Diz o PÚBLICO de 22 de Fevereiro, no artigo "Ala do Museu do Prado reabre com Giordano" (pág. 14 do P2), de Joana Amaral Cardoso, o seguinte:
"A pintura da abóbada representa a glória do império espanhol e foi criada durante o reinado de Carlos II, último representante da Casa de Áustria, mas foi sendo coberta ao longo das décadas por sucessivas remodelações do Casón. No tecto, a Apoteose da Monarquia Espanhola mostra cenas do domínio espanhol no mundo, o seu pendor religioso e a fundação da Ordem del Tóison, uma ordem de cavalaria criada para celebrar o casamento de Felipe II de Espanha com a portuguesa Isabel de Avis."
Ninguém sabe no PÚBLICO que a Ordem del Tóison é a Ordem do Tosão de Ouro? E que não foi fundada por Filipe II, mas sim por Filipe, o Bom, Duque de Borgonha e Conde de Flandres, para celebrar o seu casamento com Isabel de Portugal (filha de D. João I, Mestre de Avis)? A única portuguesa que foi casada com Filipe II foi Maria Manuela de Portugal, filha de D. Manuel.
Paulo Almeida
NOTA DO PROVEDOR. Perante situações destas, nada mais há a fazer que não seja reconhecer o erro. É o que faz a autora da notícia, após consultada pelo provedor: «Houve de facto um erro, que também escapou à edição, pelo qual peço desculpas aos leitores. A pintura representa de facto, entre outros aspectos, a origem da Ordem em causa, mas cuja fundação foi erradamente atribuída a Filipe II de Espanha, quando na verdade se tratava de Filipe III, Duque de Borgonha». Bom seria que falhas deste tipo não existissem, coisa muito facilitada actualmente com os instrumentos de consulta rápida que os jornalistas têm à sua disposição. Aconselha-se o seu uso intensivo e permanente.
sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008
Pontapé na História
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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
Problemas de conversão
Na edição de hoje, 27 de Fevereiro, na pág. 7, no artigo sobre o PCP, lê-se "um milhão de contos (200 mil euros)". Ora, um milhão de contos são aproximadamente cinco milhões de euros e não 200 mil. Um "ligeira" diferença. Isto de tentar ajudar o leitor a perceber o que é um milhão de contos através do parêntesis (um esforço que me parece inútil) e dizer uma grande asneira, mais vale estar quieto.
P. B. Teixeira
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Aumento de quê?
Na 1ª página do PÚBLICO de terça, 26 de Fevereiro, por cima da fotografia: «Aumento dos cereais põe em causa ajuda alimentar da ONU». Seria: «Aumento do preço dos cereais põe em causa ajuda alimentar da ONU» (aumento não da quantidade, mas do preço). São pequenissimos detalhes!
Augusto Küttner de Magalhães, Porto
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terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
Esclarecimento do director de comunicação do GES sobre a última crónica do provedor
Li com redobrada atenção a sua última intervenção. E como esta alicia o leitor a concluir que o Grupo Espírito Santo (GES) ou eu, enquanto seu director de Comunicação e Imagem Corporativa e “curiosamente” ex-jornalista do Público tiveram interferência no sumiço de uma notícia do PÚBLICO.PT, atrevo-me a incomodá-lo com alguns elementos que talvez o ajudem a desvendar “O estranho caso da notícia desaparecida”.
No mínimo espero demonstrar-lhe que GES se pauta por uma conduta ética impecável no seu relacionamento com os meios de comunicação social.
1. Na manhã de 18 de Janeiro de 2008, o GES foi confrontado com uma notícia do Rádio Clube Português (RCP) onde se referia que a “família Espírito Santo é a maior proprietária dos terrenos onde vai ser construído o novo aeroporto” e que a mesma “já afirmou que o Estado terá de pagar os terrenos a preço de mercado”. Colados à informaçãom, podiam ouvir-se alguns comentários de “Miguel Espírito Santo”, seu proprietário.
2. Imediatamente procurei confirmar a veracidade da mesma, tendo sido informado que nem o GES nem os membros da família accionistas do Grupo tinham o quer que seja a ver com os tais terrenos, parte da Herdade do Vale Cobrão ou Infantado.
3. Quis saber mais. Quem era Miguel Espírito Santo e se tinha alguma ligação directa ou indirecta ao GES e à família.
4. Soube que o nome completo dos proprietários da Herdade do Vale Cobrão ou Infantado são Miguel Espírito Santo Silva de Mello e Luís Espírito Santo Silva de Mello e que não são accionistas do Grupo Espírito Santo nem integram os seus órgãos sociais e de gestão ou aí desempenham qualquer cargo, apesar de haver uma relação familiar. Para uns remota, para outros mais próxima.
5. Não contente com a informação obtida, contactei Miguel Espírito Santo Silva de Mello, que me assegurou ter fornecido ao jornalista do RCP o seu nome completo, manifestando-se perplexo, se não mesmo estupefacto, pela exclusão do “de Mello”, pela preferência pelo “Espírito Santo” e pelo empolamento à volta da notícia.
6. Disse-me, ainda, que para os que lhe são próximos ou o conhecem, é conhecido apenas e tão só por Miguel de Mello, nunca por Miguel Espírito Santo, como o RCP insistia em repetir. Convenhamos que a diferença é enorme e esta opção editorial cheira a esturro.
7. Todos sabemos como “Espírito Santo” faz manchetes nos jornais, rádios e televisões – ao contrário de “de Mello” –, para mais associada a negócios milionários com terrenos em Alcochete, novo aeroporto, etc. Basta ver a repercussão que a notícia estava a ter nos jornais online.
8. Como a omissão de alguns factos pelo RCP – como por exemplo o apelido completo dos proprietários e o uso abundante, para não dizer abusivo, de “família Espírito Santo” – estava a provocar interpretações impróprias e enviesadas e a prejudicar o bom nome do GES e da família sua accionista, surgiu a ideia de fazer sair um esclarecimento curto, seco e factual.
9. Acresce que se é verdade que em momento algum os jornalistas do RCP referiram o GES como accionista da Herdade do Vale Cobrão ou Infantado, ou que os seus proprietários fossem accionistas do GES, a meio da manhã o RCP colocou no ar declarações do empresário Henrique Neto (defensor da opção OTA) onde este abundantemente e de forma até injuriosa refere o GES, a família Espírito Santo, a Herdade da Comporta e o proveito deste conjunto em que o novo aeroporto fosse para Alcochete. Era a confusão generalizada, alimentada por alguém que debita opinião sobre tema de que é profundamente ignorante, misturando alhos com bugalhos.
10. Começou a ficar clara a necessidade de demarcação imediata da notícia do RCP e das declarações de Henrique Neto, procurando limitar-se os estragos que esta estava a provocar pela sua reprodução em diferentes órgãos de comunicação social. Rapidamente o PUBLICO.PT “canibalizou” a notícia do RCP, aliás como muitos outros órgãos de comunicação social.
11. Decidi então fazer um esclarecimento, e não um desmentido. O RCP, apesar dos meus contactos e dos do senhor Miguel de Mello, continuava a omitir parte do seu apelido e a cavalgar numa notícia com erros graves, da qual só por ingenuidade ou má-fé não se queria ver as consequências para terceiros, no caso o GES e os seus accionistas.
12. Escrevi então o esclarecimento que lhe envio e o aconselho a ler.
13. Nele se explica que o GES não tem nenhum interesse económico naquela propriedade e que as pessoas em causa têm apelido Espírito Santo mas também têm outros, supostamente tão, ou mais, importantes, uma vez que Espírito Santo não era o último apelido e normalmente chama-se as pessoas pelo primeiro e último nome.
14. O esclarecimento foi enviado para todos os órgãos de comunicação social que fazem parte da nossa lista. Nenhum foi privilegiado ou mereceu tratamento de excepção.
15. Nenhum contacto directo ou indirecto foi feito com o PUBLICO.PT visando “apagar” ou “despublicar” o texto online. A única iniciativa foi no sentido de confirmar a recepção do esclarecimento, prática normal e generalizada a todos os meios.
16. Após a saída do esclarecimento o RCP retirou a notícia e corrigiu o texto online. Ao contrário do que afirma em “O estranho caso da notícia desaparecida”, o RCP deu a mão à palmatória, deixando cair o uso generalizado de “família Espírito Santo”, Miguel Espirito Santo passou subitamente a Miguel Espírito Santo Silva de Mello e deixaram de se ouvir as insinuações sem nexo de Henrique Neto.
Posteriormente o PUBLICO.PT fez o mesmo.
17. Ignoro como o PUBLICO.PT funciona em termos de hierarquia.
18. Trabalhei no PÚBLICO, onde desempenhei as funções de grande repórter na secção de Economia, em meados da década de 90, de onde sai faz agora sensivelmente 10 anos.
Tenho estima pessoal e profissional pelo editor António Granado, mas nenhuma memória de relevo para além de nos termos cruzado sem ter dirigido qualquer palavra, certamente vezes sem conta, nas antigas instalações do jornal, na Quinta do Lambert. Admito que ele nem se lembre de mim.
19. Não conheço ninguém na redacção do PUBLICO.PT e não mantenho contacto formal ou informal com jornalistas do PUBLICO.PT.
20. A notícia do RCP “picada” integralmente pelo PUBLICO.PT não era “falsa” mas continha, na minha modesta opinião, falhas graves que suscitavam interpretações insidiosas, como as afirmações de Henrique Neto provam.
21. Resta-me afirmar que o GES não fez nem faz ameaças. Limitou-se a esclarecer através de um banalíssimo comunicado.
22. O GES é um grande grupo económico e financeiro, mas deve ser dos poucos que em Portugal não detêm, nem querem deter, participações accionistas em órgãos de comunicação social. Uma opção que demonstra quão fundamentalista é no respeito pela independência dos meios.
23. Espero tê-lo ajudado a perceber o que se passou deste lado e, repito, também espero ter afastado quaisquer dúvidas que tenha sobre a forma como o GES ou os seus profissionais se relacionam com os diferentes media.
24. Como é evidente, este email serve apenas para o esclarecer e não para alimentar qualquer polémica com o provedor do PÚBLICO, o jornal PÚBLICO, o PUBLICO.PT ou os seus honrados e excelentes profissionais.
Pedro Pinto Fernandes
Director de Comunicação e Imagem Corporativa
Espírito Santo Resources
COMUNICADO ENVIADO PELO DIRECTOR DE COMUNICAÇÂO E IMAGEM CORPORATIVA DO GES ÀS REDACÇÕES EM 18/01/08:
Esclarecimento
Face à notícia do Rádio Clube Português (RCP) onde se refere que a “família Espírito Santo é a maior proprietária dos terrenos onde vai ser construído o novo aeroporto” e que a mesma “já afirmou que o Estado terá de pagar os terrenos a preço de mercado” importa esclarecer:
1. O grupo financeiro e empresarial Espírito Santo (GES) não tem qualquer interesse económico directo ou indirecto nos referidos terrenos (Herdade do Infantado)
2. Os accionistas do GES não têm qualquer interesse económico ou financeiro directo ou indirecto na supradita propriedade.
3. Os proprietários da Herdade em causa, os senhores Miguel Espírito Santo Silva de Mello e Luís Espírito Santo Silva de Mello não são accionistas do Grupo Espírito Santo nem integram os seus órgãos sociais e de gestão ou ai desempenham qualquer cargo.
4. Devido ao Rádio Clube Português ter omitido parte do apelido dos proprietários da Herdade do Infantado produziram-se interpretações enviesadas.
A questão em causa não é do foro familiar da família Espírito Santo, vista no seu todo, mas é sim uma questão do mero foro particular
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domingo, 24 de fevereiro de 2008
O estranho caso da notícia desaparecida
O leitor Francisco Falé colocou ao provedor, já há mais de um mês, uma questão bem curiosa:
“Na tarde de sexta-feira 18 [de Janeiro], reparei numa notícia no PÚBLICO online acerca de umas expropriações de terrenos na zona onde será construído o novo aeroporto [de Alcochete]. Referia-se nomeadamente a família Espírito Santo com uma das expropriadas. Algum tempo depois, surgiu um comunicado do Grupo Espírito Santo (GES), curiosamente co-assinado por um ex-jornalista do PÚBLICO, dando conta de que o GES não estava envolvido, mas não negando que havia pessoas de apelido Espírito Santo no lote dos expropriáveis.
Mais tarde, quando procurei a referida notícia, nada, pura e simplesmente desvanecera-se. Ainda pensei que houvesse desenvolvimentos e que se tivesse decidido transferi-la para a edição impressa – mas nada.
Por conseguinte, fui assaltado pela dúvida: por que desapareceu a notícia? Era falsa? Se o era, o jornal deveria assumir o erro e corrigi-lo. Era verdadeira? Se o era, por que desapareceu? O GES exerceu ameaças e os responsáveis do PÚBLICO acataram-nas?
Que sucedeu, afinal? Por mim, e por via das dúvidas, fico a acreditar que há algo que cheira a esturro nesta história. Se estou a ser incorrecto para alguém ou algum grupo, sou-o porque o PÚBLICO não mais me informou, ou se estou a analisar correctamente a situação deixo de ter dados para o fazer porque o PÚBLICO optou por não informar.
Mas que gostava muito de saber o que se passou, lá isso gostava.”
O provedor, que também leu a notícia e esperava vê-la em letra impressa na edição em papel do dia seguinte, achou a história bem intrigante, e de imediato solicitou esclarecimentos ao editor do PÚBLICO.PT, António Granado. Apesar da colaboração que o jornalista foi prestando sobre a matéria, através de vários contactos telefónicos que permitiram ir esclarecendo o enquadramento da questão, a resposta escrita apenas chegaria na semana finda, e por isso só agora se refere o assunto.
Explica Granado: “A notícia em causa foi erradamente ‘despublicada’, contrariando a nossas próprias regras sobre estes casos, na sequência do desmentido do GES. ‘Despublicada’ quer dizer que a notícia continuou na nossa base de dados mas não estava visível para os leitores. Quando nos apercebemos do problema, a notícia foi novamente publicada e está desde então disponível em http://economia.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1317047”.
Acontece que o provedor foi verificar o endereço electrónico indicado pelo editor do PÚBLICO.PT e a notícia não estava lá – a página encontrava-se em branco. O que deu para pensar, tal como o leitor, que algo aqui não cheirava bem. Embora não acreditando em bruxas, o provedor possui aquela reserva que em matéria esotérica caracteriza os espanhóis: “Que las hay, las hay”.
Alertado de novo António Granado, que desconhece as causas da segunda desaparição da notícia, esta foi finalmente colocada, ontem, sábado, ao princípio da tarde, em http://economia.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1320588, onde o provedor espera que o leitor interessado possa vir a encontrá-la.
O GES é um poderoso e influente grupo económico português que já em tempos retaliou contra um semanário retirando-lhe toda a publicidade por discordância com o seu conteúdo editorial. Não querendo embarcar em teorias da conspiração, o provedor confessa que este episódio aflora inevitavelmente à mente perante o caso agora relatado. O PÚBLICO teria pois todo o interesse em que o mistério fosse cabalmente esclarecido.
Que foi possível apurar? Que a notícia original foi difundida aos microfones do Rádio Clube Português (RCP), tendo o PÚBLICO repegado daí a informação. Que a notícia do PÚBLICO.PT desapareceu ao fim de pouco tempo, na sequência do desmentido do GES, apesar de o RCP ter reafirmado algumas horas depois o conteúdo da sua primeira informação. Que os responsáveis do site só se aperceberam do sucedido pelo menos 48 horas depois, precisamente devido ao pedido de esclarecimento do provedor. Que, segundo garantem, terão recolocado a notícia online, se bem que tivesse de novo desaparecido, e só ontem, à terceira tentativa, tenha ficado disponível na rede.
A ocorrência revela, em primeiro lugar, que o PÚBLICO online se encontra sujeito a intervenções alheias à sua hierarquia editorial, assunto que porém o provedor não está em condições de desenvolver, porquanto Granado assume, em última análise, toda a responsabilidade pelo acto.
Em segundo lugar, o caso impõe a necessidade de afinar procedimentos quanto à intervenção da redacção em notícias já antes colocadas na internet. Este é um dos novos desafios e problemas – designadamente no campo da ética – que o ciberespaço coloca ao jornalismo, suscitando questões perante as quais ainda não existe normativo consensual.
O Livro de Estilo do PÚBLICO retoma para a página online do jornal, basicamente, os pontos do estatuto editorial da edição em papel, considerando que o novo meio ainda está em evolução e será prematuro fixar princípios sujeitos a súbitas adaptações. Mas internamente o PÚBLICO.PT possui regras para as necessidades de intervenção posterior em notícias, previstas em dois distintos cenários: “Há casos em que, quando se identifica uma incorrecção numa notícia, se deve proceder à correcção dos factos, mantendo a publicação da notícia corrigida. Há outros casos, porém, em que se constata que uma notícia já publicada é totalmente incorrecta ou descabida, e ela deve pura e simplesmente ser retirada. Nestes casos, quando a notícia original já foi publicada online, deve-se seguir o seguinte procedimento: 1. Retirar a notícia anulada despublicando-a. Ou seja: a notícia não deve ser apagada da base de dados, mas apenas retirada do servidor web, de forma a evitar novos acessos através da internet. (...) 2. Publicar uma nova notícia, com o título: ‘Anulação da notícia com o título ‘[Título da notícia anulada]’’. 3. Escrever no corpo do texto da notícia de anulação uma explicação sucinta mas clara das razões da anulação, quando elas existam. 4. A notícia de anulação não deve ser nunca despublicada.”
Ao contrário do jornalismo impresso, em que a informação é definitiva ao sair da tipografia, o jornalismo online assenta num fluxo noticioso contínuo e sujeito a desenvolvimentos e aperfeiçoamentos constantes. Mas a verdade é que, também aí, uma notícia difundida, por escasso tempo que seja, passa logo a pertencer ao espaço público, como explicam as regras internas do PÚBLICO.PT: “Estes procedimentos devem-se ao facto de não ser tecnicamente possível para nenhum editor, na internet, evitar a difusão de uma notícia que esteve publicada num servidor web. Ou seja: a notícia anulada, mesmo que seja retirada do servidor web, já pode ter sido copiada milhares de vezes para outros tantos servidores da web e mantém uma vida própria.”
Acontece porém que, para o editor do PÚBLICO.PT, “no caso concreto da notícia do GES” a “despublicação” foi errada por não dizer respeito a “notícias falsas” (e, se o fosse, seria “obrigatório publicar uma ‘anulação de notícia’”). Esta era antes uma situação em que, ainda segundo Granado, “os desmentidos feitos pela entidade A ou B devem ser tratados como uma outra notícia e nunca dar origem à ‘despublicação’ da notícia original”.
O erro foi assumido, mas em volta de toda esta história ficou um enigma por desfazer.
Recomendação do provedor. Seria aconselhável que o jornal fornecesse uma explicação aos leitores do PÚBLICO.PT, site que deve estar sujeito a rigorosos padrões de intervenção em matéria já publicada, sob supervisão da respectiva hierarquia.
Publicada em 24 de Fevereiro de 2008
Documentação adicional.
REGRAS DO PÚBLICO.PT PARA ANULAÇÃO DE UMA NOTÍCIA ONLINE:
Circunstâncias
Há casos em que, quando se identifica uma incorrecção numa notícia, se deve proceder à correcção dos factos, mantendo a publicação da notícia corrigida.
Há outros casos, porém, em que se constata que uma notícia já publicada é totalmente incorrecta ou descabida e ela deve pura e simplesmente ser retirada.
Isto acontece por vezes por iniciativa das agências noticiosas, que anulam uma notícia já distribuída pelas redacções através de um novo despacho com a menção ANULAÇÃO ou ANULAÇÃO DE NOTÍCIA.
Procedimento
Nestes casos, quando a notícia original já foi publicada online, deve-se seguir o seguinte procedimento:
Retirar a notícia anulada despublicando-a. Ou seja: a notícia não deve ser apagada da base de dados mas apenas retirada do servidor Web, de forma a evitar novos acessos através da Internet. Apesar de ela não ser disponibilizada é conveniente guardar a notícia anulada por razões históricas e devido a eventuais conveniências legais.
Publicar uma nova notícia, com o título: “Anulação da notícia com o título “[Título da notícia anulada]”
Escrever no corpo do texto da notícia de anulação uma explicação sucinta mas clara das razões da anulação, quando elas existam.
A notícia de anulação não deve ser nunca despublicada.
Razões do procedimento
Estes procedimentos devem-se ao facto de não ser tecnicamente possível para nenhum editor, na Internet, evitar a difusão de uma notícia que esteve publicada num servidor Web.
Ou seja: a notícia anulada, mesmo que seja retirada do servidor Web, já pode ter sido copiada milhares de vezes para outros tantos servidores da Web e mantém uma vida própria. É altamente provável, nomeadamente, que ela tenha sido copiada pelos robôs dos motores de pesquisa para os seus próprios servidores e apareça nos resultados de pesquisa. É também altamente provável que ela tenha sido copiada para proxy servers e caches de servidores (ou de computadores pessoais), a partir de onde pode ser difundida.
Isto significa que, dentro de dias ou de anos, a notícia anulada pode aparecer no resultado de uma pesquisa, sem que seja possível ao leitor aperceber-se das incorrecções que contenha.
A existência de uma notícia de anulação torna provável que ela apareça nos eventuais resultados de pesquisa que devolvam a notícia anulada e ao lado desta (devido ao uso dos mesmos termos no seu título). O leitor pode assim aceder à notícia anulada, à notícia com a anulação da notícia anterior e, no melhor dos casos, a notícias correctas sobre o mesmo tema.
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Secção: Crónicas
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
A voz dos leitores: comentários à última crónica do provedor
Em relação ao seu artigo de 17 de Fevereiro, venho juntar o meu apoio e concordância com a investigação realizada. Embora, como diz, as notícias não se façam por referendo, vêmo-nos hoje, novamente, na necessidade de defender a liberdade de expressão e o dever do conhecimento (algo que em verdadeira democracia nunca se questionaria).
Joaquim Santos
Finalmente, resolveu o provedor, na sua página de 17 de Fevereiro, dar notícia das muitas cartas que recebeu "condenando" o PÚBLICO pela "pseudo-investigação" de JAC (QUANTOS CORRUPTOS JÁ DENUNCIOU?) em relação à actividade profissional de José Sócrates há cerca de 25 anos!... Ora, tendo focado a proporção dos desalinhados com os alinhados (20 para 1), não deixou, porém, de considerar justificada aquela proporção, ainda que mais valera que tivesse comparado a proporção de cartas de leitores sobre o assunto publicadas em apoio e desapoio para tirar conclusões sobre a imparcialidade do jornal! Pois...
Doutro lado, as justificações de JMF e JAC são primárias e
pífias (o que revela má consciência), em especial as do segundo (pese embora a "insuspeita” São José Almeida o reclamar de profissional prestigiado com décadas (!) de "investigação"), que reconhece que apenas desde 1995 é que se dedica à "área da investigação" (quando, como diz, o PS chegou ao poder no Governo e na Câmara de Lisboa, como se não houvesse mais centenas de câmaras no País). Pois!...
Não há pachorra para ressabiados e desonestos!
Sérgio Brito, Lisboa
Considerei do máximo interesse para o PÚBLICO e para os seus leitores a última sua crónica, baseada em comentários destes últimos, entre os quais me incluo, já que, se bem que nunca acreditei nem acredito na mínima influência do eng. Belmiro de Azevedo no PÚBLICO face à OPA, achei aquelas “histórias de J. Sócrates” notícias sensacionalistas, de 1ª página, que não se coadunam com a referência e a qualidade do jornal. Julgo que isso foi mais ou menos compreendido por JMF, e não sei se aceite!
Continuo a considerar da máxima relevância o lugar de provedor, dado fazer chegar ao director este tipo de comentários, o que o comum do leitor - o que lê o PUBLICO - não consegue fazer.
Pelo que em Fevereiro o trabalho do provedor, com início em Janeiro, é de muito mérito, e por certo assim vai continuar.
Augusto Küttner de Magalhães, Porto
A propósito do tema em causa, venho fazer algumas considerações que acho oportunas. Assim:
1. Este Governo entrou forte no que diz respeito à marcação e condução da agenda politica junto da sociedade em geral e em particular na comunicação social. Os resultados têm sido positivos para ele (Governo). Os exemplos são multiplos, embora alguns de carácter caricato e demagógico. É o caso, por exemplo, da promessa das creches que já tinham sido prometidas. Mas desde o princípio o PÚBLICO não alinhou na onda da propaganda. Este facto tem causado muitos engulhos à máquina de propaganda, tornando-se mais evidente no panorama nacional dos media pelo facto de ser quase o único orgão de informação que não está às ordens do poder político. Os efeitos começam a surgir. “As campanhas pessoais contra o PM e outras do estilo”. Assim dizem eles. As vítimas!
2. A tese da “operação revanchista” da Sonae tem aspectos interessantes. Se assim fosse, então finalmente o PS estava a assumir o que sempre negou – a interferência do Governo num acto puramente da esfera privada. Por outro lado, quem atribui acções deste tipo ao patrão da Sonae ou não o conhece ou tem andado a dormir ao longo destes anos e não acompanhou as “guerras” que ele tem travado com os diversos governos e entidades politicas.
3. Até agora parece que ninguém veio a desmentir os factos relatados nas notícias do jornal. Porque, se são falsas, processam-se o jornal e o jornalista, se são verdadeiras, assumem-se sem meias mentiras ou inverdades.
4. Faltava a cereja para rematar o bolo. Mas já não falta. A desorientação que grassa na classe política foi explicitada e objectivada pelo sr. presidente da CML, e desta forma encerrou por completo a discussão que vinha ocorrendo. São todos uns mauzões… os do PÚBLICO. E nós (os bons) as vítimas!
António Carvalho, Lisboa
Leitor que sou desde o 1º número do PÚBLICO, devo dizer que é um jornal imprescendível. Quero com isto dizer que a minha qualidade de vida também tem a ver com a qualidade dos artigos que adquiro, e, apesar de não poder adquirir o jornal diariamente, diariamente leio a edição on-line, e se o jornal fechasse ficaria triste. Triste, repito! Só hoje pude ler a edição de domingo, 17 de Fevereiro, e fiquei bastante atónito com as críticas feitas pelos socialistas e não só ao facto de o jornal andar a publicar artigos que não abonam em nada a favor do sr. primeiro-ministro. Devo dizer que concordo perfeitamente com a frase com que o provedor fecha o artigo, de que os políticos maduros e responsáveis devem saber conviver com a crítica. Mas, por diversos exemplos já dados, parece que os nosso políticos querem ficar impunes às asneiras que cometem, responsabilizando os jornalistas pelos ataques (?) que lhes são feitos. Será que merecemos os políticos que temos? Ao jornalistas e ao jornal devo dar os parabéns por fazerem notícia de forma independente e séria de coisas que realmente interessam aos portugueses. A liberdade, seriedade e honestidade de informação passa pelo PÚBLICO.
Pedro Carneiro, Ermesinde
Li com todo o interesse e atenção o seu artigo publicado na edição de domingo, 17 de Fevereiro. Quero dizer-lhe que subscrevo inteiramente as opiniões expressas por António Costa. Não é de agora que, segundo minha opinião, o PÚBLICO não é isento. Para que Joaquim Vieira veja que a minha opinião não está a reboque de qualquer actualidade, peço-lhe que leia a carta que enviei ao director desse jornal em 4 de Abril de 2002. Há quase seis anos. Tudo o que lá escrevi mantenho, sem alterar uma vírgula. Queria estar enganado, e, infelizmente, não me sinto tal.
Repito a ideia de que os governos e os governantes não podem e não devem estar isentos de críticas quando for caso disso, mas criticar não é assassínio de carácter, como por exemplo o sr. Cerejo, em catilinárias freudianas, fez a João Soares enquanto presidente da CML e à família Soares em geral. Recordo-me que, na véspera das eleições autárquicas, ganhas (formalmente) por Santana Lopes, o dito sr. Cerejo publicou um artigo terraplanando João Soares. Mas que isenção, sr. Vieira!
O meu estado de alma em relação ao PÚBLICO não ficaria completo sem lhe dizer que os jornalistas no geral, e este jornal em particular, têm bem contribuído para apresentar o País como um recanto miserável, de políticos corruptos e incompetentes e com um povo acéfalo. Têm promovido o espírito tão "tuga" do nacional-lamurianismo, do "esgarçadinho" que só sabe dizer mal e lamuriar-se. Creio mesmo, mas desejo estar enganado, estar a ser seguida uma linha editorial ao estilo Paulo Portas, que agora parece aquele caçador histérico e inexperiente que dispara na direcção de quaisquer arbustos que mexam.
Ainda quero dizer-lhe que não são publicadas notícias agradáveis, positivas. Não é laudar uma acção governativa só para escrever bonito. Não confunda, por favor. Trata-se, sim, de fazer algo para tirar este povo da capadócica lamúria já referida. Se o PÚBLICO não for a versão séria do Jornal do Crime é já uma grande ajuda. Só negativo corrói, destrói, caustica e estigmatiza.
A qualidade é difícil, mas ainda não deixei de comprar o PÚBLICO, embora já o tenha equacionado algumas vezes, porque não perdi a esperança de o ver transformado em El País, que leio diáriamente em versão internet e que considero um paradigma de como se faz jornalismo. Nunca lá vi, de Aznar a Rajoy ou de Gonzalez a Zapatero e respectivas hostes, qualquer tipo de carta como esta que lhe escrevo questionando a isenção do jornal.
Para o caso de o Vieira já não se lembrar, termino com uma notável citação do eng. Torres Campos, Comissário-Geral da Expo 98: "Perante um monumento, aos jornalistas só interessa se existem pregos tortos".
José Manuel Faustino
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domingo, 17 de fevereiro de 2008
Comentários
O provedor comunica que a caixa de comentários deste blogue já está a funcionar. Serão bem vindos, e desde já se agradece a participação dos leitores.
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14:41
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