Relativamente à crónica de 6 de Dezembro, não partilho de modo nenhum das suas observações condescendentes e conclusões no último parágrafo, nomeadamente a última: "...parecem ao provedor aceitáveis as explicações da directora."
Vejamos as razões da minha discordância.
Nos três exemplos citados desde o início do artigo por um outro leitor (Vasco Almeida) relativos a notícias sobre o caso Face Oculta (sendo duas de primeira página) a conclusão inevitável é que a notícia publicada foi cabalmente desmentida e o desmentido foi aceite como bom pela direcção do PÚBLICO. Estamos a falar, portanto, de notícias reconhecidas como falsas pela direcção do jornal, não estamos a falar de "erros" que pudessem ser corrigidos na secção "O PÚBLICO errou". Erros são, por exemplo, a troca de um nome, de uma data de nascimento.
De facto, pelo menos duas das notícias envolvem a honorabilidade de pessoas, a qual é posta em causa frontal mas falsamente. Muitas pessoas só lêem as capas dos jornais, nos escaparates e bancadas dos quiosques e papelarias, e nunca terão oportunidade de ler os desmentidos ou até as eventuais admissões de erro por parte do jornal.
Fica assim feito o mal de maneira irremediável. Tratando-se de casos com implicações judiciais, tais notícias falsas acabam por colocar em causa a credibilidade das investigações e favorecer os eventuais culpados, se os houver, mas não creio que tenha sido essa a intenção dos redactores. Todavia, também não é isso que mais me preocupa, mas sim o eventual prejuízo moral a pessoas que mereciam a presunção de inocência e o simples facto de estarmos em presença de um mau jornalismo que não verifica previamente a veracidade dos alegados factos relatados em casos como os presentes. Admito que errar é humano, e que os jornalistas são falíveis como qualquer outra pessoa, mas acho que estamos a falar de coisas de um outro nível de erro.
Não me parecem aceitáveis, portanto, e ao contrário do que diz o Provedor no final da sua crónica, as respostas e justificações da directora, que não parece reconhecer a falsidade dos factos relatados como consequência directa de um mau jornalismo praticado no jornal que dirije, mas remete a questão para um "direito de resposta previsto na lei", acrescentando que "o direito de resposta não existe para pôr em causa a veracidade das notícias, mas para os visados poderem apresentar a sua
visão dos factos".
Os factos acima e estas observações da directora deixam-me perplexo e muito em dúvida sobre a real qualidade do jornalismo que se quer "de referência".
A verdade a que temos direito, Sr. Provedor, ou a falsidade que não merecemos?
Augusto J. Franco de Oliveira
Quero em primeiro lugar agradecer ao Provedor e à Directora do PÚBLICO a atenção que deram às minhas cartas, na origem da crónica do Provedor. Mas fiquei com uma ou outra
interrogação.
1. Qualquer leitor sabe que o direito de resposta está para as direcções dos jornais como a avaliação dos professores para as respectivas organizações sindicais: estão violentamente de acordo desde que daí não resultem efeitos práticos. Daí talvez a enumeração dos respectivos malefícios discriminados pela Directora. Mas o direito de resposta era a última das minhas preocupações: o que me move é a necessidade de
estabelecimento de um clima de confiança entre um jornal e o leitor que o adquire regularmente, e lê.
2. Não chega dizer que "quando os factos publicados não são verdadeiros, o jornal corrige a informação na secção ‘O PÚBLICO errou’ logo no dia seguinte." A diferença entre um título de primeira página ou um desenvolvimento na segunda e a proeminência do espaço alocado à referida secção dispensa considerações adicionais da minha parte.
3. O PÚBLICO pode não ver "grande vantagem no exercício de justificar notícias correctas", mas há notícias e notícias. E quando uma delas se reporta a um caso de apaixonado interesse nacional, o PÚBLICO não só tem o dever de justificar como de demonstrar a veracidade daquilo que reporta, sob pena de não poder ser considerado de "referência" na sua prática. Compare-se, a título de exemplo, o pequeno artigo
intitulado "Godinho pagou duas vezes no mesmo dia", na página 9 da edição de 7 do corrente, e pense-se nas implicações que ele tem para todos os títulos, subtítulos e desenvolvimentos mais ou menos escandalizados que entretanto foram dados à estampa nas vossas páginas. Considera a Direcção do PÚBLICO que essa é maneira intelectualmente aceitável de informar os seus leitores? Como leitor, eu considero-me ludibriado, e não é pelo Sr. Godinho, ou pelo Sr. Vara, ou por um "empresário de Setúbal".
4. Aquilo que o Provedor chamou de "método de aproximações sucessivas ao rigor dos factos", e que a mim parece mais a ausência de uma política rigorosa de transmissão da informação, pode ser exemplificada também por aquela notícia, sobre a qual o Provedor já se debruçou, quanto à chegada de Inglaterra de uns documentos relativos ao caso Freeport. A notícia foi completamente desmentida pelo próprio PÚBLICO, mas infelizmente o método de aproximação escolhido foi o recurso a uma descarada mentira: a falha foi do computador. Ora uma vida profissional na informática assegura-me que nenhum computador, ou grupo deles, tem as costas tão largas.
5. "A verdade a que temos direito" implica que todos os agentes com responsabilidades funcionais ou sociais intervenham para assegurar que casos de "rede tentacular" não se transformem em episódios de "choquinhos à algarvia", o que de certa forma o PÚBLICO já antecipou com aquela saborosa incursão aos restaurantes do Face Oculta.
6. Mas, mais do que isso, daqui talvez decorra que "a verdade a que temos direito" só seja exequível se o PÚBLICO não aceitar ser um simples retransmissor de notícias cujo enquadramento, fontes, conteúdo e objectivos escapam completamente ao seu controlo.
Vasco Almeida
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Sobre a verdade a que temos direito
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terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Manchete deficitária
O PÚBLICO de hoje [8 de Dezembro] tem o seguinte título de capa: "Défice da CP dava para pagar TGV até Elvas e nova ponte sobre o Tejo". Duas asneiras num só título. Em primeiro lugar não é de défice que estão a falar, mas sim de dívida, grosso modo, o conjunto de défices acumulados dos últimos anos. Em segundo lugar, a pretensão de pagar uma obra com dívidas já contraídas. Este sim, é um conceito extraordinário. Da próxima vez que comprar um carro, em vez de pagar em dinheiro, pago com a minha dívida ao banco. Não podia haver melhor negócio. Não só não pago nada como ainda vejo a minha dívida ao banco diminuída no valor do preço do automóvel. O ministro das Finanças deve contratar imediatamente o génio financeiro que inventou este novo conceito. Na verdade, o texto da notícia [pág. 20] diz: "O défice da CP, a transportadora ferroviária pública de Portugal, é actualmente de 3,1 mil milhões de euros, verba equivalente à que vai custar a linha de TGV entre Lisboa e Elvas, com a terceira travessia do Tejo incluída." Ou seja, ainda tem a primeira asneira, mas não a segunda, que tem certamente a mão do editor que, em vez filtrar o texto do jornalista, o "tabloidiza".
Pedro Braz Teixeira
NOTA DO PROVEDOR: Conceda-se indulgência ao editor cuja necessidade de elaborar um título sintético e apelativo nem sempre se compagina com o rigor absoluto. Mas não há de facto razão para se falar de défice em vez de dívida - ainda por cima o número de caracteres é o mesmo.
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Meia verdade é mentira inteira
Hoje [7 de Dezembro, pág. 9] o PÚBLICO tem uma notícia cujo título é, mais uma vez, meia verdade: "Tribunal absolve jovem detido com faca". O jornalista Jorge Talixa, no entanto, conclui [no último parágrafo da notícia] que o tribunal "manteve a condenação a dez meses de cadeia (pena suspensa) pelo crime de resistência e coacção sobre funcionário" - a outra metade da verdade! Assim, não vale!
Leitor identificado
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sábado, 5 de dezembro de 2009
Um colunista em campanha eleitoral

No final da sua crónica na "Pública" de 20 de Setembro, Daniel Sampaio publicou a seguinte nota: "Em campanha eleitoral e a uma semana das eleições, a reflexão serena e objectiva deverá guiar o nosso voto. Os debates mostraram que Sócrates não tem rival em eficácia televisiva: combativo, bem informado, acutilante na crítica e seguro na defesa. Ferreira Leite não convenceu: propostas pouco clares (saúde, segurança social), expressões de gosto duvidoso (matar o pai e ficar órfão), considerações pouco oportunas (espanhóis). Sendo esclarecedores, os debates não foram decisivos, pelo que o voto deverá depender da resposta à questão: quem oferece mais garantias? A continuação do governo ou a mudança para o PSD? Pela minha parte, não tenho dúvidas: o governo cometeu erros (alguns denunciei aqui), mas merece uma segunda oportunidade".
Alguns leitores não apreciaram este apelo ao voto de um colunista que se dedica a escrever sobre psicologia infantil e juvenil. O leitor João Silva escreveu ao provedor: "Solicito opinião de V. Exa. acerca da 'nota' do artigo do Prof. Daniel Sampaio. Pela minha parte - sendo apreciador de há longa data de muitas das publicações do Prof. Daniel Sampaio, tendo assistido com gosto a várias intervenções públicas suas (de entre as quais me recordo, com enorme gosto, de uma tertúlia no espaço do IPJ de Viana do Castelo), acho que escusava de, como diz o povo, secundar o senhor Presidente da República e 'borrar a pintura toda'. Que pensa o senhor provedor do leitor do PÚBLICO, que foi tão acutilante e (com razão) 'malhou' no jornalista e director do PÚBLICO no caso das 'alegadas escutas'?
O próprio Daniel Sampaio, duas semanas depois, viu-se obrigado a esclarecer noutra nota final: "Alguns leitores manifestaram surpresa com a minha tomada de posição: mas há algum limitação sobre o que podem escrever os colunistas desta revista? Não existem colegas de escrita que exprimiram o seu sentido de voto?" (Na mesma nota, de resto, o cronista acentuava ainda o pendor da sua opção eleitoral: "Os resultados eleitorais mostraram de forma inequívoca que José Sócrates deve continuar como primeiro-ministro. Este é o dado mais importante do passado domingo: numa campanha centrada pela oposição na crítica sistemática à pessoa do chefe do Governo, os portugueses quiseram manifestar-lhe o seu apoio. Saúdo esse resultado como toda a satisfação: ao contrário do que afirmou M.F. Leite, havia nas ruas quem apoiasse o PS...").
O provedor, que desconhece se Daniel Sampaio foi contratado pelo PÚBLICO para escrever sobre psicologia, sobre política ou sobre qualquer assunto que deseje, não pode nem deve intervir sobre o conteúdo dos artigos de opinião, a qual é expressa livremente. Mas interroga-se sobre se não seria lógico que o PÚBLICO estabelecesse previamente com cada colunista, no momento em que é contratado, uma espécie de código de conduta que o inibisse, por exemplo, de fazer apelos directos ao voto, coisa que o próprio jornal se abstém de praticar.
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terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Sócrates corrigido... e o resto?
Fiquei confuso com a correcção feita em "O PÚBLICO errou" de segunda-feira, dia 30 de Novembro [relativamente ao nome de Sócrates no título da crónica de Vasco Pulido Valente na véspera, que saíra sem acento].
Sei que o Provedor não tem que preocupar-se com os estados de alma dos leitores. Todavia parece-me que a pergunta é pertinente: porquê aquela correcçâo? Foi o único erro do PÚBLICO de domingo? Não foi. Foi o mais grave? É subjectivo, mas creio que não. Foi por ser um erro na última página, um título, um título de um artigo de opinião? A experiência não me aconselha resposta positiva. Foi por se tratar do nome de um dos fundadores da filosofia ocidental?
Fiquei confuso porque me lembrava de, ao ler o jornal, ter detectado vários erros, não corrigidos, mais graves que o corrigido. Repassei o jornal, segunda à noite, e localizei os seguintes (não creio que os únicos, nem pretendo que os mais importantes):
1 - Na pág. 5, no destaque "Bento XVI recebeu...", devia ter-se escrito "antes de viajarEM"; ..."os dois países de entrarEM"; e "o acordo... estabelecido pela Argentina e PELO Chile".
2 - Na pág. 8 fala-se duas vezes nas "escutas entre" fulano e cicrano, quando queria referir-se às escutas das conversas entre os dois.
3. Na pag. 9, coluna 1, escreve-se "presidente da presidente da Fundação".
4. Na pág. 16, na notícia sobre o descarrilamento do comboio russo, refere-se "ao Nevski Express, de 14 toneladas" [devendo ser "com 14 carruagens"].
Acho que basta este rol, este ror de erros, aliás não raros, não assumidos, não creio que não detectados, para uma pessoa pouco crente em coincidências, em acasos, ficar confusa com a necessidade de o PÚBLICO vir logo corrigir a falta de um acento no nome do primeiro-ministro. Porquê? Sei, claro, que não tenho direito a resposta. E se me respondessem que foi corrigido tão só porque de um erro se tratou, arescentaria que foi pena não terem também corrigido erro idêntico verificado na foto do texto da pág. 11 ["POLICIA" - sem acento].
José Monteiro
NOTA DO PROVEDOR: O provedor partilha idêntico estado de alma (e informa que poderiam juntar-se ainda outras correcções, como "Raúl Castro" em vez de "Raul Castro" na pág. 8 ou "Margarida" em vez de "Margardia" na legenda da pág. 23).
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15:43
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Os feitos de James Watson

James Watson nasceu um menino prodígio e fez-se um cientista arrogante e pouco escrupuloso.
Dito isto, acrescento porque acho, um pouco diferente do Provedor, que a atitude racista de Watson não é de somenos importância e vem somar-se a outros defeitos humanos não menos lamentáveis.
Na história da descoberta do ADN, Watson está na linha de comportamento de Alfred Mirsky, que obstruiu a atribuição do Nobel a Oswald Avery, canadiano brilhante, que foi o primeiro a provar que o ADN era o agente hereditário (1944).
Mais tarde Linus Pauling (1950) esteve a um passo de descobrir a arquitectura do ADN, e só não o conseguiu porque imaginou-o constituído por uma hélice tripla e não dupla como se revelou ser. Mas Pauling foi pioneiro na cristalografia por raios X, técnica sem a qual a descoberta do ADN pela equipa de Watson não teria sido possível. Essa técnica, que todos os membros do grupo donimavam mal, foram obtê-la por "furto/espionagem" ao trabalho de Rosalind Franklin.
A James Watson junta-se [Francis] Crick, 12 anos mais velho. Nenhum dos dois era formado em bioquímica. Na época havia no King´s College, em Londres, uma equipe formada por dois académicos, [Maurice] Wilkins e Rosalind Franklin, muito mais adiantada e pertencente a uma organização concorrente, o que não impediu Wilkins de se aliar ao grupo e passar a espionar a colega, que, obviamente, se furtava a entregar o fruto do seu trabalho. O filho de Linus Pauling trabalhava na altura nos laboratórios de Cavendish e muito inocentemente ia dando notícias dos trabalhos do pai a Watson e a Crick.
Ambos pensaram, Watson e Crick, que se determinassem o formato de uma molécula de ADN poderiam observar como ele fazia as coisas que fazia. Mas ambos queriam conseguir a proeza com o mínimo de esforço, não importando os meios que empregassem.
Watson declarou no seu livro The Double Helix: "Era minha esperança que o gene pudesse ser descoberto ser ter de aprender química". De facto essa não era a sua formação académica.
O resultado acabou por ser conseguido de forma fortuita (para usar o eufemismo da escritora Lisa Jardine), isto é, apropriando-se dos trabalhos de Rosalind sem autorização. O simples facto de Watson ver as imagens de raios X de cristais de ADN conseguidas por Rosalind teria sido suficiente para fazer saltar a centelha que faltava a este grupo extremamente inteligente, concentrado no objectivo e pouco escrupuloso. De notar que apenas participaram na ponta final da dupla hélice Crick e Watson.
De facto, apenas dois dias, a melhor estimativa, mediaram entre tê-las visto e a montagem de uma estrutura por Crick e Watson que reproduzia a dupla hélice. Os três cientistas receberam o prémio Nobel, tendo deixado no esquecimento Rosalind Franklin.
Piorando as coisas, Watson escreve no seu livro The Double Helix acerca de Rosalind: "Não era particularmente feia caso tivesse algum gosto nas roupas que vestia"; "Não usava bâton e a sua sensibilidade indumentária revelava a imaginação de uma adolescente sabichona inglesa".
A sabichona morreu de cancro pouco passava dos 50 anos por se ter exposto, por amor à ciência, às radiações para obter as radiografias do ADN cristalizado, sem as quais o prémio Nobel muito duvidosamente teria sido ganho pelos pouco escrupulosos cientistas: não quiseram honrar o nome de Rosalind, sabendo que a fama e o proveito que conseguiram eram devidos a ela, pelo menos em grande parte.
Manuel Cruz Fernandes
à(s)
12:51
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O código Moctezuma
PÚBLICO de ontem, sábado, 28 de Novembro, caderno P2, reportagem extensa de Alexandra Lucas Coelho em Londres com o título: "Moctezuma - O rei azteca está de volta", página 6, destaque em corpo maior, no fundo da 1ª coluna da esquerda, junto a um foto de uma escultura, está escrito o seguinte; "Há códigos que mostram Moctezuma a ser espancado (...)"; e mais à frente: "diz o curador inglês, Colin McEwan".
Ora isto demonstra ignorância, desleixo e incompetência. Porque é absolutamente obvio que Alexandra Lucas Coelho "traduziu" à letra a palavra inglesa CODEX (termo que designa CÓDICE, no singular e plural), por - imagine-se - "códigos" em vez de "códices", que seria, evidentemente, a tradução correcta, aliás a única.
É incompreensível como uma jornalista experiente e aparentemente culta dê erros de palmatória como este. E mais incompreensível ainda é não existir no jornal um revisor competente e/ou alguém que lhe chame a atenção e lhe corrija estas incríveis calinadas e atentados à língua portuguesa.
José Oliveira
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12:36
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quinta-feira, 15 de outubro de 2009
O mestre e a prima
A “praga preposicional” há muito que me incomoda.
Mas não concordo que essas calinadas se devam ao “uso de preposições, como se não houvesse o cuidado de recorrer à mais adequada, mas sim à que melhor soa aos ouvidos do redactor”.
Parece-me mais um efeito, diria eu, de “contaminação”, uma perversão do princípio da analogia: o escriba toma uma palavra por um sinónimo (ou um quase-sinónimo) mais comum mas menos “erudito” e pespega-lhe com a preposição que devia acompanhar a primeira.
Alguns exemplos pescados em jornais, TV e rádio:
- A palavra "chorar" contamina o menos plebeu "carpir"; e vá de escrever, muito literária e pretenciosamente, “não sei por quem carpia tão dilaceradamente Dona Pomba” (asneira debitada por Catalina Pestana no Sol);
- na página de Economia do PÚBLICO, escreve um douto profissional “discordo completamente com o que disse Axel Weber” (seja quem for o Axel Weber de quem o plumitivo, envenenado pelo antónimo "concordar", discorda);
- no Diário de Notícias, a propósito de “o alfaiate português do Príncipe Carlos” – os assuntos que eles vão desencantar… -, comete o jornalista: “A acreditar pela encomenda (…)”. A asneira é, evidentemente, a confusão com a frase “a julgar por”;
- DN, PÚBLICO, televisões a granel e tutti quanti: "aguardar por", “contaminado” por "esperar por".
Podia continuar ad nauseam nas preposições, mas prefiro acabar com outras pérolas, como “linhas de crédito específicas à habitação” e uma que é pandémica na chamada comunicação social, o arrepiante e erradíssimo se em “alastrar-se”, vítima da falsa semelhança com “espalhar-se” ou a impagável Manuela Moura Guedes no saudoso Jornal Nacional da TVI a esganiçar-se aos gritos: “O bastonário aponta que há advogados (…)".
Pois é; é confundir a obra-prima do Mestre com a prima do mestre-de-obras.
António Dias
NOTA DO PROVEDOR: Os dicionários já admitem "alastrar-se" como canónico.
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05:39
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segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Certo ou errado?
Será que é o próprio provedor do leitor que escreve (11 de Outubro, na pág. 35) "E depois há coisas que se lê neste jornal e não se acredita"?
Não se acredita mesmo!
Mercedes Olazabal
NOTA DO PROVEDOR: O provedor, antes de escrever, reflectiu muito sobre essa frase (que já não é a primeira vez que usa) e acredita que é admissível. Está porém aberto a interpretações contrárias.
à(s)
01:54
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sexta-feira, 9 de outubro de 2009
A "toupeira"
Depois de ter visto um porco a andar de bicicleta, só mesmo um e-mail com pernas me espantaria!
Como é que um e-mail, uma, duas ou três páginas A4, se desloca do arquivo do PÚBLICO para a redacção de dois ou três órgãos de informação concorrentes? Como? Só mesmo se as ditas páginas tiverem pernas, presumo!
Mais de 30 anos depois de Abril, custa-me aceitar que ainda andem por aí uns quantos coitados, que antes designávamos de bufos do Regime. Tendo em conta os elementos conhecidos, estou em crer que andamos todos enganados, pois não existe outro nome para classificar alguém que subtrai correspondência da sua empresa em beneficio de outra, seja qual for o teor da mesma.
Gostaria de saber se o PÚBLICO vai deixar cair este detalhe de carácter pidesco, parte essencial de toda uma história à volta de um e-mail, pois, que se saiba, nunca os bufos fizeram nada sem disso terem tirado benefícios pessoais, e nesse caso teremos de admitir que alguém encomendou esta história!
Estranho não deixa de ser o facto de muitos dos meus correligionários de esquerda não terem sequer valorizado esta parte da história. Será que por si só a conquista do poder justifica tudo e mais alguma coisa?
E, se sobre o teor do referido e-mail já muito foi dito, e muito se pretende ainda dizer, pois enquanto andarem a lamber esta e outras histórias ninguém se lembrará de falar do presente e do futuro do país, das coisas que realmente interessam e que podem contribuir para ultrapassar as desigualdades sociais existentes e com tendência para se agravarem…
Sinceramente espero que o PÚBLICO se livre desta toupeira e doutras se as houver, pois elas debilitam as raízes duma informação idónea.
Francisco José Pinheiro Gonçalves
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18:17
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A "trapalhada"
Como sabe, achei que o tema das “escutas ao PR” era colateral, mas tomou as dimenões excessivas - isso já todos entendemos, mas não percebemos onde começou, para que começou, qual o motivo de o PÚBLICO se ter envolvido em toda esta trapalhada! Muitos saíram menos bem, na forma, mesmo que não no conteúdo, até o Presidente da República.
Mas também teve repercussões no próprio PÚBLICO, se bem que se José Manuel Fernandes já estava a querer sair em Julho talvez (talvez, penso) até nem devesse dar cobertura a que toda esta trapalhada tivesse inicio em meados de Agosto passado.
Hoje, já em Outubro, passadas as eleições legislativas, fiquei por entender para que serviu tudo isto, e tenho pena, unicamente no aspecto de que percebi que o PÚBLICO também “entra” por áreas que nunca deveriam ser as suas.
Gostaria que quisesse, como Provedor, tentar explicar-nos mais detalhes de tudo, o final de tudo, e qual será o papel de José Manuel Fernandes no dia 1 de Novembro no PÚBLICO.
Presumo que muitos leitores ainda não entederam/entendemos...
Augusto Küttner de Magalhães
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18:01
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segunda-feira, 21 de setembro de 2009
O compromisso do provedor
Devido aos desenvolvimentos jornalísticos e políticos decorrentes da investigação que levou às suas duas últimas crónicas, Subitamente neste Verão e A questão principal, o provedor tem sido solicitado por inúmeros órgãos de informação a pronunciar-se sobre o curso dos acontecimentos. Entende, porém, não dever produzir quaisquer comentários sobre os casos relativos ao PÚBLICO fora da sua área de intervenção pública, que é a crónica semanal na edição em papel e este blogue. O compromisso do provedor é para com os leitores do PÚBLICO, e só a eles transmitirá o que tem a dizer acerca do exercício das suas funções.
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11:25
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domingo, 20 de setembro de 2009
Sobre a questão principal
[Actualizado em 22/09/09]
Como leitor assíduo do jornal, apenas tenho a lamentar o seu [do provedor] comportamento nos últimos tempos.
Dá a ideia de que, querendo fazer o papel de defensor da isenção do jornal, premeia quem claramente tem tido uma política de silenciamento da opinião livre na nossa democracia.
Bem sabemos da polémica dos ultimos dias, e eu sou o primeiro a criticar a ligeireza do director José Manuel Fernandes em incluir o SIS como responsavel do sucedido.
Ainda assim, concordará que não é muito normal a reacção do senhor primeiro-ministro, criticando acintosamente o director do jornal e por via disso o próprio jornal.
E lamento que não tenha referido e criticado esse tom no seu artigo de hoje.
Será que se vai prestar a ser mais uma "voz do dono"?
Não queira... o PÚBLICO não merece.
Só mais uma nota: porquê escandalizar-se com o vasculhar dos seus mails? Tem alguma coisa a esconder? Se não, não se preocupe... Acho que é normal, depois do caso passado, toda a gente ter os mails vasculhados, até para se saber quem foi o "bufo"...
Preocupe-se, isso sim, com o estado da nossa democracia e com o clima de suspeição que se vive neste país e contra o qual o jornal PÚBLICO tem sido, graças a Deus, um resistente.
Jorge Ramos
P.S. Espero que este mail não chegue às mãos do Governo...
Parabéns pela isenção, frontalidade e independência demonstradas ao longo de todo este processo conturbado das escutas da Presidência. Sou leitor do PÚBLICO há alguns anos, mas ultimamente tenho notado alguma inclinação ideológica por parte da linha editorial. Quero agradecer por tentar manter o PÚBLICO um jornal de confiança. Obrigado
Moreira Couto
Sendo leitor do PÚBLICO desde o nº1, apraz-me verificar que nesta fase negra do jornal e da sua linha editorial se mantém activo e publicado um Provedor, a meu ver lúcido e imparcial, defendendo princípios éticos, de verdade e deontológicos. Em suma, defendendo os direitos dos leitores e, como tal, do próprio jornal, que até há pouco era tido como exemplo de credibilidade.
Agradecendo a sua coragem e isenção, espero que a Administração da SONAE tenha a coragem de reconhecer que o tempo de José Manuel Fernandes já se esgotou, sob pena de matar o próprio projecto do jornal.
Da minha parte, terei grande dificuldade em voltar a comprar o "meu" PÚBLICO enquanto se mantiver esta direcção.
M.C.P.
Desejo felicitá-lo pela coragem que mais uma vez demonstrou no tratamento do estranho caso das "escutas" em Belém. Ainda me recordo da sua independência e honestidade intelectual no Expresso, que o levou, inclusivé, a ser "corrido". É isso, meu caro: neste país paga-se caro ter ética e ser vertical.
Sobre o caso das "escutas", e se me permite, gostaria de aqui deixar algumas considerações.
Primeiro (e considerando que tudo o que veio nos jornais intervenientes nesta história é verdade), lamentar profundamente o comportamento do Presidente da República. Desde o contacto do seu assessor com o PÚBLICO, até às suas últimas palavras - "eu também não sou ingénuo" -, transparece uma atitude pouco esperada, e muito censurável, do Presidente.
Esta atitude, ao alimentar uma novela pouco transparente e de objectivos muito duvidosos, é sumamente reprovável no mais alto magistrado da Nação. Com este seu comportamento, Cavaco Silva não presta um bom serviço ao país e vê a sua credebilidade perigosamente posta em causa. Se não existir uma boa explicação da sua parte para este caso, perderei o meu respeito pela sua pessoa.
Em relação ao PÚBLICO, e depois do que escreveu este domingo na sua coluna, pouco mais haverá a dizer. Apenas que, também aqui, é lamentável que um orgão de comunicação respeitável se digne entrar nestes jogos sujos da forma como o jornal o fez. Que crédito lhe daremos daqui para a frente? A atitude do director do jornal para consigo é reveladora dos objectivos que o norteiam (a ele, director) e dos métodos baixos que está disposto a utilizar para os obter. Felizmente, os leitores têm um provedor com a sua integridade.
Em relação ao DN, reprovando, naturalmente e a frio, a sua conduta ao revelar da forma que o fez o conteúdo do e-mail, não deixo de pensar que alguém teria de o fazer para se perceber em toda a sua extensão a cabala que Belém urdiu para "queimar" um governo que não será do seu inteiro agrado e abrir as portas a outro cenário com as próximas eleições. Assim, e perante comportamentos tão anómalos doutros que deviam dar o exemplo de lisura e seriedade, a decisão do DN até será a menos censurável.
E como vai terminar isto, meu caro? José Manuel Fernandes vai pedir a demissão e Cavaco tem a humildade de pedir desculpa aos portugueses? Tudo muito triste, não é verdade?
Obrigado pelo que tem feito pela independência e credibilidade da comunicação social em Portugal.
António Marquês
Quando há muito pouco tempo me referi ao seu trabalho, como Provedor do Público, “como um comentador dos comentadores”, parece que acertei. Ou seja, no momento, como espantosamente no PÚBLICO – que considero o meu jornal diário desde o primeiro dia - “agarrou” um tema um pouco escaldante - escutas PR –, que poderia – como aconteceu – ferir susceptibilidades internas, já foi apelidado de mentiroso e não só pelo Director do PÚBLICO. Penso que algo está a correr menos bem, e, tendo sido JMF um bom director do PÚBLICO, já o PÚBLICO teve mais directores e por certo outros ainda terá...
Augusto Küttner de Magalhãaes
Isto não vale de muito, mas, às vezes, conforta saber-se que o nosso trabalho é apreciado. Gostava então de lhe manifestar um enorme apreço pela sua inteligência, integridade e, nos tempos que vão correndo, coragem! Com os jornais todos em mãos de quem não gosta que se lhes mexa nos interesses, aqui sim se sente uma grande asfixia democrática. Se a J.M.F. lhe sobrasse alguma vergonha, restar-lhe-ia demitir-se.
Pedro Guedes de Oliveira
No seguimento dos seus últimos dois artigos de domingo, venho inquiri-lo sobre o seguinte: para além das regras deontológicas da profissão, não caberá também ao director de um órgão de contra-poder de referência que se pretende isento assumir as suas responsabilidades políticas (já que as tem) e apresentar a sua demissão, tal como qualquer outro detentor de cargo 'Público'? É confrangedor ver como José Manuel Fernandes tem tentado salvar a face e inaceitável a suspeição que lançou sobre as escutas ao seu jornal, arrastando atrás de si a credibilidade do projecto que dirige.
Na qualidade de assinante do jornal, i.e., "de quem lá põe dinheiro", venho pedir a demissão desta direcção. Ao provedor peço-lhe que prossiga com o seu trabalho.
Carlos Almeida
Há alguns anos que não escrevia para o provedor do PÚBLICO. Este acto, assíduo no passado, foi esmorecendo num paralelo a uma diminuição de uma rotina pessoal de dar primazia à compra do PÚBLICO, em detrimento de outros jornais. Quando, por ocasião da última remodelação do PÚBLICO, verifiquei que o seu director permanecia, perdi vontade de continuar a comprar o PÚBLICO. Entendo que as mudanças de líder são fundamentais para transformações. Na ausência de uma mudança de lider, senti que os "belicões" à desejada imparcialidade do "meu" jornal iriam continuar. Com efeito, a fim de evitar irritações (que são mais intensas quando se gosta do objecto), decidi afastar-me do PÚBLICO.
Hoje, em face da crise que o jornal atravessa, vislumbro possibilidades de mudança que me animam. As crises são, a par dos males que provocam, oportunidades. O seu artigo de opinião de hoje (domingo) reconcilia-me com o PÚBLICO. Permite-me acreditar que o PÚBLICO tem condições para ser aquilo que começou por ser, quando nasceu - um jornal que, na sua diversidade interna, rege-se acima de tudo pelos valores da imparcialidade, do bom jornalismo, da ética e deontologia jornalísticas. O Joaquim Vieira, através do seu artigo de hoje, personifica o que é o bom jornalismo e revela coragem. O seu artigo dá-me esperanças de me reconciliar com aquilo que, durante anos, achei que era o meu jornal.
Espero que esta crise abra portas para uma mudança e que se retome traços interessantes que antes existiam no jornal. Um jornal com equilíbrio entre notícias/textos em torno da actualidade nacional e em torno da actualidade internacional (permitindo-nos perceber o que se passa no mundo); um jornal não apenas circunscrito a Lisboa, mas com notícias sobre as várias regiões do país (vejo os Açores muito longe do jornal e mesmo da Madeira, que apesar de ter o Tolentino, não é tão coberta); um jornal que denuncia, mas com base em jornalismo de investigação e não em suspeitas (é muito comum no jornalismo português actual as suspeitas serem a notícia e não o "fio de um novelo" para a investigação). Um jornal abangente que não se resume ao tratamento do "mundo político", mas que abrange outras áreas de interesse para o leitor, desde a saúde à ciência, passando pelo ambiente e por temas de sociedade.
Não me queria prolongar muito e sobretudo perder-me no que me moveu a escrever-lhe: felicitar-lhe pelo profissionalismo, pela coragem e pelo excelente contributo que deu ao jornalismo português e à luta pela preservação do PÚBLICO como o jornal de referência do país.
Delta Sousa e Silva
Agradeço-lhe o texto deste domingo, 2009/09/20. "A questão principal" esclarece o comportamento editorial de José Manuel Fernandes (JMF) nesta questão do PR/PM.
Não quero tirar nenhuma centralidade ao tema político PR/PM: desde a veracidade da existência de escutas, até à existência de "plantação" de uma notícia/acusação pelo presidente.
No entanto, como expôs no seu artigo, a direcção do jornal deu seguimento a tal "notícia" sem bases. Não parece ser apenas mau jornalismo, mas também actuação política premeditada.
Para mais, lê-se no seu texto: "Na sexta-feira, o provedor tomou conhecimento de que a sua correspondência electrónica, assim como a de jornalistas deste diário fora vasculhada sem aviso prévio pelos responsáveis do PÚBLICO".
Faço notar que na página de entrada no site do PÚBLICO vem destacada "A FRASE": “Nunca pensei que um jornal em Portugal publicasse e-mails internos de outro. (...) Estamos perante um comportamento pidesco.” Vicente Jorge Silva, Correio da Manhã, 19-09-2009.
Até que ponto JMF pode ir na hipocrisia de defender valores de "verdade jornalística", ou qualquer outro "valor democrático", depois de vasculhar emails alheios! Creio que mesmo sendo um e-mail de trabalho isto é uma ilegalidade(confirmei com o informático do meu trabalho).
Também me parece que anda um clima pidesco no ar -- todas estas notícias são escritas em torno de possíveis escutas e de correspondência vasculhada.
Isto, por si só, fez-me decidir deixar de comprar de vez o PÚBLICO enquanto JMF for da direcção. Assim agradecia que expressasse o meu pedido para a demissão da actual direcção do PÚBLICO.
Pedro Jorge
Há anos que não se assistia em Portugal a um escândalo político/financeiro/jornalístico desta garvidade e dimensão. Um PR militante de um partido que, sem provas, ataca um Governo do partido rival e sugere a um jornal de referência que publique sobre isso falsidades. O jornal publica, o dono do jornal aplaude e o director do jornal enreda-se numa imensidão de contradições e de falta de ética. Que espera José Manuel Fernandes para abandonar o cargo salvando o que resta da sua dignidade?
J.R.S.
Sou leitor assíduo do PÚBLICO e fiquei indignado com a vossa página no jornal de hoje, domingo 20, não só porque o registo expressivo é pouco claro e elucidativo mas, sobretudo, pelo conteúdo: dá a entender que o PÚBLICO, pelo facto de escrever sobre uma suspeita, como foram as notícia de Agosto, estava a fazer um golpe baixo a Sócrates e a proteger Cavaco. Se o senhor prestasse atenção ao que os socialistas mais chegados a Sócrates afirmaram do chefe de Estado, após a apreciação da inconstitucionalidade do Estatuto dos Açores, o senhor provedor deixaria de ser tão ingénuo e pensaria duas vezes antes de pôr a mão no fogo. Sócrates e os seus sequazes, pela manutenção no poder, são capazes disso e muito mais. O povo está farto de tanta diletância, tanta vaidade, pose e incompetência e de tantos jornalistas/assessores sem coluna vertebral que acreditam na cock and bull story de Sócrates.
Lídia Lispor
É censurável sob todos os pontos de vista o comportamento dessa figura inqualificável que dirige o jornal. Dizer na SIC o que disse, para além de outras declarações a outros orgãos de comunicação, terminando por dizer que o mail, o tal mail, foi reencaminhado no dia em que foi contactado por outros orgãos de comunicação, só pode ser dito daquela maneira por um jornalista na esteira da Manuel Moura Guedes. De facto, se o mail foi reencaminhado, só tem que ser averiguado por quem e por quem dentro do jornal... Talvez os serviços secretos se tenham aí introduzido através da... banda larga! É preciso desfaçatez para que esse jornalista, que não dignificou o cargo que ocupa, colabore em fantochadas destas e que tenha consentido, anuído mesmo, a um mail cujo texto é um hino à estupidez e à intriguice como arma de arremesso político. Depois dizer que a revelação servia os interesses do governo e do primeiro-ministro é confessar que ele estava interessado em esconder para o prejudicar... Pobre criatura essa. Pelo menos, eu como cidadão reformado, não inscrito nem militante de nenhum partido, no limiar dos 65 anos, quero viver num País livre de Manuelas M. Guedes, quer usem saias ou calças!
Parabens pelos seus textos críticos e recomendações num jornal que só leio aos fins-de-semana, mas que, se não arredar caminho, não irá longe. Ainda bem que consta que esse Director vai fazer companhia à sua admiradora e só espero que o jornal seja mesmo isento, democrático, pluralista, fonte de bons jornalistas, mas nunca de sabujices como tudo o que sai retratado no mail!
José Ventura
Não posso deixar de lhe agradecer a sua crónica 'A questão principal', por mostrar que afinal não estamos todos loucos. Confesso que tendo já alguma dificuldade em acompanhar a pouco séria campanha da asfixia democrática (no continente mas não na Madeira!) vejo surgir uma nova campanha, menos fundamentada ainda, mas agora pela mão dum jornal prestigiado, mais precisamente pela mão do seu director (menos prestigiado é certo!), atirando irresponsavelmente e, vá-se lá saber com que intenções, o PR contra o primeiro-ministro. Não pode o PR deixar de, e com urgência, esclarecer publicamente estas notícias e demitir o seu incompetente assessor.
Por outro lado, parece-me que também era oportuno lembrar ao senhor engenheiro Belmiro de Azevedo (são cada vez mais os envolvidos nisto) que se a liberdade de imprensa é um bem inestimável a honestidade e a lisura de procedimento ainda é bem maior.
João Oliveira
Foi com bastante mágoa que tive notícia, através da sua crónica de hoje, do "clima de nervosismo" que se instalou na redacção do PÚBLICO. Estamos tão habituados a ver os políticos amiudadas vezes acusados de se excitarem em tempos de campanha eleitoral, e eis que constatamos que os media podem ser atacados da mesma paranóia viral - e isto para não mencionar outros orgãos de soberania!
Recapitulemos: o insucesso da OPA; a viragem do PÚBLICO; a recente entrevista do Sr. Belmiro de Azevedo. Esta última explicitou, para fraco entendedor, aquilo que qualquer entendedor mediano já tinha intuído: que há, como nunca houve, na ainda curta vida do jornal, uma sintonia total entre a propriedade e a direcção do jornal. É como se o produto tivesse acertado o passo com a estratégia de forma tão feliz que mesmo o bom do Schumpeter já deve estar convencido de que, enfim, há prejuízos que vêm por bem.
Mais espinhosas se afiguram as perspectivas para os leitores e para o Provedor. Os primeiros porque aceitaram o paradigma do jornal de referência, mas já ninguém sabe dizer com rigor (ou sem ele) que espécie de referência é que a actual direcção do jornal ambiciona; o segundo parece tão apegado a valores caducos que ainda agora, neste ano da graça de 2009, se dá ao luxo de exibir citações do Livro de Estilo, o mesmo que a OPA meteu na gaveta!
O PÚBLICO, enquanto produto, tem dois problemas: os leitores e o Provedor. E não se pode exterminá-los?
Vasco Almeida
O Provedor no seu melhor, e a actuar devidamente, sinto-o e felicito-o. E sinto que algo está por esclarecer. Não entendo o qu~e, mas este não está a ser o J.M.F. de há 10 anos, não só por isto, como até pelo conteúdo de alguns editoriais, de há um ano a esta parte – poucos e ainda bem -, e não só. Porquê?
Augusto Küttner de Magalhães
Sou uma cidadã idosa, reformada e pobre, mas atenta à comunicação social. Fui leitora do PÚBLICO, mas o comportamento do Director, do crítico de televisão Cintra e muitos comentadores levou-me a reparar no primeiro-ministro, o que me levou a simpatizar com ele e a admirar a sua persistência e força de vontade, semelhantes às minhas, quando era útil à sociedade, e a que os fracos chamavam arrogância. Não sou do PS nem de qualquer outro partido, a maior parte das vezes sou abstencionista, mas, desta vez, vou votar no Sócrates, e jamais votarei em Cavaco, que acho ser pessoa indigna e vingativa. Desejo para si as maiores felicidades, pois a tarefa que está a desempenhar não é nada fácil, como não é a de Bettencourt Resendes. Depois do desaparecimento de Cáceres Monteiro, restam os dois para exemplo dos mais novos, pois são autênticos "moicanos".
Lídia Sousa
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12:27
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sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Não se passa nada
O PÚBLICO é hoje capa no Sol e no Diário de Notícias, mas pelo site do jornal não se passa nada. Para saber o que se passa no jornal que compro desde o primeiro número, tenho que comprar a concorrência!
Carlos Reis
ACTUALIZAÇÂO:
Efectivamente é no minimo estranho que notícias que envolvem o PÚBLICO sejam veiculadas por outros jornais, tais como o Sol e o DN, e não pelo próprio. No caso ainda para mais dois jornais que nem leio. Mas de repente tudo o que seja noticiário aborda estes temas.
Qual o motivo, para não ser o nosso PÚBLICO a referir alguns comentários sobre as hipotéticas escutas efectuadas por alguém do staff do primeiro-ministro ao Presidente da República, o que foi divulgado pelo PÚBLICO em Agosto e que está a ser, e muito bem, motivo de crónicas do Provedor?
Qual o motivo de não ser o PÚBLICO a informar os seus leitores que vai mudar de Director? Ou a desmenti-lo de imediato caso não seja verdade?
O PÚBLICO tem de ocupar o seu lugar de qualidade e referência diariamente, em tudo.
Augusto Küttner de Magalhães
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03:51
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segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Sobre a crónica "Notícia e interpretação"
O editor de Desporto deu as suas explicações, que o provedor considera convincentes, mas eu gostaria que ana-
lisasse o seguinte:
Não é natural e óbvio que o clubismo de quem apresenta as suas reclamações seja mais evidente do que os "isentos" jornalistas que trabalham nessa casa? Eles até se assumem, reclamam frontalmente! Quantos jornalistas de desporto assumem frontalmente o seu clubismo? Será que na sua formação recebem uma vacina anti-clubismo, com duração e eficácia ad eternum? Será que Jorge Miguel Matias foi ou é capaz de seleccionar uma equipa de colaboradores 100% isenta, objectiva, que só relata factos? Será que, num estilo yankee, tão querido do director José Manuel Fernandes, forem submetidos ao detector de mentiras a propósito do seu
clubismo, estarão todos virgens ou inocentes? Será que um jornalista adepto ou simpatizante do FC PORTO é capaz de ver, relatar ou opinar de forma isenta sobre um jogo do que é conhecido por "glorioso"? Quantas vezes?
Se Jorge Miguel Matias está tão seguro - até pode dar garantias sobre a isenção dos seus colaboradores -, por que não convida ou faculta a esses seus colaboradores a possibilidade de assinarem todos os artigos e simultaneamente mencionarem as suas posições em relacção ao "maldito" clubismo - ISENTO; ANTI-CLUBISMO; SIMPATIZANTE de ... ; ADEPTO de ...; ADEPTO/ACCIONISTA de ...; ANTI ...?
Com esta iniciativa ficariamos todos melhor: os isentos jornalistas ficariam mais tranquilos na sua consciência porque facultariam factos importantes para percebermos as suas opiniôes/interpretações (gostei muito das suas considerações sobre o Livro de Estilo - mas vá acompanhando a prática ). Os infelizes reclamantes, vitímas dessa doença terrível que é o clubismo, ficariam melhor posicionados para perceberem essas opiniões/interpretações, até porque "não é possível separar a informação sem opinião".
O PÚBLICO, sobre a direcção desse autêntico farol do jornalismo português, teria uma iniciativa inédita, que contribuiria de forma significativa para um jornalismo desportivo mais credível e verdadeiro.
Vamos ser sérios a assumir de uma vez para sempre quem somos e ao que andamos.
O provedor já sabe que eu sou adepto do FC PORTO. Atingido pela grave doença, que só não atinge jornalistas, aos 3 anos, ainda vivo e já lá vão 60. Ao que ando? Neste momento a caminho da reforma, se lá chegar, tento sobreviver e acima de tudo continuar a lutar pelas minhas convicções.
O clubismo que temos é em grande parte construído pelo falso, corrupto e pouco qualificado jornalismo desportivo que se continua a publicar. Associar o clubismo apenas a uma doença que afecta a psique nacional e aos comentadores da TV que perdem as estribeiras não é rigoroso, nem correcto. Basta observar o enorme contributo que, a nível mundial, os clubes desportivos, os seus adeptos/associados pagadores e
consequentemente o clubismo têm facultado à humanidade nos mais diversos domínios (incluindo o jornalismo).
Jorge Moreira
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02:30
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Lá que usou, usou

"Ferreira Leite usou carro oficial apenas em viagens de e para a sede do Governo Regional" - este é o título da notícia a que o PUBLICO.PT deu destaque principal.
O termo "apenas" configura, a meu ver, a emissão de uma opinião/comentário, que não deveria caber no sector supostamente noticioso/informativo do sítio, mas antes no sector de opinião que o mesmo portal contém.
Infelizmente, já não é a primeira vez que detecto tais "falhas" no PÚBLICO, sempre com "tendência" favorável para o mesmo quadrante político.
Em jeito de conclusão, gostaria de realçar que, em minha opinião, os jornais portugueses deveriam assumir, um pouco como noutros países, e principalmente em períodos eleitorais, as suas preferências políticas.
Neste momento temos grupos económicos, com fortes interesses políticos, a dirigir/financiar jornais, e com o assumir dessas inclinações o sector tornar-se-ia muito mais transparente. De outra forma, as pessoas continuarão a assumir como certas as tendências políticas que detectam, de uma forma mais ou menos discreta, nos meios de comunicação social.
Vasco Machado
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02:15
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sábado, 29 de agosto de 2009
Uma taça meio cheia ou meio vazia?

Gostaria de mostrar a minha indignação sobre a forma como são divulgadas as notícias dos feitos alcançados pelos atletas portugueses no estrangeiro em provas internacionais.
Esta notícia é um exemplo flagrante da mentalidade dos jornalistas portugueses. Pelos vistos, segundo os jornalistas do PÚBLICO, Telma Monteiro estava obrigada a ser campeã mundial. Menos que isso seria um falhanço!
Não consigo compreender a razão por que os jornalistas divulgam a conquista de medalhas de prata em Mundiais como um "falhanço" em atingir o ouro.
Por que não escrever a notícia como "Telma Monteiro vice-campeã mundial de judo"? Parece que só os jornalistas é que cobram aos atletas medalhas de ouro. Isto num país com os índices de desenvolvimento que conhecemos, com os problemas estruturais conhecidos e onde são poucos os que se destacam pelo mérito.
Gostaria de saber os critérios que levam à divulgação destas conquistas desportivas de uma forma depreciativa, mesmo que não intencional.
Pedro Rosmaninho
Títulos como este são lamentáveis, derrotistas e claramente evitáveis. Numa competição mundial, Telma Monteiro foi capaz de obter um prestigiante segundo lugar, provavelmente competindo com atletas com recursos superiores e orçamentos mensais a que os atletas portugueses não podem aceder. E o comentário que lhe é dado é este? "Sabor amargo"? É um total desrespeito, e seria de esperar um pouco menos de sobranceria por parte de elementos de uma equipa tão prestigiada.
Daniela Gonçalves
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04:20
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sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Território e nacionalidade

Teorica-
mente Obama podia ter nascido fora dos EUA e ter a nacionali-
dade norte-americana
Na pág. 4 do P2 de hoje, 14 de Agosto de 2009, [no artigo "A última teoria de conspiração que vem da América"], repete-se a afirmação de que para se ser presidente dos EUA tem que se ter nascido no país ["um dos requisitos constitucionais para se ser Presidente dos EUA é ter nascido no país"]. É triste que os jornalistas/editores/revisores/directores do PÚBLICO não saibam distinguir entre “nascer no país” e “ser cidadão de origem”.
Pois acham que se deve negar o direito de ser presidente dos EUA por exemplo ao filho ou filha do embaixador americano em Moscovo? A mulher desse embaixador tem de viajar para os EUA para que o filho seja americano? E se der à luz prematuramente, esse filho de um alto funcionário do governo americano ficará, por um acaso do destino, privado à nascença desse direito?
O governador da Califórnia [Arnold Schwarzenegger] não pode concorrer ao cargo de presidente do país porque adquiriu a nacionalidade aos trinta e tal anos, por isso não é americano de origem. O meu filho nasceu em Maputo e é português de origem, acontece simplesmente que a naturalidade não foi em território português. Poderá ser presidente de Portugal (a lei é igual à americana).
CONSTITUIÇÃO AMERICANA:
Article II - The Executive Branch Note
Section 1 - The President
No person except a natural born Citizen, or a Citizen of the United States, at the time of the Adoption of this Constitution, shall be eligible to the Office of President; neither shall any Person be eligible to that Office who shall not have attained to the Age of thirty-five Years, and been fourteen Years a Resident within the United States.
PS: Ando desiludido com o PÚBLICO, pois tem cada vez mais erros.
Jorge Santos
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17:15
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quinta-feira, 13 de agosto de 2009
Erro persistente

Leitor diário do jornal de referência absoluta no nosso país, ainda no tempo do anterior provedor Rui Araújo tomei a liberdade de apontar a incorrecção relativamente à forma como a região italiana da Toscana era referida. Pensando que o erro estaria definitivamente erradicado, qual não foi o meu espanto quando na edição de hoje, 12 de Agosto, mais concretamente na pág. 14, e a propósito da condenação de um comandante nazi na Alemanha, ela é de novo mencionada, erroneamente, como "Toscânia".
Volto, então, a questionar quem de direito se um editor com um mínimo de conhecimentos não poderia ter corrigido esta inadmissível falha?
João Chambers
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05:23
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quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Mais espaço aos leitores
O srº director, José Manuel Fernandes, deveria somente escrever editoriais (por vezes são muito extensos, o que não quer dizer que alguns não sejam particularmente notáveis) à sexta, sábado e domingo. (...) Com esta “história" dos extensos editoriais, é penalizada uma das secções mais interessantes e vivas do PÚBLICO, que são as “Cartas ao Director”, visto os textos dos leitores estarem condicionados e “espartilhados” pelo espaço dos editoriais.
Já há uns meses chamei a atenção do srº provedor para a necessidade de se alargar o espaço concedido às cartas e/ou textos dos leitores, e recordo-me de o srº provedor fazer uma recomendação nesse sentido ao director do PÚBLICO. Não surtiu efeito, continua tudo na mesma...
A opinião dos leitores representa o pulsar e a dinâmica da sociedade, aí se dando conta dos atropelos, das injustiças, das indignações, das contestações, dos repúdios, das denúncias e, outrossim, das ideias e dos pontos de vista dos leitores sobre os mais variados temas, mesmo que encerrem polémica. A polémica é salutar e alguns textos-cartas não ficarão atrás das opiniões das designadas (e incensadas )figuras públicas... Ou da opinião publicada dos mesmos.
António Cândido Miguéis
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02:41
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