de junho de 2008

O outro PÚBLICO

Um jornal sem site é como se não existisse. Mas um site não é mero repositório de matéria publicada – tem vida própria

Na primeira quinzena do mês, o provedor recebeu uma revoada de reclamações de leitores do PUBLICO.PT que se sintetizam na exposição de um deles, Ricardo Quintas (R.Q.): “1) fotografias em ‘negativo’ quando são clicadas, tornando impossível a sua visualização; 2) mensagem a dizer ‘edição inexistente’; 3) anúncios de dupla folha que dificultam a ‘navegabilidade’ do site e a visualização das notícias; 4) textos em latim (?) em vez do texto da notícia; 5) textos com tags [marcadores] esquisitos que tornam difícil a respectiva leitura, por exemplo: ‘...pobreza \u2013 as mais relevantes desde a criação do rendimento mínimo garantido em 1996 \u2013, insistem na denúncia de aumento da pobreza entre nós, que nenhum indício confirma, antes pelo contrário. Se existe uma verdadeira expressão de \u201Cinimizade política\u201D(...)’; 6) notícias só visíveis com a opção ‘Utilize o clip para poder visualizar a notícia’, mas que depois têm um tamanho de font [tipo de letra] impossível de ler”.

A possível erupção do latim (língua morta sem aparente motivo para ressuscitar em meio tecnológico tão avançado) intrigou sobremaneira o provedor. Porém, uma reclamação idêntica de outro leitor, José Luís Ferreira (J.L.F.), fez luz sobre a questão: “O título da entrevista de Ana Gerschenfeld a Marilyn vos Savant [9 de Junho] era seguido do seguinte destaque: ‘Lor sum ad te modo od tat ex et, velenis odolore diat, venisim endiam dunt lore tat essequat nonse essequisis ectet er sit niat’ (interessantíssimo texto não sei se em latim da Baixa Idade Média de Xabregas, se em minderico, mirandês..., quiçá em esperanto...)”. Não sendo versado em dialectos perdidos, o provedor atreve-se a dizer que se trata antes do resultado de uma teclagem aleatória no computador por um técnico informático, com vista à sua substituição pelo verdadeiro destaque, o que não se chegou a operar.

O provedor recebeu do director do PÚBLICO a explicação de que o jornal mudara de plataforma informática no início do Junho, pelo que se deveria tratar de questões da aclimatação (que não afectam só os seres vivos). “Os problemas que identificámos tinham a ver com isso e têm vindo a ser progressivamente resolvidos, conforme se vão detectando bugs [anomalias informáticas]”, concluía José Manuel Fernandes.

A verdade é que esse tipo de críticas diminuiu drasticamente nos últimos dias, pelo que o provedor presume que tudo regressou à normalidade. Mas as reclamações sublinham o impacte actual do site do PÚBLICO, de que cada vez mais gente depende para se informar, sem ler a edição em papel.

Hoje, na verdade, um meio de informação sem página na internet é como se não existisse. É um dado de civilização: o crescimento exponencial do consumo de informação na rede obrigou os media tradicionais não só a criarem sites próprios mas também a investirem cada vez mais no seu desenvolvimento, já que não podem ser considerados meros repositórios de matérias publicadas noutros suportes, mas órgãos de informação com autonomia própria, linguagem diferenciada e conteúdos específicos.

Pelos padrões nacionais, o site do PÚBLICO apresenta um interessante nível evolutivo, traduzido num crescente número de contactos diários, mas há muitos leitores, que fazem comparações com sites de jornais estrangeiros sem se levantarem da cadeira, a exigirem sempre mais e melhor.

É o caso de João Florêncio, que escreve de Londres: “Como português residente no estrangeiro, tenho por hábito consultar o PUBLICO.PT diariamente. Ora o que me espanta é a pobre qualidade editorial das notícias apresentadas no site. Tendo eu sido leitor regular da versão impressa do vosso jornal enquanto vivia em Portugal, surpreende-me muito pela negativa a distância abissal que separa o jornal propriamente dito e as ‘notícias’ disponibilizadas online para leitura gratuita, frequentemente pobres na linguagem utilizada, bastantes vezes parciais e por vezes desactualizadas. (...) Gostaria de vos deixar um exemplo de jornalismo online de qualidade: www.guardian.co.uk [site do diário britânico The Guardian]”. Também R.Q. é severo no julgamento e exigente no modelo: “Nunca vi um site de notícias tão mal feito como o vosso. É pena. Vejam por exemplo o site da revista The Economist. É simples e confortável de ler”.

Independentemente da acusação de parcialidade que o leitor não comprova (e o provedor não detecta), e mesmo descontando os exageros de muitos dos que se habituaram a reclamar através da web, estes sinais de desapontamento e exigências de melhoria deveriam ser tidos em consideração pelos responsáveis do PÚBLICO. Claro que os cânones apontados (a que se podem juntar muitos outros) resultam de um grande investimento que não caberá na dimensão deste jornal, mas não é um facto que o PÚBLICO sempre fez gala de se equiparar ao que de melhor se produz no jornalismo internacional?

A frustração cresce entre assinantes do PUBLICO.PT, com acesso a matérias que outros não podem ler. É o caso de Paulo Fonseca: “Como assinante do jornal por via electrónica, penso ter direito aos mesmos conteúdos de quem compra um jornal na rua ou o assina em papel. A questão é esta: o PÚBLICO entende disponibilizar os conteúdos do caderno principal e do P2 de uma forma diferente do que faz com os suplementos Fugas, Ípsilon e Pública. Ou seja, para os dois primeiros temos uma versão igual ao jornal e para os suplementos uma versão apenas em texto, mal apresentada e sem ter nada a ver com o jornal. Além disso, o que no meu entender é mais grave, nem todas as semanas os suplementos, pelo menos o Ípsilon, tem todos os conteúdos. Já por mais de uma vez reparei que as críticas dos discos não constam em algumas edições, por exemplo a de hoje [2 de Maio]. Isto é enganar as pessoas que assinam por um ano o jornal. Será que o PÚBLICO disse em algum sítio que quem assina o jornal pela internet (e já o faço há um bom par de anos) não tem direito a determinada informação, ou essa informação não é disponibilizada da mesma forma que o restante jornal?”

J.L.F., que diz comprar a edição impressa e ao mesmo tempo assinar a online (50 euros/ano), faz as contas de quem apenas subscreve o PUBLICO.PT: “Em lugar, neste momento, de pagar por semana 4x0,90 + 3x1,40 = 7,80 euros, paga 8,78 euros [por um] serviço – recordo – que, apesar de com maior qualidade, noutros media (a generalidade deles) é gratuito”.

Inevitavelmente, sob a emoção do protesto, surge até a ocasional ameaça de não renovar a assinatura do PUBLICO.PT ou a pergunta sobre se é possível a sua suspensão imediata, com reembolso do remanescente.

O provedor dá ainda conta de queixas sobre algumas funcionalidades do site, sobre gralhas nas notícias online, sobre o automatismo na forma como se promove textos (por exemplo, retirar as palavras iniciais para chamada, como aconteceu com uma crónica de Vasco Pulido Valente assim destacada: “Com o risco de repetir Constança Cunha e Sá, insisto no tema”), sobre a ausência de constante actualização (enquanto é noite e madrugada em Lisboa) ou sobre insuficiências do motor de busca.

Recomendação do provedor. Tendo em conta o actual papel da informação online e a sua previsível evolução, e tanto mais que o PÚBLICO já possui liderança neste segmento, o reforço da aposta do jornal no sector deverá acolher com especial atenção o ponto de vista dos utilizadores.


CAIXA:

A espuma dos dias

Que se passa com este jornal? Uma notícia é publicada duas vezes na mesma edição (31 de Maio), nas págs. 10 e 40, respectivamente com os títulos “MTD quer ‘dar voz’ aos desempregados” e “Desempregados têm movimento associativo”; o mesmo acontece com a crónica “A minha TV”, de Jorge Mourinha, saída com o mesmo título e o mesmo texto em dois dias seguidos, 17 e 18 de Junho; num artigo sobre os 113 anos dos corn flakes – flocos de milho – (págs. 2/3 do P2 de 31 de Maio), fala-se sempre em trigo e “flocos de trigo”; na secção “Pessoas” de 10 de Junho, diz-se que Joan Collins acaba de participar “num jantar de beneficência organizado pela mulher do ex-Presidente da União Soviética, Raisa Gorbachov”, falecida há nove anos (o jantar foi iniciativa da Fundação Raisa Gorbachov); escreve-se, na pág. 9 de 17 de Junho, que o realizador Manoel de Oliveira será homenageado na "Cimeira Ibérica, na Cidade do México, entre 1 e 5 de Outubro", quando se trata do I Congresso da Cultura Ibero-americana; não chegam ao fim o obituário de Albert Cossery publicado nas págs. 10/11 do P2 da passada sexta-feira (terminando em “Sigamos, por isso, o princípio do prazer de Cossery. Leiamos os seus”), uma notícia sobre Tom Cruise em “Pessoas” de 18 de Junho (“... o de um dos filmes de”), duas crónicas de Desidério Murcho (de 17 de Junho – “... nos dicionários de língua inglesa: abro um, e os” – e de 24 de Junho – faltando pelo menos um ponto final em "... é como fazer uma lei que oferece chocolates”) e a crónica de Paulo Varela Gomes de 18 de Junho (“O problema maior destes missionários obcecados, os do ‘Ocidente’ e os do ‘Oriente’, não”).

De todos estes lapsos, o PÚBLICO só corrigiu (na edição de ontem) o do artigo sobre Cossery. Em relação ao resto, os leitores, alguns dos quais detectaram as falhas, ficaram em branco. Ironiza Luís Filipe Lopes sobre um dos casos: “Gostaria de ter lido a conclusão do raciocínio de Desidério Murcho, mas, enfim, talvez esteja a pedir de mais. Não está provado que os artigos tenham que terminar por um ponto final...”

Não são só os textos que não têm fim (o que torna a sua leitura exasperante), é também este problema, para o qual o provedor já uma vez alertou, que parece fácil de evitar, mas cuja solução o jornal ainda não encontrou.

Desde 3 de Junho, duas edições após o provedor ter criticado referências erradas nas previsões para os dias seguintes da página meteorológica, os mapas com essas previsões deixaram de conter a indicação dos dias. Assim, de facto, evita-se qualquer erro, mas não parece que os leitores fiquem mais bem servidos.

Publicada em 29 de Junho de 2008

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Novas do Brasil

Tomei conhecimento da grave ofensa à liberdade de imprensa perpetrada contra a escritora Maria Teresa Horta (ver última crónica do provedor).

Sei que "O Inimigo Público" é uma seção de HUMOR, e que até uma ministra já ali apareceu caracterizada como pirata, sei que o humor às vezes não poupa ninguém. Mas acho grave atribuir a alguém palavras que não disse (entre aspas), sobretudo quando deste modo se induz o público leitor, através do deboche e do escárnio, a uma visão conservadora, neste caso de desprezo pela vida de lutas contra o machismo da escritora Maria Teresa Horta e de tantas feministas. Se hoje as mulheres já não estão sob as botas dos homens em Portugal, muito se deveria agradecer àquelas que, num passado não muito distante, não se curvaram numa sociedade então governada pelo machismo e pelo totalitarismo.

Sou escritor e professor de Literatura Portuguesa na Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Acompanho muito de perto a literatura e a vida cultural portuguesa. Como divulgador da cultura portuguesa fora de Portugal, pelo amor que tenho por Portugal, não posso me calar diante de um acto que condeno. Lembro aqui o Garrett, diante da lei das rolhas: lavro o meu protesto, para que ao menos o meu nome não passe à posteridade com a mancha de covardia ou de conivência em semelhante atentado.

Prof. Dr. Sérgio Nazar David
Universidade do Estado do Rio de Janeiro

terça-feira, 24 de junho de 2008

A culpa é do Google

Uma das intervenientes citadas na última crónica do provedor reage às considerações que aí envolvem o seu nome e o de Maria Teresa Horta:

É claro que não sou leitora de "O Inimigo Público" ou do PÚBLICO! Na realidade, encontrei o texto que me indignou ao digitar o nome de Maria Teresa Horta, que de fato me interessa como estudiosa e pesquisadora de Literatura Portuguesa, no Google.

Também é claro que me apercebi de que só poderia tratar-se de uma “gracinha”, muito sem graça por sinal, de algum engraçadinho. Mas como nem todo mundo é português, nem todo mundo sabe português ou saberia reconhecer tratar-se de um tablóide, poder-se-ia, isso sim, ler como sendo de Maria Teresa Horta as palavras que ali são explicitamente atribuídas a ela.

Quanto a pertencer à “claque paulista de Maria Teresa Horta”, penso que, em matéria de companhia, estou em óptima, tanto em relação às mulheres que se manifestaram como, principalmente, pela motivação: Maria Teresa Horta é uma das mais respeitadas e consideradas escritoras e poetisas portuguesas no Brasil! Nem os nossos mais escrachados tablóides fariam uma coisa dessas com nossas escritoras e poetisas brasileiras.

Professora Doutora Marlise Vaz Bridi
Professora de Literatura Portuguesa da Universidade de São Paulo
e da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Brasil


NOTA DO PROVEDOR. Ao que parece, Marlise Vaz Bridi não protesta tanto contra "O Inimigo Público" mas mais contra o Google. Quanto ao resto, anota-se o facto de ela ser totalmente imune à ironia.

ACTUALIZAÇÂO
Novo comentário de Marlise Vaz Bridi:

É interessante como o comentário aposto aos meus pelo senhor provedor (será que deveria colocar maiúsculas?) coloca a nu uma questão de fundo. O senhor provedor, que parecia manter-se no papel que exerce no jornal a que, em Portugal, é dado o nome de Provedor de Leitor, de repente (não mais que de repente, como diria o Poeta), deixa cair a máscara e mostra o que já estava claro. Acho mesmo que se está a perder um talento: o jornal faria bem em convidar a sua figura para integrar o grupinho dos inimigos do PÚBLICO, onde sarcasmos, ironias e escracho são a nota.

Repare, senhor provedor, que, nas duas oportunidades em que lhe enviei palavras, o essencial era o que dizia da importância da obra de Maria Teresa Horta entre nós e que isto, em minha opinião, deveria ser levado em consideração por portugueses, ou melhor, por aqueles portugueses que não o fazem. Entretanto, não foi sequer considerado em seus comentários tão pertinentes.

Por último, talvez fosse o caso de o famoso escritor português escrever um volume em sua série cujo título seja Senhor Provedor, que tal? Pensando bem, não sugeriria tal coisa a um escritor.

Marlise Vaz Bridi

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Caça-gralhas (VI)

Acabei de ler no PÚBLICO de hoje (23 de Junho), na notícia com o título "Morreu Albert Cossery, o Voltaire do Nilo" (pág. 17), o seguinte: "(...) ironizava este velho dandy que costumava-se passear-se pelo Quartier Latin (...)". COSTUMAVA-SE PASSEAR-SE? De facto, a minha indignação, direi mesmo a minha revolta para com os, digamos assim, "jornalistas" e os, digamos assim, "revisores" (ou copy-desks, como agora se diz) não tem limites. Ainda por cima, esta é uma notícia não assinada, vem apenas "AFP e PÚBLICO". Ou seja, o imbecil ignorante que virou do avesso, ou traduziu mal, um telex da AFP não soube (ou não quis), redigi-lo em português decente. Por isso, não há mais paciência, de facto. Um dia deixo de ler o PÚBLICO de vez. Nos outros jornais também se escreve mal, mas, ao menos, não têm a soberba ou a presunção de quererem ser BEM escritos...

Já agora, a propósito: no meu mail anterior para o provedor, chamava a atenção para o facto de, nesse dia, na última página, um texto muito negativo sobre o seleccionador francês Raymond Domenech ter tido a seta para cima, quando devia estar para baixo. Ora, nos dias seguintes não vi uma nota "O PÚBLICO errou" a reconhecer o erro e a repor a verdade. São estas pequenas coisas e a sua repetição sistemática que me exasperam no PÚBLICO. É isto um jornal "de referência"? Vou ali e já venho...

José Oliveira, Cruz Quebrada